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Depois de ficar mais barata, lista de material escolar sobe 21%

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cesta com 17 itens custa a partir de R$ 60,97, ou seja, R$ 10,75 a mais do que em 2018


Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

16/01/2019 | 07:07


Considerada pelas famílias com filhos em idade escolar uma das principais despesas do início do ano, a compra do material deve custar mais caro neste ano. O valor de lista com 17 itens é de R$ 60,97, aumento de 21,41% em relação a 2018. No início do ano passado, total de produtos escolares saía a partir de R$ 50,22, ou seja, R$ 10,75 a menos do que neste ano.

A pesquisa foi feita pela equipe do Diário ontem em cinco estabelecimentos da região – Armarinhos Fernando, Miamor, Mais Valdir, Nivalmix, Lojas Americanas e Lojas Mel. Os 17 itens, entre eles caderno universitário, caixa de lápis de cor, tesoura e cola (veja mais na arte abaixo), tiveram seus preços coletados nos estabelecimentos. A partir daí, foram feitas duas listas, uma com os itens mais caros e, outra, com os mais baratos.

Apesar de a inflação oficial do País ter variado apenas 3,75% em 2018, e de a taxa de juros ter permanecido estável, em 6,5% ao ano, o aumento de 21,41% entre os itens de menor preço pode ser explicado como forma de os varejistas recompensarem vendas mais retraídas do ano anterior, por conta da crise econômica ainda presente. Em 2017, a cesta de itens tinha ficado 21,47% mais barata do que em 2016.

“Sempre que há processo de retomada da economia, após a recessão, as fabricantes e os comércios procuram a recomposição de margem de lucro. Como as vendas estavam em patamares reprimidos, e a atividade econômica vem se aquecendo lentamente, pode ser que o comércio queira ganhar o que não ganhou nos anos anteriores. Além disso, os consumidores são reféns desse processo, e as empresas sabem que eles vão precisar comprar os materiais nesta época”, afirmou o economista e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.

Em contrapartida, quando se avaliam os itens com maiores preços, houve redução de 17,65%. A cesta dos produtos passou de R$ 397,07 para R$ 279,61. Ou seja, a lista de compras pode variar até 319,27%, dependo do estabelecimento, das marcas e dos modelos.

O produto que mais variou entre as cinco lojas foi o fichário, que pode custar R$ 9,99, modelo simples e sem desenho, até R$ 129,99, de personagem licenciado e marca mais conhecida no mercado – diferença de 1.212%. Também foram observadas variações importantes na cola bastão, encontrada desde R$ 0,99 e R$ 5,99 (505%), e na régua, de R$ 0,85 a R$ 2,49 (192%).

Os consumidores já sentem o aumento de preços no bolso e percebem a variação dos licenciados. “Tenho dois filhos que estudam em escola pública (um de 7 e outra de 10 anos), então recebemos material escolar. Mesmo assim, precisamos comprar algumas coisas, caderno, estojo e lápis, por exemplo. Eu queria gastar no máximo R$ 50, mas como minha filha quer os produtos de unicórnio, devo gastar mais de R$ 80”, disse a dona de casa Kelly Casagrande, 45, moradora da Vila Guiomar em Santo André. “Eu reconheço que, em alguns casos, esses produtos fazem a diferença. Meu filho mais novo não queria ir para escola, mas quando eu comprei tudo Batman, ele se sentiu incentivado.”

A professora Roberta Brunelli, 42, moradora do Taboão, em São Bernardo, também estava com dificuldades de conter o orçamento. “Eu queria gastar até R$ 300, mas está difícil. Os itens de marcas, que geralmente estão os preferidos, acabam custando mais. Eu tento comprar kits, por exemplo, com borracha e lápis, porque já guardo para o ano todo e sai mais em conta.”

Especialista afirma que pesquisa é fundamental

Para os pais que precisam apertar o cinto e economizar, o coordenador do MBA em Gestão Financeira da FGV (Fundação Getulio Vargas) Ricardo Teixeira afirma que a pesquisa é essencial para buscar os melhores preços. “É importante pesquisar pela internet, mas também gastar a sola do sapato e fazer isso presencialmente. No caso de comprar a lista toda em um local, vale a pena reunir um grupo de pais, já que em alguns estabelecimentos há a possibilidade de conseguir o preço por atacado”, aconselhou.

O Armarinhos Fernando é um dos locais que possuem essa opção. Por exemplo, uma caixa de lápis preto com 144 itens sai por R$ 24,90, menos de R$ 0,18 cada um no atacado. Em períodos de grande movimentação, o gerente da rede, Ondamar Ferreira, aconselha ir às compras cedo. “O horário da abertura da loja é quando ela está mais vazia.”

Em relação aos licenciados, Teixeira afirma que é possível economizar. “Uma edição anterior da linha de produtos, ou seja, que não seja lançamento, pode estar mais em conta. Por isso o ideal é não fazer compras com os filhos. Se isso acontecer, é maneira de dar educação financeira mostrando a diferença, mas isso só funciona quando a criança não está emocionalmente envolvida com o produto.”



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Depois de ficar mais barata, lista de material escolar sobe 21%

Cesta com 17 itens custa a partir de R$ 60,97, ou seja, R$ 10,75 a mais do que em 2018

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

16/01/2019 | 07:07


Considerada pelas famílias com filhos em idade escolar uma das principais despesas do início do ano, a compra do material deve custar mais caro neste ano. O valor de lista com 17 itens é de R$ 60,97, aumento de 21,41% em relação a 2018. No início do ano passado, total de produtos escolares saía a partir de R$ 50,22, ou seja, R$ 10,75 a menos do que neste ano.

A pesquisa foi feita pela equipe do Diário ontem em cinco estabelecimentos da região – Armarinhos Fernando, Miamor, Mais Valdir, Nivalmix, Lojas Americanas e Lojas Mel. Os 17 itens, entre eles caderno universitário, caixa de lápis de cor, tesoura e cola (veja mais na arte abaixo), tiveram seus preços coletados nos estabelecimentos. A partir daí, foram feitas duas listas, uma com os itens mais caros e, outra, com os mais baratos.

Apesar de a inflação oficial do País ter variado apenas 3,75% em 2018, e de a taxa de juros ter permanecido estável, em 6,5% ao ano, o aumento de 21,41% entre os itens de menor preço pode ser explicado como forma de os varejistas recompensarem vendas mais retraídas do ano anterior, por conta da crise econômica ainda presente. Em 2017, a cesta de itens tinha ficado 21,47% mais barata do que em 2016.

“Sempre que há processo de retomada da economia, após a recessão, as fabricantes e os comércios procuram a recomposição de margem de lucro. Como as vendas estavam em patamares reprimidos, e a atividade econômica vem se aquecendo lentamente, pode ser que o comércio queira ganhar o que não ganhou nos anos anteriores. Além disso, os consumidores são reféns desse processo, e as empresas sabem que eles vão precisar comprar os materiais nesta época”, afirmou o economista e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.

Em contrapartida, quando se avaliam os itens com maiores preços, houve redução de 17,65%. A cesta dos produtos passou de R$ 397,07 para R$ 279,61. Ou seja, a lista de compras pode variar até 319,27%, dependo do estabelecimento, das marcas e dos modelos.

O produto que mais variou entre as cinco lojas foi o fichário, que pode custar R$ 9,99, modelo simples e sem desenho, até R$ 129,99, de personagem licenciado e marca mais conhecida no mercado – diferença de 1.212%. Também foram observadas variações importantes na cola bastão, encontrada desde R$ 0,99 e R$ 5,99 (505%), e na régua, de R$ 0,85 a R$ 2,49 (192%).

Os consumidores já sentem o aumento de preços no bolso e percebem a variação dos licenciados. “Tenho dois filhos que estudam em escola pública (um de 7 e outra de 10 anos), então recebemos material escolar. Mesmo assim, precisamos comprar algumas coisas, caderno, estojo e lápis, por exemplo. Eu queria gastar no máximo R$ 50, mas como minha filha quer os produtos de unicórnio, devo gastar mais de R$ 80”, disse a dona de casa Kelly Casagrande, 45, moradora da Vila Guiomar em Santo André. “Eu reconheço que, em alguns casos, esses produtos fazem a diferença. Meu filho mais novo não queria ir para escola, mas quando eu comprei tudo Batman, ele se sentiu incentivado.”

A professora Roberta Brunelli, 42, moradora do Taboão, em São Bernardo, também estava com dificuldades de conter o orçamento. “Eu queria gastar até R$ 300, mas está difícil. Os itens de marcas, que geralmente estão os preferidos, acabam custando mais. Eu tento comprar kits, por exemplo, com borracha e lápis, porque já guardo para o ano todo e sai mais em conta.”

Especialista afirma que pesquisa é fundamental

Para os pais que precisam apertar o cinto e economizar, o coordenador do MBA em Gestão Financeira da FGV (Fundação Getulio Vargas) Ricardo Teixeira afirma que a pesquisa é essencial para buscar os melhores preços. “É importante pesquisar pela internet, mas também gastar a sola do sapato e fazer isso presencialmente. No caso de comprar a lista toda em um local, vale a pena reunir um grupo de pais, já que em alguns estabelecimentos há a possibilidade de conseguir o preço por atacado”, aconselhou.

O Armarinhos Fernando é um dos locais que possuem essa opção. Por exemplo, uma caixa de lápis preto com 144 itens sai por R$ 24,90, menos de R$ 0,18 cada um no atacado. Em períodos de grande movimentação, o gerente da rede, Ondamar Ferreira, aconselha ir às compras cedo. “O horário da abertura da loja é quando ela está mais vazia.”

Em relação aos licenciados, Teixeira afirma que é possível economizar. “Uma edição anterior da linha de produtos, ou seja, que não seja lançamento, pode estar mais em conta. Por isso o ideal é não fazer compras com os filhos. Se isso acontecer, é maneira de dar educação financeira mostrando a diferença, mas isso só funciona quando a criança não está emocionalmente envolvida com o produto.”

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