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Gente que muito pula


Carlos Brickmann

20/01/2019 | 07:00


Parafraseando Abraham Lincoln, é melhor ficar quieto e deixar que pensem que você talvez tenha errado do que mexer-se e tirar a dúvida.

O problema era com um assessor, sem que Flávio Bolsonaro estivesse em jogo. Agora, ao recorrer ao privilégio de foro, Flávio está no jogo. Pior: levou o jogo para dentro do governo e criou problemas para o pai, Jair Bolsonaro. Este caso, propriamente dito, e a questão Sérgio Moro. Se Moro se cala, perde força e capital político. Se esperneia, ou sai, quem perde é Bolsonaro.

Tanto Flávio Bolsonaro quanto o Ministério Público do Rio dizem que ele não é investigado. Mas Flávio disse ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a investigação (a que não existe) violaria sua prerrogativa de foro. Luiz Fux matou no peito.

A questão fica para o relator, ministro Marco Aurélio, resolver. Ele disse a Andréia Sadi, da Rede Globo, que tem negado petições assim.

Este colunista é do tempo em que juiz não antecipava decisões.

Disseram que os deputados eleitos do DEM erraram ao ir à China. Não poderiam ter a viagem paga por um governo estrangeiro nem elogiar um produto chinês que querem que o Brasil importe. Coisas sem muito fôlego. Mas afirmar que a China é comunista light, ditadura, só que boazinha, é meio muito. Light? Boazinha? Só porque os convidou e pagou tudo?

O sistema de identificação da China deve ser ótimo. Imagine, é capaz de identificar um chinês no meio de multidões de chineses!

A chave...

Jair Bolsonaro tem problemas, mas dispõe de bons trunfos, Sérgio Moro e Paulo Guedes. Se ambos tiverem êxito, outros ministros podem até passar o tempo brigando entre si que o governo surfará na onda da luta anticorrupção e da economia em ordem. Se Moro não der certo, por algum motivo, mas a economia estiver bem, as coisas andam – não tão boas, mas andam.

A primeira grande chance de Bolsonaro se mostrar ao mundo é o Fórum Econômico de Davos, Suíça, a partir de amanhã, com a elite econômica mundial. Bolsonaro abre os trabalhos e tem longos 30 minutos para falar.

...o tempo

Se convencer governantes e empresários de que tem bons planos e força para implementá-los, Bolsonaro cresce. 

O tempo que lhe dão e a honra de abrir os trabalhos do evento indicam boa vontade. Mas nem sempre o tempo é aliado. Um discurso ralo indicará ao mundo um líder de pouca consistência, que vai demorar para conseguir ser levado a sério. Este é hoje o trabalho de Paulo Guedes: montar um discurso forte, com ideias bem trabalhadas.

As armas e os cidadãos

Pesquisa da Toluna, multinacional que busca e fornece informações sobre desejos do consumidor, mostra que a maioria da população (54%) não acredita que facilitar a posse de armas de fogo a deixe mais segura. Creem na eficiência do decreto 39% da população. Para 61%, a medida aumentará a violência no País; para 29%, irá reduzi-la.

Marabraz replica...

A Marabraz enviou-nos o seguinte texto: “Informamos que a notícia divulgada sobre uma possível fraude por parte dos sócios da Marabraz não é verdadeira e que as informações sobre o processo não procedem. As informações constantes de cadastros em sites públicos estão à disposição do público leitor”. 

“A empresa pede à mídia que cheque a veracidade das informações antes de publicá-las, como, por exemplo, fazendo uma simples consulta no site do Inpi pode-se verificar que a marca Marabraz pertence à Marabraz Comercial Ltda desde 1986, sendo que foi veiculado um boato de que pertenceria a uma outra empresa, dentre outros erros da matéria”, continua. 

"Como o processo corre em segredo de Justiça, a empresa não pode dar nenhuma informação sobre o caso. A Marabraz possui um rígido compromisso com a legalidade de seus negócios e segue à disposição para eventuais esclarecimentos”, conclui.

...mas não é bem assim

A notícia da coluna é verdadeira: a IstoÉ Dinheiro tem a pauta, há advogados de prestígio na causa – Nelson Nery Jr. com os controladores da Marabraz; André Frossard dos Reis Albuquerque com o irmão que faz a denúncia; Lilia Frankenthal com a Átina. 

A nota nada diz sobre o processo. O pedido da Marabraz (“A empresa pede à mídia que cheque a veracidade das informações antes de publicá-las, como, por exemplo, fazendo uma simples consulta no site do Inpi, pode-se verificar que a marca Marabraz pertence à Marabraz Comercial Ltda desde 1986, sendo que foi veiculado um boato de que pertenceria a uma outra empresa, dentre outros erros da matéria”), já tinha sido atendido: pelo site do Inpi, em 23 de dezembro de 2005 – quase 20 anos depois de 1986 – a marca Marabraz era da Átina. Atualmente é da Marabraz Comercial. Como ocorreu o retorno? Houve recompra? Quando? Por quanto (valores)? Essa questão é discutida no processo. 



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Gente que muito pula

Carlos Brickmann

20/01/2019 | 07:00


Parafraseando Abraham Lincoln, é melhor ficar quieto e deixar que pensem que você talvez tenha errado do que mexer-se e tirar a dúvida.

O problema era com um assessor, sem que Flávio Bolsonaro estivesse em jogo. Agora, ao recorrer ao privilégio de foro, Flávio está no jogo. Pior: levou o jogo para dentro do governo e criou problemas para o pai, Jair Bolsonaro. Este caso, propriamente dito, e a questão Sérgio Moro. Se Moro se cala, perde força e capital político. Se esperneia, ou sai, quem perde é Bolsonaro.

Tanto Flávio Bolsonaro quanto o Ministério Público do Rio dizem que ele não é investigado. Mas Flávio disse ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a investigação (a que não existe) violaria sua prerrogativa de foro. Luiz Fux matou no peito.

A questão fica para o relator, ministro Marco Aurélio, resolver. Ele disse a Andréia Sadi, da Rede Globo, que tem negado petições assim.

Este colunista é do tempo em que juiz não antecipava decisões.

Disseram que os deputados eleitos do DEM erraram ao ir à China. Não poderiam ter a viagem paga por um governo estrangeiro nem elogiar um produto chinês que querem que o Brasil importe. Coisas sem muito fôlego. Mas afirmar que a China é comunista light, ditadura, só que boazinha, é meio muito. Light? Boazinha? Só porque os convidou e pagou tudo?

O sistema de identificação da China deve ser ótimo. Imagine, é capaz de identificar um chinês no meio de multidões de chineses!

A chave...

Jair Bolsonaro tem problemas, mas dispõe de bons trunfos, Sérgio Moro e Paulo Guedes. Se ambos tiverem êxito, outros ministros podem até passar o tempo brigando entre si que o governo surfará na onda da luta anticorrupção e da economia em ordem. Se Moro não der certo, por algum motivo, mas a economia estiver bem, as coisas andam – não tão boas, mas andam.

A primeira grande chance de Bolsonaro se mostrar ao mundo é o Fórum Econômico de Davos, Suíça, a partir de amanhã, com a elite econômica mundial. Bolsonaro abre os trabalhos e tem longos 30 minutos para falar.

...o tempo

Se convencer governantes e empresários de que tem bons planos e força para implementá-los, Bolsonaro cresce. 

O tempo que lhe dão e a honra de abrir os trabalhos do evento indicam boa vontade. Mas nem sempre o tempo é aliado. Um discurso ralo indicará ao mundo um líder de pouca consistência, que vai demorar para conseguir ser levado a sério. Este é hoje o trabalho de Paulo Guedes: montar um discurso forte, com ideias bem trabalhadas.

As armas e os cidadãos

Pesquisa da Toluna, multinacional que busca e fornece informações sobre desejos do consumidor, mostra que a maioria da população (54%) não acredita que facilitar a posse de armas de fogo a deixe mais segura. Creem na eficiência do decreto 39% da população. Para 61%, a medida aumentará a violência no País; para 29%, irá reduzi-la.

Marabraz replica...

A Marabraz enviou-nos o seguinte texto: “Informamos que a notícia divulgada sobre uma possível fraude por parte dos sócios da Marabraz não é verdadeira e que as informações sobre o processo não procedem. As informações constantes de cadastros em sites públicos estão à disposição do público leitor”. 

“A empresa pede à mídia que cheque a veracidade das informações antes de publicá-las, como, por exemplo, fazendo uma simples consulta no site do Inpi pode-se verificar que a marca Marabraz pertence à Marabraz Comercial Ltda desde 1986, sendo que foi veiculado um boato de que pertenceria a uma outra empresa, dentre outros erros da matéria”, continua. 

"Como o processo corre em segredo de Justiça, a empresa não pode dar nenhuma informação sobre o caso. A Marabraz possui um rígido compromisso com a legalidade de seus negócios e segue à disposição para eventuais esclarecimentos”, conclui.

...mas não é bem assim

A notícia da coluna é verdadeira: a IstoÉ Dinheiro tem a pauta, há advogados de prestígio na causa – Nelson Nery Jr. com os controladores da Marabraz; André Frossard dos Reis Albuquerque com o irmão que faz a denúncia; Lilia Frankenthal com a Átina. 

A nota nada diz sobre o processo. O pedido da Marabraz (“A empresa pede à mídia que cheque a veracidade das informações antes de publicá-las, como, por exemplo, fazendo uma simples consulta no site do Inpi, pode-se verificar que a marca Marabraz pertence à Marabraz Comercial Ltda desde 1986, sendo que foi veiculado um boato de que pertenceria a uma outra empresa, dentre outros erros da matéria”), já tinha sido atendido: pelo site do Inpi, em 23 de dezembro de 2005 – quase 20 anos depois de 1986 – a marca Marabraz era da Átina. Atualmente é da Marabraz Comercial. Como ocorreu o retorno? Houve recompra? Quando? Por quanto (valores)? Essa questão é discutida no processo. 

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