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Coleta de recicláveis tem queda de 7,5% em um ano

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Quatro cidades da região recolheram, em 2018, 696 mil toneladas de resíduos, sendo apenas 3,68% secos


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

11/01/2019 | 07:00


O volume de material reciclável recolhido por quatro das sete cidades do Grande ABC teve queda de 7,5% na comparação entre 2017 e 2018. Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema coletaram, em 2018, 696 mil toneladas de resíduos, dos quais 3,68% (25,6 mil toneladas) eram secos. Em 2017, foram 649,5 mil toneladas de lixo, sendo 4,09% (27,7 mil toneladas) de descartes passíveis de serem reutilizados. Apenas Diadema não conta com coleta seletiva e em todas elas os itens recuperáveis são destinados para triagem em cooperativas.

O professor da Universidade Metodista e consultor na área de saneamento e resíduos sólidos, Carlos Henrique de Oliveira, afirmou que a queda pode ser atribuída às dificuldades financeiras enfrentadas pelas prefeituras para garantir os serviços de limpeza, priorizando varrição e recolhimento de úmidos, em detrimento da coleta seletiva. Outra possibilidade é a própria crise econômica pela qual passa o País. “É notável o aumento dos catadores de recicláveis pelas ruas, que concorrem com as cooperativas e cujo ‘trabalho’ não é computado pelas gestões”, pontuou. O especialista lembrou ainda que apenas 10% dos catadores são cooperados. “Pelo menos 90% da cadeia econômica da reciclagem vive na informalidade.”

A restrição orçamentária também impacta na queda de ações de educação ambiental por parte das administrações públicas, desmobilizando a população pela correta separação do lixo. “O setor privado ainda não assumiu a sua parcela de responsabilidade na recuperação dos resíduos gerados pelo consumo de seus produtos. Não deveria ser responsabilidade das prefeituras gastar recursos de impostos com destinação de resíduos que deveriam ser absorvidos na logística reversa”, finalizou Oliveira.

Para o presidente do Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental), Carlos Bocuhy, características culturais e falta de empenho por meio de políticas públicas são elementos que também explicam o cenário. “Em alguns países da Europa praticamente não existe o resíduo úmido, que é o resto de comida, seja por uma cultura de combate ao desperdício, seja pelo uso disseminado de trituradores em pias domésticas e uso em larga escala de compostagem”, pontuou.

Por outro lado, Bocuhy apontou a falta de acordos setoriais com a indústria para estabelecer que os produtos sejam devolvidos aos fabricantes, como prevê a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Segundo ele, isso faz com que cada vez mais resíduos sejam descartados no meio ambiente. “É preciso que os acordos incluam a sociedade civil, que é quem pressiona pela efetivação das medidas.”

Em Sto.André, 30% do material seco não podem ser reaproveitados

Santo André é a cidade que coleta o maior percentual de materiais recicláveis com relação ao volume total de resíduos – foram 226 mil toneladas recolhidas em 2018, das quais 10,6 mil (4,7%) eram recicláveis. No entanto, ao menos 30% dos itens secos não podem ser reaproveitados pelas cooperativas que fazem a triagem do material.

O conselheiro fiscal da cooperativa Cidade Limpa, José Batista de Lucena, o Dedé, 57 anos, explicou que a separação inadequada dos resíduos compromete o seu reaproveitamento. A contaminação ocorre quando o resíduo seco – plástico, papel, papelão etc – tem contato com lixo orgânico, como lixo de banheiro, ou objetos como seringas. “Não é aquele resto de leite ou de massa de tomate. Isso sai quando a gente lava o material. Mas tem coisas que tornam esse processo inviável”, frisou.

O Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) apontou, em estudo realizado em março de 2018, que 48% dos resíduos descartados como úmidos poderiam ser reciclados, mas acabam sendo enviados ao aterro. Para Dedé, falta a população se empenhar e abraçar a causa da reciclagem. “É bom para o meio ambiente, para as cooperativas, para todo mundo”, pontuou.

A cooperada da Cidade Limpa Vilma Oliveira, 62, relatou que já se deparou com caixas de seringas no material coletado. “Além da contaminação do meio ambiente, existe o perigo de a pessoa que está trabalhando se machucar ou se contaminar”, explicou. O Semasa conta com departamento para coleta de lixo hospitalar. Para descarte de insumos como seringas, o munícipe deve procurar uma UBS.



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Coleta de recicláveis tem queda de 7,5% em um ano

Quatro cidades da região recolheram, em 2018, 696 mil toneladas de resíduos, sendo apenas 3,68% secos

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

11/01/2019 | 07:00


O volume de material reciclável recolhido por quatro das sete cidades do Grande ABC teve queda de 7,5% na comparação entre 2017 e 2018. Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema coletaram, em 2018, 696 mil toneladas de resíduos, dos quais 3,68% (25,6 mil toneladas) eram secos. Em 2017, foram 649,5 mil toneladas de lixo, sendo 4,09% (27,7 mil toneladas) de descartes passíveis de serem reutilizados. Apenas Diadema não conta com coleta seletiva e em todas elas os itens recuperáveis são destinados para triagem em cooperativas.

O professor da Universidade Metodista e consultor na área de saneamento e resíduos sólidos, Carlos Henrique de Oliveira, afirmou que a queda pode ser atribuída às dificuldades financeiras enfrentadas pelas prefeituras para garantir os serviços de limpeza, priorizando varrição e recolhimento de úmidos, em detrimento da coleta seletiva. Outra possibilidade é a própria crise econômica pela qual passa o País. “É notável o aumento dos catadores de recicláveis pelas ruas, que concorrem com as cooperativas e cujo ‘trabalho’ não é computado pelas gestões”, pontuou. O especialista lembrou ainda que apenas 10% dos catadores são cooperados. “Pelo menos 90% da cadeia econômica da reciclagem vive na informalidade.”

A restrição orçamentária também impacta na queda de ações de educação ambiental por parte das administrações públicas, desmobilizando a população pela correta separação do lixo. “O setor privado ainda não assumiu a sua parcela de responsabilidade na recuperação dos resíduos gerados pelo consumo de seus produtos. Não deveria ser responsabilidade das prefeituras gastar recursos de impostos com destinação de resíduos que deveriam ser absorvidos na logística reversa”, finalizou Oliveira.

Para o presidente do Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental), Carlos Bocuhy, características culturais e falta de empenho por meio de políticas públicas são elementos que também explicam o cenário. “Em alguns países da Europa praticamente não existe o resíduo úmido, que é o resto de comida, seja por uma cultura de combate ao desperdício, seja pelo uso disseminado de trituradores em pias domésticas e uso em larga escala de compostagem”, pontuou.

Por outro lado, Bocuhy apontou a falta de acordos setoriais com a indústria para estabelecer que os produtos sejam devolvidos aos fabricantes, como prevê a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Segundo ele, isso faz com que cada vez mais resíduos sejam descartados no meio ambiente. “É preciso que os acordos incluam a sociedade civil, que é quem pressiona pela efetivação das medidas.”

Em Sto.André, 30% do material seco não podem ser reaproveitados

Santo André é a cidade que coleta o maior percentual de materiais recicláveis com relação ao volume total de resíduos – foram 226 mil toneladas recolhidas em 2018, das quais 10,6 mil (4,7%) eram recicláveis. No entanto, ao menos 30% dos itens secos não podem ser reaproveitados pelas cooperativas que fazem a triagem do material.

O conselheiro fiscal da cooperativa Cidade Limpa, José Batista de Lucena, o Dedé, 57 anos, explicou que a separação inadequada dos resíduos compromete o seu reaproveitamento. A contaminação ocorre quando o resíduo seco – plástico, papel, papelão etc – tem contato com lixo orgânico, como lixo de banheiro, ou objetos como seringas. “Não é aquele resto de leite ou de massa de tomate. Isso sai quando a gente lava o material. Mas tem coisas que tornam esse processo inviável”, frisou.

O Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) apontou, em estudo realizado em março de 2018, que 48% dos resíduos descartados como úmidos poderiam ser reciclados, mas acabam sendo enviados ao aterro. Para Dedé, falta a população se empenhar e abraçar a causa da reciclagem. “É bom para o meio ambiente, para as cooperativas, para todo mundo”, pontuou.

A cooperada da Cidade Limpa Vilma Oliveira, 62, relatou que já se deparou com caixas de seringas no material coletado. “Além da contaminação do meio ambiente, existe o perigo de a pessoa que está trabalhando se machucar ou se contaminar”, explicou. O Semasa conta com departamento para coleta de lixo hospitalar. Para descarte de insumos como seringas, o munícipe deve procurar uma UBS.

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