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Crise e mudanças de comportamento faz região perder 295 comércios de livros em cinco anos


Caroline Manchini
Especial para o Diário

09/12/2018 | 07:00


Nos últimos cinco anos, no Grande ABC, 295 instituições do segmento de comércio varejista de livros fecharam as portas. Apesar do número assustador, a região conta ainda, segundo o Sindicato do Comércio Varejista, com 655 empresas exercendo a atividade econômica de comércio de livros. Recentemente o País observa duas de suas maiores livrarias do País enfrentarem grandes problemas. No fim de outubro a Cultura pediu recuperação judicial (medida que, por intermédio da Justiça, tenta evitar a falência de uma empresa) e, poucos dias depois, a Saraiva anunciou o fechamento de 20 lojas. 

Apesar do cenário de desvantagem, o mercado nacional de livros apontou crescimento nos últimos meses. A pesquisa Painel das Vendas de Livros no Brasil, realizada pelo SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) em parceria com a Nielsen Bookscan Brasil, mostra que entre os dias 13 de agosto e 9 de setembro o faturamento com a venda de livros aumentou 5,37% na comparação com o mesmo período de 2017. O valor saltou de R$ 130.533.413,34 para R$ 137.542.821,45. Foram vendidos 3.421.616 exemplares em 2018, enquanto no ano anterior foram comercializados 3.546.497, o que representa alta de 3,65%.

Diante dos números positivos, como explicar o fechamento de tantas lojas? O professor e escritor Sérgio Simka acredita que a falta de interesse dos brasileiros pela leitura é um dos fatores principais. “A Cultura é tida pela maioria como algo inútil”, diz. Tanto é que a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2016, aponta que 44% da população não lê e 30% nunca compraram um livro. “Com o dinheiro minguando o povo prefere cortar gastos, e adivinhe o que não figurará na cesta básica? O livro”, observa.

Já para Felipe Pacobello, gerente dos sebos Pacobello, o crítico cenário se dá por conta do avanço da tecnologia, que permite a compra e leitura de livros on-line. “O fechamento dessas lojas, creio eu, trata-se de estratégia, visando reduzir o custo altíssimo de aluguéis e ampliar sua operação on-line”, comenta. Percebendo o cenário de mudança no hábito de consumo dos brasileiros, Pacobello investiu na venda de livros pela internet e, hoje, atende clientes em todo o Brasil e Exterior. “Por enquanto não fomos afetados por essa crise e não acho que isso aconteça”, acrescenta.

O proprietário da livraria andreense Alexandria Sebos, Alexandre Ribeiro, que também adotou a estratégia, acredita que o crescimento das vendas pela internet, bem como a leitura on-line, faz com que as pessoas percam o interesse pelas compras em lojas físicas. “Dessa forma perde-se o maravilhamento de encontrar algo, da liberdade de fuçar”, diz.

E é exatamente esse encantamento que chama a atenção do jornalista Thiago de Paula, 23 anos, que, mesmo com acesso às versões digitais das obras, prefere consumir livros físicos. “Eu gosto de tê-lo, sentir o papel na minha mão. É mais gostoso ler assim”, reflete. Ele diz ainda que, com o exemplar em mãos, é possível conseguir autógrafos de autores que admira. “Na versão digital isso não é possível”, inclui o mauaense, que costuma comprar livros de terror, suspense e fantasia nos sebos de Mauá e São Caetano.

A relação afetiva pelas obras físicas é explicação plausível daqueles que ainda não migraram, nem pretendem migrar para a leitura digital. “Sou dependente do livro físico, gosto de virar as páginas, sentir o cheiro. Não consigo ler em tablet, celular ou computador”, conta a diretora de teatro Andréa Weber.

São por esses e outros motivos que o mercado de livro digital no Brasil se mostra tímido e com pouco crescimento. Segundo o Censo do Livro Digital, divulgado no ano passado pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) e pelo SNEL, ele representa 1,9% do faturamento total das editorias. Do total de 794 analisadas, apenas 294 disponibilizam e comercializam versões digitais das obras.



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Preciosa arte da leitura

Crise e mudanças de comportamento faz região perder 295 comércios de livros em cinco anos

Caroline Manchini
Especial para o Diário

09/12/2018 | 07:00


Nos últimos cinco anos, no Grande ABC, 295 instituições do segmento de comércio varejista de livros fecharam as portas. Apesar do número assustador, a região conta ainda, segundo o Sindicato do Comércio Varejista, com 655 empresas exercendo a atividade econômica de comércio de livros. Recentemente o País observa duas de suas maiores livrarias do País enfrentarem grandes problemas. No fim de outubro a Cultura pediu recuperação judicial (medida que, por intermédio da Justiça, tenta evitar a falência de uma empresa) e, poucos dias depois, a Saraiva anunciou o fechamento de 20 lojas. 

Apesar do cenário de desvantagem, o mercado nacional de livros apontou crescimento nos últimos meses. A pesquisa Painel das Vendas de Livros no Brasil, realizada pelo SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) em parceria com a Nielsen Bookscan Brasil, mostra que entre os dias 13 de agosto e 9 de setembro o faturamento com a venda de livros aumentou 5,37% na comparação com o mesmo período de 2017. O valor saltou de R$ 130.533.413,34 para R$ 137.542.821,45. Foram vendidos 3.421.616 exemplares em 2018, enquanto no ano anterior foram comercializados 3.546.497, o que representa alta de 3,65%.

Diante dos números positivos, como explicar o fechamento de tantas lojas? O professor e escritor Sérgio Simka acredita que a falta de interesse dos brasileiros pela leitura é um dos fatores principais. “A Cultura é tida pela maioria como algo inútil”, diz. Tanto é que a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2016, aponta que 44% da população não lê e 30% nunca compraram um livro. “Com o dinheiro minguando o povo prefere cortar gastos, e adivinhe o que não figurará na cesta básica? O livro”, observa.

Já para Felipe Pacobello, gerente dos sebos Pacobello, o crítico cenário se dá por conta do avanço da tecnologia, que permite a compra e leitura de livros on-line. “O fechamento dessas lojas, creio eu, trata-se de estratégia, visando reduzir o custo altíssimo de aluguéis e ampliar sua operação on-line”, comenta. Percebendo o cenário de mudança no hábito de consumo dos brasileiros, Pacobello investiu na venda de livros pela internet e, hoje, atende clientes em todo o Brasil e Exterior. “Por enquanto não fomos afetados por essa crise e não acho que isso aconteça”, acrescenta.

O proprietário da livraria andreense Alexandria Sebos, Alexandre Ribeiro, que também adotou a estratégia, acredita que o crescimento das vendas pela internet, bem como a leitura on-line, faz com que as pessoas percam o interesse pelas compras em lojas físicas. “Dessa forma perde-se o maravilhamento de encontrar algo, da liberdade de fuçar”, diz.

E é exatamente esse encantamento que chama a atenção do jornalista Thiago de Paula, 23 anos, que, mesmo com acesso às versões digitais das obras, prefere consumir livros físicos. “Eu gosto de tê-lo, sentir o papel na minha mão. É mais gostoso ler assim”, reflete. Ele diz ainda que, com o exemplar em mãos, é possível conseguir autógrafos de autores que admira. “Na versão digital isso não é possível”, inclui o mauaense, que costuma comprar livros de terror, suspense e fantasia nos sebos de Mauá e São Caetano.

A relação afetiva pelas obras físicas é explicação plausível daqueles que ainda não migraram, nem pretendem migrar para a leitura digital. “Sou dependente do livro físico, gosto de virar as páginas, sentir o cheiro. Não consigo ler em tablet, celular ou computador”, conta a diretora de teatro Andréa Weber.

São por esses e outros motivos que o mercado de livro digital no Brasil se mostra tímido e com pouco crescimento. Segundo o Censo do Livro Digital, divulgado no ano passado pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) e pelo SNEL, ele representa 1,9% do faturamento total das editorias. Do total de 794 analisadas, apenas 294 disponibilizam e comercializam versões digitais das obras.

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