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Ambição ou cooperação?


Do Diário do Grande ABC

04/01/2019 | 08:42


Artigo

Ser ambicioso é natural, é o que todos dizem. No entanto, quando estudamos a história da espécie humana, verificamos que não foi exatamente a ambição que garantiu a nossa sobrevivência no ambiente adverso – e sim o espírito comunitário. Durante os milhares e milhares de anos que antecederam nosso mundo contemporâneo, o trabalho em grupo, a divisão de tarefas por gênero e idade, os esforços pelos projetos comuns, o ensinamento e o aprendizado e, fundamentalmente, as relações de auxílio entre os integrantes da mesma tribo, clã, família, foram as formas de produção mais eficientes e duradouras.

Como nossa história foi marcada por invasões, violência e exploração extrema entre os seres humanos, embotamos facilmente essa máxima da sobrevivência: ‘Entre os integrantes da tribo, ninguém fica para trás’. Em vez de apontar o dedo acusador ao fraco, a história da humanidade ensina que a adaptação a funções diferentes foi a receita de sucesso de muitos grupos. Não serve para agricultor, vira pastor; não é pastor, vai vender coisas na feira; não sabe vender, ajuda a trazer água do poço. E assim por diante. Aos trancos e barrancos, adaptamo-nos às cruezas da vida, graças a esta rede de proteção que compartilhava os avanços na domesticação do mundo.

Quando olhamos o mundo de hoje, com suas megalópoles e sua economia desenfreada, não parece ser possível reconhecer esses fundamentos da sobrevivência humana. No entanto, sabemos que sem pesquisa compartilhada, discussões em grupo, desenvolvimento de ideias em rede, resiliência, comunicação, empatia e solidariedade, poucas das coisas que nos fascinam nos dias de hoje teriam sido inventadas ou aperfeiçoadas. É difícil dizer isso para criança que quer ser a inventora, o herói, a reconhecida; ou mesmo para pais que querem (e ensinam) o filho brilhando sozinho, no alto do pódio, o tempo todo. No entanto, a regra número um da Educação do futuro é: compartilhe ideias e projetos. O mundo e tudo o que há nele só foi feito por um único ‘cara’, porque ele era ‘o Cara’. Mas eu, você, seu filho, ninguém é.

O trabalhador no futuro terá ainda outro desafio: não somente de interagir com pessoas, mas com máquinas inteligentes. As conquistas já no presente e, certamente, no futuro próximo, serão obras de cada vez mais mãos, e nem todas serão humanas. Qualquer solução para o futuro do trabalho implica repensar nossa relação com as pessoas dentro de uma perspectiva que não é a do ‘farinha pouca meu pirão primeiro’, mas a do ‘lugar que almoçam quatro, almoçam seis’. E bota mais água no feijão.

Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica e professor no Curso Positivo.

Palavra do leitor

Boas-Festas
O Diário recebe e retribui votos de Boas-Festas a Rede APJ (Associação Paulista de Jornais); Wilson Marini; Petronotícias; Liderroll – Soluções Permanentes de Engenharia; Apolo Tubulars; BRA Certificadora; Hirsa – A Medida Certa; Village de Papucaia; Viva Cor Tintas; 3 Cariocas; EBCO Sistems; Mundiware – Tecnologia Editorial; Sada Transportes; Daniela Medioli; Marina Medioli; Alberto Medioli; Edson Luiz Pereira; Matran; Iveco Deva; Eber Bioenergia e Agricultura; Sempre Editora; Fundação Medioli; Transzero; Dacunha; Brazul Logística e Transportes; Elta Transportes; AutoSevice Logística; OIIR; Comunicação PontoTel.

Indígenas
A ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, suspendeu contrato de R$ 44,9 milhões assinado com a Universidade Federal Fluminense (a mesma que é responsável pelo Museu Nacional – leia-se Psol ) três dias antes de o governo Michel Temer apagar a luz. Objetivo do contrato: Criar criptomoeda indígena. Nos livramos, em boa hora, do botocudo Coin!
Claudio Juchem
Capital

Aí tem!
Por que será que Fabrício Queiroz, ex-assessor do filho do ‘coiso’, ainda não apareceu para falar?
Romeu Villas Boas
Ribeirão Pires

Armas
Nossa cultura cívica e política comumente esquece-se do passado ou não leva em conta comparações similares. Sobre esse paradigma, a equipe do presidente Bolsonaro pretende, com a ajuda da bancada da bala, flexibilizar a lei de posse de armas, devidamente discutida e decidida pela cidadania brasileira no referendo de 23 de outubro de 2005. Ao contrário do que é discursado na intenção de multiplicar a posse de armas, a consulta popular da época não aprovou a proibição da venda delas, como o governo de então desejava, mas, por meio da Lei 10.826, de dezembro de 2003, disciplinou o porte. Porém, teve o artigo 35, que proibia a venda, revogado pelo próprio plebiscito. Comparar a morte produzida por acidente de carro com a provocada por disparo de arma de fogo, como fez o excelentíssimo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, é afirmativa que não pode receber outro adjetivo que não seja ‘equivocado’.
Ruben J. Moreira
São Caetano

Faxina começou – 1
É evidente que o Brasil tem conserto na administração pública. Não tenho números oficiais dos gastos e do que é gerado o deficit público, mas qualquer pessoa com mínimo de conhecimento contábil sabe que as despesas não podem ser maiores que a receita. É cômodo para uma pessoa irresponsável fazer política usando os recursos públicos de diversas maneiras, uma delas a cabidagem de empregos, tão usada nos últimos 30 anos de governos. Haja vista o atual ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni, exonerar nada menos que 320 funcionários ocupando cargos com altos salários apenas por indicações partidárias. Imagine, então, triagem dessa maneira feita em todos os setores públicos do País! Isso ocorrendo, certamente o Brasil sairá duas vezes do vermelho. Uma delas já saiu; a outra ficará na firmeza de toda a equipe governamental, que prometeu recolocar o Brasil na ‘ordem e progresso’. Para o bem da Nação.
Benone Augusto de Paiva
Capital

Faxina começou – 2
A faxina começou no governo Bolsonaro. É um escândalo que nesses anos todos tantas pessoas tenham se aproveitado das benesses com dinheiro público. Essa maioria, agora demitida, não fica sem emprego. Elas saíram de seus lugares e foram para outros. Com isso, acumularam funções e salários. Sem contar que para cada um que estava nesses cargos havia outro em seus lugares. Essa medida faz com que as pessoas voltem aos seus lugares de origem e exerçam suas funções. Seria muito oportuno que se fiscalizasse todo trabalho dos servidores. Máquina inchada, ineficiente e sem resultados fez com que o Brasil servisse de grande guarda-chuva, motivado por indicações políticas. Que essa faxina não fique restrita somente ao ministro da Casa Civil. Que cada ministro faça a limpeza em seus ministérios e veremos, de uma vez por todas, pessoas nos seus devidos lugares trabalhando e produzindo sem ser preciso deixar apenas o paletó.
Izabel Avallone
Capital 



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Ambição ou cooperação?

Do Diário do Grande ABC

04/01/2019 | 08:42


Artigo

Ser ambicioso é natural, é o que todos dizem. No entanto, quando estudamos a história da espécie humana, verificamos que não foi exatamente a ambição que garantiu a nossa sobrevivência no ambiente adverso – e sim o espírito comunitário. Durante os milhares e milhares de anos que antecederam nosso mundo contemporâneo, o trabalho em grupo, a divisão de tarefas por gênero e idade, os esforços pelos projetos comuns, o ensinamento e o aprendizado e, fundamentalmente, as relações de auxílio entre os integrantes da mesma tribo, clã, família, foram as formas de produção mais eficientes e duradouras.

Como nossa história foi marcada por invasões, violência e exploração extrema entre os seres humanos, embotamos facilmente essa máxima da sobrevivência: ‘Entre os integrantes da tribo, ninguém fica para trás’. Em vez de apontar o dedo acusador ao fraco, a história da humanidade ensina que a adaptação a funções diferentes foi a receita de sucesso de muitos grupos. Não serve para agricultor, vira pastor; não é pastor, vai vender coisas na feira; não sabe vender, ajuda a trazer água do poço. E assim por diante. Aos trancos e barrancos, adaptamo-nos às cruezas da vida, graças a esta rede de proteção que compartilhava os avanços na domesticação do mundo.

Quando olhamos o mundo de hoje, com suas megalópoles e sua economia desenfreada, não parece ser possível reconhecer esses fundamentos da sobrevivência humana. No entanto, sabemos que sem pesquisa compartilhada, discussões em grupo, desenvolvimento de ideias em rede, resiliência, comunicação, empatia e solidariedade, poucas das coisas que nos fascinam nos dias de hoje teriam sido inventadas ou aperfeiçoadas. É difícil dizer isso para criança que quer ser a inventora, o herói, a reconhecida; ou mesmo para pais que querem (e ensinam) o filho brilhando sozinho, no alto do pódio, o tempo todo. No entanto, a regra número um da Educação do futuro é: compartilhe ideias e projetos. O mundo e tudo o que há nele só foi feito por um único ‘cara’, porque ele era ‘o Cara’. Mas eu, você, seu filho, ninguém é.

O trabalhador no futuro terá ainda outro desafio: não somente de interagir com pessoas, mas com máquinas inteligentes. As conquistas já no presente e, certamente, no futuro próximo, serão obras de cada vez mais mãos, e nem todas serão humanas. Qualquer solução para o futuro do trabalho implica repensar nossa relação com as pessoas dentro de uma perspectiva que não é a do ‘farinha pouca meu pirão primeiro’, mas a do ‘lugar que almoçam quatro, almoçam seis’. E bota mais água no feijão.

Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica e professor no Curso Positivo.

Palavra do leitor

Boas-Festas
O Diário recebe e retribui votos de Boas-Festas a Rede APJ (Associação Paulista de Jornais); Wilson Marini; Petronotícias; Liderroll – Soluções Permanentes de Engenharia; Apolo Tubulars; BRA Certificadora; Hirsa – A Medida Certa; Village de Papucaia; Viva Cor Tintas; 3 Cariocas; EBCO Sistems; Mundiware – Tecnologia Editorial; Sada Transportes; Daniela Medioli; Marina Medioli; Alberto Medioli; Edson Luiz Pereira; Matran; Iveco Deva; Eber Bioenergia e Agricultura; Sempre Editora; Fundação Medioli; Transzero; Dacunha; Brazul Logística e Transportes; Elta Transportes; AutoSevice Logística; OIIR; Comunicação PontoTel.

Indígenas
A ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, suspendeu contrato de R$ 44,9 milhões assinado com a Universidade Federal Fluminense (a mesma que é responsável pelo Museu Nacional – leia-se Psol ) três dias antes de o governo Michel Temer apagar a luz. Objetivo do contrato: Criar criptomoeda indígena. Nos livramos, em boa hora, do botocudo Coin!
Claudio Juchem
Capital

Aí tem!
Por que será que Fabrício Queiroz, ex-assessor do filho do ‘coiso’, ainda não apareceu para falar?
Romeu Villas Boas
Ribeirão Pires

Armas
Nossa cultura cívica e política comumente esquece-se do passado ou não leva em conta comparações similares. Sobre esse paradigma, a equipe do presidente Bolsonaro pretende, com a ajuda da bancada da bala, flexibilizar a lei de posse de armas, devidamente discutida e decidida pela cidadania brasileira no referendo de 23 de outubro de 2005. Ao contrário do que é discursado na intenção de multiplicar a posse de armas, a consulta popular da época não aprovou a proibição da venda delas, como o governo de então desejava, mas, por meio da Lei 10.826, de dezembro de 2003, disciplinou o porte. Porém, teve o artigo 35, que proibia a venda, revogado pelo próprio plebiscito. Comparar a morte produzida por acidente de carro com a provocada por disparo de arma de fogo, como fez o excelentíssimo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, é afirmativa que não pode receber outro adjetivo que não seja ‘equivocado’.
Ruben J. Moreira
São Caetano

Faxina começou – 1
É evidente que o Brasil tem conserto na administração pública. Não tenho números oficiais dos gastos e do que é gerado o deficit público, mas qualquer pessoa com mínimo de conhecimento contábil sabe que as despesas não podem ser maiores que a receita. É cômodo para uma pessoa irresponsável fazer política usando os recursos públicos de diversas maneiras, uma delas a cabidagem de empregos, tão usada nos últimos 30 anos de governos. Haja vista o atual ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni, exonerar nada menos que 320 funcionários ocupando cargos com altos salários apenas por indicações partidárias. Imagine, então, triagem dessa maneira feita em todos os setores públicos do País! Isso ocorrendo, certamente o Brasil sairá duas vezes do vermelho. Uma delas já saiu; a outra ficará na firmeza de toda a equipe governamental, que prometeu recolocar o Brasil na ‘ordem e progresso’. Para o bem da Nação.
Benone Augusto de Paiva
Capital

Faxina começou – 2
A faxina começou no governo Bolsonaro. É um escândalo que nesses anos todos tantas pessoas tenham se aproveitado das benesses com dinheiro público. Essa maioria, agora demitida, não fica sem emprego. Elas saíram de seus lugares e foram para outros. Com isso, acumularam funções e salários. Sem contar que para cada um que estava nesses cargos havia outro em seus lugares. Essa medida faz com que as pessoas voltem aos seus lugares de origem e exerçam suas funções. Seria muito oportuno que se fiscalizasse todo trabalho dos servidores. Máquina inchada, ineficiente e sem resultados fez com que o Brasil servisse de grande guarda-chuva, motivado por indicações políticas. Que essa faxina não fique restrita somente ao ministro da Casa Civil. Que cada ministro faça a limpeza em seus ministérios e veremos, de uma vez por todas, pessoas nos seus devidos lugares trabalhando e produzindo sem ser preciso deixar apenas o paletó.
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