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E o circo chegou!


Rodolfo de Souza

24/01/2019 | 07:00


 Distinto público, o espetáculo vai começar! Ou melhor, já começou sem que eu percebesse, eu que sou povo e, por isso, distraio-me facilmente com qualquer bobagem. Ou talvez porque não me interesse mais espetáculos do gênero, é que sempre procuro voltar a minha atenção para outros assuntos de pouca ou nenhuma importância, veiculados pela mídia que se empenha em desviar o olhar da massa para imagens que devem permanecer na sua mente simples e, com isso, conduzir seus passos para os caminhos traçados por uma minoria que detém o comando e a grana da Nação.

Só que a mesma mídia, em dado momento, começou a se dividir e se estranhar, a olhos vistos, por causa de rumos tomados por determinado segmento do poder. Daquele poder, sobre o qual iniciei reflexão, logo ali, no início do texto.

E o conflito de interesses, nesse intrincado jogo, passou a escancarar para a plateia atônita a realidade dos fatos que se passam no trapézio em que os artistas se desdobram em saltos mortais, tentando agarrar a barra que lhes daria alguma segurança. Parece, inclusive, que não estão conseguindo segurá-la. Parece mesmo que a queda é inevitável.

Mas tem o malabarista que se esforça para que os pratos e os pinos permaneçam girando e perfazendo lindos movimentos no ar. Tudo para o deleite da assistência que já não dá assim tanta importância para a apresentação. Tanto é que desviou agora seu foco para o mágico que faz tudo desaparecer. Pessoas, inclusive. Provas irrefutáveis de sua profissão de magia, ele transforma em simples objetos que lembram outros ofícios.

Estranho, no entanto, como, repentinamente, o público parece meio desinteressado também pelo mágico que já perdeu o jeito para encantar. Pelo que tudo indica, essa gente deseja mesmo assistir à queda dos trapezistas, ao fracasso do malabarista, à descoberta dos truques deste mágico falastrão... Será que este mesmo público se cansou de circo e deseja viver sem as suas piruetas? Suspeito que finalmente tenha descoberto o seu papel de palhaço no espetáculo, e tenha se aborrecido com isso.

E quanto ao dono do circo, aquele de quem se espera ouvir qualquer coisa a respeito do show tétrico que vem sendo apresentado? Na verdade, dele não se espera nada, a não ser um discurso vazio que se limitada a enfatizar que, prioridade debaixo dessa lona, é ver pegar fogo o circo vizinho.

E a plateia exausta não tolera mais piruetas que resultam em mais pobreza e tédio. Melhor correr para frente do televisor e se embebedar de futebol e novela, programinhas de auditório, cultos de pastores com preleções inflamadas...

O que resta a essa gente é, pois, esperar. Esperar que a justiça seja feita, que possa ter trabalho digno, saúde, boa educação, sem luxo. Só isso.

Gerações e gerações contam a história de uma população que resiste aos rigores do submundo a que está submetida sua bela e rica Pátria. Mas por que tem que ser assim? Para sustentar as extravagâncias de uma minoria que insiste em abocanhar tudo o que está à sua volta. É possível até que esta minoria não consiga vencer o medo que tem de dividir um pouco do quinhão e assim criar uma Pátria mais justa para todos que já se cansaram de tanto circo.



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E o circo chegou!

Rodolfo de Souza

24/01/2019 | 07:00


 Distinto público, o espetáculo vai começar! Ou melhor, já começou sem que eu percebesse, eu que sou povo e, por isso, distraio-me facilmente com qualquer bobagem. Ou talvez porque não me interesse mais espetáculos do gênero, é que sempre procuro voltar a minha atenção para outros assuntos de pouca ou nenhuma importância, veiculados pela mídia que se empenha em desviar o olhar da massa para imagens que devem permanecer na sua mente simples e, com isso, conduzir seus passos para os caminhos traçados por uma minoria que detém o comando e a grana da Nação.

Só que a mesma mídia, em dado momento, começou a se dividir e se estranhar, a olhos vistos, por causa de rumos tomados por determinado segmento do poder. Daquele poder, sobre o qual iniciei reflexão, logo ali, no início do texto.

E o conflito de interesses, nesse intrincado jogo, passou a escancarar para a plateia atônita a realidade dos fatos que se passam no trapézio em que os artistas se desdobram em saltos mortais, tentando agarrar a barra que lhes daria alguma segurança. Parece, inclusive, que não estão conseguindo segurá-la. Parece mesmo que a queda é inevitável.

Mas tem o malabarista que se esforça para que os pratos e os pinos permaneçam girando e perfazendo lindos movimentos no ar. Tudo para o deleite da assistência que já não dá assim tanta importância para a apresentação. Tanto é que desviou agora seu foco para o mágico que faz tudo desaparecer. Pessoas, inclusive. Provas irrefutáveis de sua profissão de magia, ele transforma em simples objetos que lembram outros ofícios.

Estranho, no entanto, como, repentinamente, o público parece meio desinteressado também pelo mágico que já perdeu o jeito para encantar. Pelo que tudo indica, essa gente deseja mesmo assistir à queda dos trapezistas, ao fracasso do malabarista, à descoberta dos truques deste mágico falastrão... Será que este mesmo público se cansou de circo e deseja viver sem as suas piruetas? Suspeito que finalmente tenha descoberto o seu papel de palhaço no espetáculo, e tenha se aborrecido com isso.

E quanto ao dono do circo, aquele de quem se espera ouvir qualquer coisa a respeito do show tétrico que vem sendo apresentado? Na verdade, dele não se espera nada, a não ser um discurso vazio que se limitada a enfatizar que, prioridade debaixo dessa lona, é ver pegar fogo o circo vizinho.

E a plateia exausta não tolera mais piruetas que resultam em mais pobreza e tédio. Melhor correr para frente do televisor e se embebedar de futebol e novela, programinhas de auditório, cultos de pastores com preleções inflamadas...

O que resta a essa gente é, pois, esperar. Esperar que a justiça seja feita, que possa ter trabalho digno, saúde, boa educação, sem luxo. Só isso.

Gerações e gerações contam a história de uma população que resiste aos rigores do submundo a que está submetida sua bela e rica Pátria. Mas por que tem que ser assim? Para sustentar as extravagâncias de uma minoria que insiste em abocanhar tudo o que está à sua volta. É possível até que esta minoria não consiga vencer o medo que tem de dividir um pouco do quinhão e assim criar uma Pátria mais justa para todos que já se cansaram de tanto circo.

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