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Economia verde, empregos e a região


Regiane Balestra Vieira*

11/01/2019 | 07:24


William D. Nordhaus e Paul M. Romer, norte-americanos, receberam o prêmio Nobel de Economia em 2018, por seus estudos sobre economia sustentável e crescimento econômico a longo prazo. Esses autores demonstraram que cada vez mais a relação entre a oferta e a demanda será fundamentada por critérios de impactos socioambientais. Isso traz repercussões significativas no mercado de trabalho. Este foi o tema do qual tratamos em trabalho no Observatório da USCS. Enquanto em alguns setores os dados alarmantes sobre profissões que deixaram e deixarão de existir preocupam, na economia verde o desafio é encontrar profissionais para ocupar as vagas. A OIT (Organização Internacional do Trabalho), em estudo de 2018, prevê que 24 milhões de empregos serão criados na economia verde no mundo até 2030.

No Brasil, serão criadas 620 mil novas vagas, compensando os 180 mil empregos que poderão ser perdidos. O fechamento das vagas, em todo o mundo, se concentrará principalmente na indústria do petróleo e nas atividades relacionadas. No Brasil, a diferença entre fechamento de postos e abertura de novas vagas também é positiva e chega a 440 mil novos empregos, segundo informou a OIT. Em trabalho de 2011, a ‘Conservação Internacional’, uma organização privada sem fins lucrativos fundada em 1987, prevê que o ‘esverdeamento’ da economia brasileira pode sim trazer resultados melhores para a geração de emprego e renda do que o atual modelo de especialização em exportações de recursos naturais explorados predatoriamente ou de bens industriais com elevado grau de poluição em seus processos produtivos.

De acordo com o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) 2011, a educação pode contribuir para que se aproveitem oportunidades econômicas verdes, ajudar na promoção da diversidade humana e cultural. Programas de treinamento e aumento de habilidade são necessários para preparar a força de trabalho para transição à economia verde. Para o Pnuma, a mudança para economia verde implica certo grau de reestruturação econômica, e podem ser necessárias medidas para garantir transição justa para profissionais afetados. Em alguns setores, o apoio será necessário para mudar os profissionais para novos empregos, portanto, o investimento na requalificação profissional assumirá significativa importância.


Como o Grande ABC se prepara para enfrentar este desafio?

Sabe-se que a velocidade da transição para economia verde (ou de baixo carbono) depende da capacidade de interação e cooperação dos vários agentes. Na região, para além do plástico verde, foco da produção da Braskem no polo petroquímico da região, as práticas sob o conceito da economia verde ainda são pontuais, refratárias e protetoras de estratégias concorrenciais, de patentes e segredos industriais.

No médio prazo, como o referido documento do Pnuma chama atenção, a transição da atual economia para a economia verde será condição obrigatória para o Grande ABC, mas que necessitará de marco regulatório bem planejado que gere incentivos para direcionar atividades econômicas verdes, assim como remover barreiras a investimentos verdes e desburocratizar o acesso. Quanto à formação profissional e às qualificações, não é novidade a necessidade de se requalificar a força de trabalho do Grande ABC, tendo em vista a reestruturação produtiva necessária.

Essa ênfase é importante para a mudança na matriz energética que os países desenvolvidos estão realizando, tendo a internacionalização como alvo competitivo. Vale a pena assinalar que, de acordo com relatório da OIT Brasil de 2009, pessoas qualificadas desempenham papel crucial na economia verde por meio da inovação, de novos conhecimentos que elas geram, do modo como adotam e adaptam ideias existentes, e de sua capacidade de aprender novas competências e de se adaptarem a ambiente em mudança.

No mesmo estudo de 2018, a OIT destaca, ainda, a importância de se conhecerem diferentes tipos de qualificação que contribuem para a inovação e melhores formas de construí-las, de modo a desenhar políticas que contribuam para desenvolvimento duradouro de tais qualificações na economia verde.

A discussão inicial que se apresenta tem como proposta, aos agentes e atores protagonistas do Grande ABC, a análise desta dinâmica como condição fundamental para o desenvolvimento socioeconômico almejado pela região.

* Doutoranda professora e integrante do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) 



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Economia verde, empregos e a região

Regiane Balestra Vieira*

11/01/2019 | 07:24


William D. Nordhaus e Paul M. Romer, norte-americanos, receberam o prêmio Nobel de Economia em 2018, por seus estudos sobre economia sustentável e crescimento econômico a longo prazo. Esses autores demonstraram que cada vez mais a relação entre a oferta e a demanda será fundamentada por critérios de impactos socioambientais. Isso traz repercussões significativas no mercado de trabalho. Este foi o tema do qual tratamos em trabalho no Observatório da USCS. Enquanto em alguns setores os dados alarmantes sobre profissões que deixaram e deixarão de existir preocupam, na economia verde o desafio é encontrar profissionais para ocupar as vagas. A OIT (Organização Internacional do Trabalho), em estudo de 2018, prevê que 24 milhões de empregos serão criados na economia verde no mundo até 2030.

No Brasil, serão criadas 620 mil novas vagas, compensando os 180 mil empregos que poderão ser perdidos. O fechamento das vagas, em todo o mundo, se concentrará principalmente na indústria do petróleo e nas atividades relacionadas. No Brasil, a diferença entre fechamento de postos e abertura de novas vagas também é positiva e chega a 440 mil novos empregos, segundo informou a OIT. Em trabalho de 2011, a ‘Conservação Internacional’, uma organização privada sem fins lucrativos fundada em 1987, prevê que o ‘esverdeamento’ da economia brasileira pode sim trazer resultados melhores para a geração de emprego e renda do que o atual modelo de especialização em exportações de recursos naturais explorados predatoriamente ou de bens industriais com elevado grau de poluição em seus processos produtivos.

De acordo com o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) 2011, a educação pode contribuir para que se aproveitem oportunidades econômicas verdes, ajudar na promoção da diversidade humana e cultural. Programas de treinamento e aumento de habilidade são necessários para preparar a força de trabalho para transição à economia verde. Para o Pnuma, a mudança para economia verde implica certo grau de reestruturação econômica, e podem ser necessárias medidas para garantir transição justa para profissionais afetados. Em alguns setores, o apoio será necessário para mudar os profissionais para novos empregos, portanto, o investimento na requalificação profissional assumirá significativa importância.


Como o Grande ABC se prepara para enfrentar este desafio?

Sabe-se que a velocidade da transição para economia verde (ou de baixo carbono) depende da capacidade de interação e cooperação dos vários agentes. Na região, para além do plástico verde, foco da produção da Braskem no polo petroquímico da região, as práticas sob o conceito da economia verde ainda são pontuais, refratárias e protetoras de estratégias concorrenciais, de patentes e segredos industriais.

No médio prazo, como o referido documento do Pnuma chama atenção, a transição da atual economia para a economia verde será condição obrigatória para o Grande ABC, mas que necessitará de marco regulatório bem planejado que gere incentivos para direcionar atividades econômicas verdes, assim como remover barreiras a investimentos verdes e desburocratizar o acesso. Quanto à formação profissional e às qualificações, não é novidade a necessidade de se requalificar a força de trabalho do Grande ABC, tendo em vista a reestruturação produtiva necessária.

Essa ênfase é importante para a mudança na matriz energética que os países desenvolvidos estão realizando, tendo a internacionalização como alvo competitivo. Vale a pena assinalar que, de acordo com relatório da OIT Brasil de 2009, pessoas qualificadas desempenham papel crucial na economia verde por meio da inovação, de novos conhecimentos que elas geram, do modo como adotam e adaptam ideias existentes, e de sua capacidade de aprender novas competências e de se adaptarem a ambiente em mudança.

No mesmo estudo de 2018, a OIT destaca, ainda, a importância de se conhecerem diferentes tipos de qualificação que contribuem para a inovação e melhores formas de construí-las, de modo a desenhar políticas que contribuam para desenvolvimento duradouro de tais qualificações na economia verde.

A discussão inicial que se apresenta tem como proposta, aos agentes e atores protagonistas do Grande ABC, a análise desta dinâmica como condição fundamental para o desenvolvimento socioeconômico almejado pela região.

* Doutoranda professora e integrante do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) 

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