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GM diz a operários que cogita sair da América do Sul

Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Com isso, os 8.500 empregos da planta de São Caetano estariam em risco


Soraia Abreu Pedrozo
Yara Ferraz

19/01/2019 | 07:26


Os operários da GM (General Motors) foram surpreendidos na tarde de ontem ao receberem comunicado em nome do presidente para a América do Sul, Carlos Zarlenga, sobre a possibilidade de as fábricas do continente, ou seja, do Brasil e da Argentina, fecharem as portas. Com isso, os 8.500 empregos de São Caetano estariam em risco.

Zarlenga chamou atenção ao fato de, na semana passada, durante anúncio de resultados de 2018 aos acionistas, a presidente global Mary Barra ter falado com a imprensa sobre esforço da montadora em se reestruturar para recuperar prejuízos.

Em entrevista ao The Detroit News (publicação on-line da cidade norte-americana em que está a sede mundial da GM), no dia 11, a reportagem diz que Mary “insinuou repetidamente que a GM está considerando sair da América do Sul”. “O Brasil e a Argentina, os maiores mercados sul-americanos da GM, continuam sendo desafiadores, disse ela. A empresa está trabalhando com as partes interessadas na região para tomar todas as ações necessárias para melhorar o negócio ou considerar outras opções”. E ela ainda disse: “Não vamos continuar investindo para perder dinheiro”.

De acordo com o comunicado de Zarlenga, que foi afixado na fábrica e também enviado aos colaboradores pelos grupos de WhatsApp – uma vez que os 4.500 do chão de fábrica estão em férias coletivas até o dia 27 –, a GM no Brasil teve prejuízo agregado significativo no período de 2016 a 2018, o que não pode se repetir. “2019 será um ano decisivo para a nossa história. O Comitê Executivo do Mercosul está fortemente comprometido para reverter esta situação de forma imediata e definitiva. Vivemos um momento crítico que vai exigir importantes sacrifícios de todos.”

O aviso dizia ainda que na semana que vem ele estará se reunindo com as lideranças sindicais e prefeitos da região (América do Sul). Questionado, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, disse que todos foram pegos de surpresa. “No acordo coletivo de dois anos atrás já flexibilizamos o adicional noturno e o banco de horas, então é difícil saber o que temos ainda para contribuir. Agora, vamos esperar a primeira reunião com eles (GM), que deve acontecer na terça-feira em São José dos Campos”, afirmou ele, que vê risco de fechamento. “O capital é selvagem. Se de fato houver prejuízo, isso não está descartado.”

Segundo trabalhador que pediu sigilo, ninguém da empresa ou do sindicato falou nada além do comunicado. “Não sabemos o que faremos”, disse. Outro empregado acredita que seja “mais um jeito de nos pressionar. Acabaram de investir R$ 1,2 bilhão, há projetos garantidos até 2021. Eles querem dar desculpas antecipadas do facão que terá neste ano. Acreditamos que nem na crise ela não teve prejuízo. Pelo contrário.”

O cenário se dá em momento em que a fábrica está prestes a receber novo modelo na linha de produção, de onde saem hoje Onix Joy, Montana, Cobalt e Spin. O mercado especula a produção do SUV compacto Tracker, hoje importado do México. A novidade é fruto do processo de ampliação e modernização da fábrica, para a qual está sendo investido R$ 1,2 bilhão. O aporte faz parte do pacote de R$ 13 bilhões injetados no País entre 2014 e 2020, conforme anunciado em 2017. Procurada, a GM disse que não iria comentar o assunto. 



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GM diz a operários que cogita sair da América do Sul

Com isso, os 8.500 empregos da planta de São Caetano estariam em risco

Soraia Abreu Pedrozo
Yara Ferraz

19/01/2019 | 07:26


Os operários da GM (General Motors) foram surpreendidos na tarde de ontem ao receberem comunicado em nome do presidente para a América do Sul, Carlos Zarlenga, sobre a possibilidade de as fábricas do continente, ou seja, do Brasil e da Argentina, fecharem as portas. Com isso, os 8.500 empregos de São Caetano estariam em risco.

Zarlenga chamou atenção ao fato de, na semana passada, durante anúncio de resultados de 2018 aos acionistas, a presidente global Mary Barra ter falado com a imprensa sobre esforço da montadora em se reestruturar para recuperar prejuízos.

Em entrevista ao The Detroit News (publicação on-line da cidade norte-americana em que está a sede mundial da GM), no dia 11, a reportagem diz que Mary “insinuou repetidamente que a GM está considerando sair da América do Sul”. “O Brasil e a Argentina, os maiores mercados sul-americanos da GM, continuam sendo desafiadores, disse ela. A empresa está trabalhando com as partes interessadas na região para tomar todas as ações necessárias para melhorar o negócio ou considerar outras opções”. E ela ainda disse: “Não vamos continuar investindo para perder dinheiro”.

De acordo com o comunicado de Zarlenga, que foi afixado na fábrica e também enviado aos colaboradores pelos grupos de WhatsApp – uma vez que os 4.500 do chão de fábrica estão em férias coletivas até o dia 27 –, a GM no Brasil teve prejuízo agregado significativo no período de 2016 a 2018, o que não pode se repetir. “2019 será um ano decisivo para a nossa história. O Comitê Executivo do Mercosul está fortemente comprometido para reverter esta situação de forma imediata e definitiva. Vivemos um momento crítico que vai exigir importantes sacrifícios de todos.”

O aviso dizia ainda que na semana que vem ele estará se reunindo com as lideranças sindicais e prefeitos da região (América do Sul). Questionado, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, disse que todos foram pegos de surpresa. “No acordo coletivo de dois anos atrás já flexibilizamos o adicional noturno e o banco de horas, então é difícil saber o que temos ainda para contribuir. Agora, vamos esperar a primeira reunião com eles (GM), que deve acontecer na terça-feira em São José dos Campos”, afirmou ele, que vê risco de fechamento. “O capital é selvagem. Se de fato houver prejuízo, isso não está descartado.”

Segundo trabalhador que pediu sigilo, ninguém da empresa ou do sindicato falou nada além do comunicado. “Não sabemos o que faremos”, disse. Outro empregado acredita que seja “mais um jeito de nos pressionar. Acabaram de investir R$ 1,2 bilhão, há projetos garantidos até 2021. Eles querem dar desculpas antecipadas do facão que terá neste ano. Acreditamos que nem na crise ela não teve prejuízo. Pelo contrário.”

O cenário se dá em momento em que a fábrica está prestes a receber novo modelo na linha de produção, de onde saem hoje Onix Joy, Montana, Cobalt e Spin. O mercado especula a produção do SUV compacto Tracker, hoje importado do México. A novidade é fruto do processo de ampliação e modernização da fábrica, para a qual está sendo investido R$ 1,2 bilhão. O aporte faz parte do pacote de R$ 13 bilhões injetados no País entre 2014 e 2020, conforme anunciado em 2017. Procurada, a GM disse que não iria comentar o assunto. 

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