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Avape: em busca do primeiro milhão

11/07/2010 | 07:48
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Quando se fala de uma pessoa com deficiência física e mental, imediatamente nos vem à cabeça a imagem de alguém doente e acamado. A Avape (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência) tenta desmistificar esse pensamento com a proposta desafiante de capacitar cada vez mais os assistidos para que consigam se estabelecer no mercado de trabalho.

As iniciativas também se estendem àqueles com comprometimentos severos. que não têm condições de desempenhar funções remuneradas em empresas, mas que podem realizar atividades diversificadas.

A estimativa da entidade é fechar o ano com 1 milhão de atendimentos. Quase o dobro de 2009, quando foram registrados 606.556, distribuídos em três unidades clínicas de reabilitação, com capacidade para receber pessoas com ou sem deficiência. Além disso, dois centros de convivência, oferecem atividades para pessoas com deficiência intelectual que não estejam incluídas no sistema regular de ensino, e seis unidades mantém programas de reabilitação e inclusão econômica e de Capacitação Profissional.

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A Avape mantém no Grande ABC três pontos de atedimento, dois em São Bernardo e um em Santo André.

FUTURO - A anoxia (ausência de oxigênio) no nascimento impossibilitou que Jonas Guedes da Silva, 25 anos, tivesse um bom desempenho escolar. A facilidade na compreensão não era algo alcançado por ele, e a leitura lhe causava fortes de cabeça. Aos poucos, os obstáculos fizeram com que o jovem de São Bernardo tomasse distância dos livros. Ele estudou apenas até a 5ª série.

O sonho de ingressar no mercado de trabalho e se tornar um profissional fazia do rapaz um guerreiro. Em 2005, Silva entrou para a Avape e lá aprendeu diversas funções nos cursos de capacitação, como embalar frutas e produtos de feiras, a fazer pães, confeccionar óculos de proteção e giz de cera.

Hoje, o jovem é casado e não frequenta mais os cursos da associação, mas orgulhosamente fala de suas habilidades. Só lamenta ainda manter distância dos livros. "Sou ajudante geral de uma loja das Casas Bahia, em São Bernardo", contou ele. satisfeito.

Jonas conseguiu o trabalho enviando seu currículo pela internet. Muitos atendidos pela Avape são contratados por empresas parceiras.

‘Fico feliz porque aqui aprendo a fazer coisas boas'

Eleito pelos amigos e educadores da Avape o melhor confeccionador de papel reciclável da entidade, José Marques da Silva, 38, não poupa sorrisos durante o tempo em que passa dentro da unidade, onde tem acompanhamento por apresentar deficiência mental e visual.

"Eu nunca enxerguei, Sou cego de nascença", conta o rapaz. Ele gosta quando ouve o barulho da perua chegando em sua casa para apanhá-lo. "Fico feliz aqui porque aprendo a fazer muitas coisas boas. Em casa, não. Fico nervoso porque não tem o que fazer", explica.

Quando fala da casa onde vive, o ar triste toma conta do semblante. "Apenas gostaria que minha mãe fosse mais feliz", opina. Mas logo desvia do assunto e faz questão de mostrar como é o trabalho que realiza na oficina de papel, desde o momento em que pica todo o material até a aplicação das técnicas em tela com o papel molhado.

Como iniciou o tratamento de reabilitação muito tarde, quando já havia entrado na fase adulta, José não tem condição de se deslocar sozinho para a Avape. Todos os dias uma van particular o apanha em casa e o leva para o Centro de Convivência do Riacho Grande. É lá que ele aprendeu tudo o que sabe. O lugar que ele considera seu segundo lar, há mais de 10 anos.

Faltam parcerias com cidades da região

A busca de parceiros para fortalecer os trabalhos clínicos e de capacitação para milhares de pessoas com deficiência é o desafio constante para a presidente da Avape, Sylvia Cury.

Mesmo tendo alguns projetos com algumas prefeituras da região, a relação ainda é distante para a realização de um trabalho completo.A presidente ressalta que a administração pública deve levar condições básicas de saúde, saneamento e educação para as famílias de crianças e adolescentes que precisam de tratamento para suas deficiências.

"Buscamos sempre a parceria, mas a concretização é mais com empresas privadas e com os governos estadual e federal", explica Sylvia.

Neste mês, a diretoria da Avape segue para Washington, nos Estados Unidos, em busca de 4 milhões de dólares junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para capacitação de profissionais e formatação dos moldes da Avape para a instalação de fraquias por outros lugares do Brasil. "Queremos que o modelo de atendimento da Avape também seja feito por outras entidades", disse a presidente. Atualmente a Avape tem 12 franquias.

Outro projeto para 2011 é a criação da Universidade Avape, para oferecer através do ensino à distância os cursos regulares de primeiro e segundo grau.

DADOS - No ano passado, a Avape atendeu no Centro de Convivência de São Bernardo e no Centro de Capacitação Profissional de Santo André, 60.242 pessoas (veja tabela abaixo). O trabalho envolve desde atividades nas unidades até atendimentos in loco nas comunidades em que vivem crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

No Brasil, em 2009, os trabalhos de reabilitação clínica oferecidos pela associação foram os que tiveram maior demanda. Foram 134.891 pessoas que passaram por assistência psicológica, 111.578 por terapia ocupacional, 95.455 de fonoaudiologia e 84.873 tiveram auxilio de professores.

‘Chorei a primeira vez que consegui entrar no ônibus'

O horário de ir para a Avape é sagrado para Patrícia Lopes Gonçalves, 34, portadora de Síndrome de Down. Há 15 anos, ela se desloca diariamente de sua casa em São Caetano para o do Centro de Reabilitação do Riacho Grande, onde passa as tardes.

Patrícia é desenvolta. Logo começa a falar de suas habilidades, como fazer sabonetes e bordar toalhas. "Sou muito feliz convivendo aqui. Às vezes fico triste quando um amigo vai embora, mas logo vem outros para trazer alegria. Aqui somos uma família", disse.

A família de Patrícia a colocou cedo para iniciar os tratamentos necessários para o seu desenvolvimento de suas capacidades.

Ao lado do psicólogo da unidade, Klayton Giordani, ela conta emocionada sobre a primeira vez que entrou em um ônibus. "Nós íamos para um passeio e eu tinha medo de entrar no ônibus. O motorista me disse para tentar, porque sabia que eu ia conseguir. Quando entrei, fiquei tão feliz que chorei", recorda ela, sem esconder as lágrimas.

Para complementar o tratamento, Patrícia participa de sessões de terapia com cachorros.Os exercícios estimulam a coordenação motora e agilidade. No fim do dia, a moça volta para casa em um ônibus gratuito, que apanha o pessoal na unidade e os leva até o Centro de São Bernardo.




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