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Lançamentos para a CCXP

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Artistas da região revelam histórias em quadrinhos no maior evento de cultura pop do mundo


Luís Felipe Soares

04/12/2018 | 07:00


São Paulo está prestes a se transformar no foco da cultura pop mundial. A cidade recebe entre quinta-feira e domingo a Comic Con Experience, que celebra o entretenimento em diferentes mídias, incluindo as histórias em quadrinhos. O evento, considerado o maior do mundo do gênero, abre espaço para receber artistas de diferentes partes do planeta, do Brasil e do Grande ABC. Talentos locais aproveitam a programação para revelar projetos, bater papo com quem já acompanha seus trabalhos e, talvez, surpreender os visitantes que buscam novidades.

O chamado Artists’ Alley (Beco dos Artistas, em português) é uma das grandes atrações. São centenas de mesas espalhadas em local central do São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5), no qual o público pode ver o que lhe interessa, comprar publicações e garantir autógrafos. No ano passado, a área recebeu 489 quadrinistas. O recorde será batido nesta temporada, com 540 nomes inscritos – cada mesa custa R$ 900 e pode ser dividida entre dois artistas. São esperados cerca de 250 mil visitantes ao longo das datas.

“Lançar algo na CCXP é uma vitrine. Hoje, os lançamentos nacionais, principalmente os independentes, que são a grande maioria, são feitos para eventos. A pessoa que participa vai atrás dos filmes, das séries que gosta e, também, das novidades de quadrinhos. Depois de quatro anos, podemos dizer que existe um público que vai lá para comprar quadrinho nacional e ver o que está sendo publicado. É algo bem estratégico mesmo”, analisa o mauaense Alex Mir, 43, vencedor do Troféu HQMIX 2018 por publicação independente de grupo por Orixás – Em Guerra (2017).

O roteirista volta a movimentar o mercado com a sequência de sua saga sobre mitologia africana com Orixás – Renascimento. São duas adaptações de lendas dessa cultura, Iroco (arte de Laudo Ferreira e cores de Omar Viñole) e O Voo do Pavão (com desenhos e coloração de Germana Viana).

Mir amplia os horizontes ao participar de projeto familiar especial. Trata-se de Inventices, HQ infantil na qual divide o roteiro com a mulher, Eliane Bonadio, 42, para desenvolver a ideia dada pela enteada Nicolly Bonadio, 12 anos (veja mais ao lado). Nas páginas, a pequena Duda vive grudada com o urso de pelúcia Uxo e é muito imaginativa. “A criança se vê representada por meio da imaginação, dos sentimentos e da maneira criativa de ver a vida. Já os adultos se espelham, porque já passaram pelas mesmas coisas”, explica Eliane, ansiosa por apresentar a obra. “Talvez eu chore ao ver alguém se interessar por um trabalho tão amado. Será uma alegria falar com o público sobre este projeto. Dar abraço e socializar com possíveis leitores, agora como roteirista, será uma experiência épica!”

A edição deste ano da CCXP promete marcar também a carreira de Larissa Palmieri, de São Caetano. Aos 30 anos, a publicitária tem apostado em seu potencial para escrever roteiros e já separa edições de Gynoide, com ilustrações de Hugo Nanni, seu primeiro trabalho totalmente autoral, que explora universo de ficção científica sobre disputa de poderes dentro de um conglomerado de tecnologia japonês entre o presidente e misteriosa herdeira. “Eu fui apenas uma vez (no evento), como público, em 2016. É uma honra e grande responsabilidade ter essa oportunidade. Desde que comecei a fazer quadrinhos sonhava em ter mesa no evento”, diz.

Ela também colaborou com lançamentos em contos presentes na coletânea Delirium Tremens de Edgar Allan Poe e em edições das revistas Sinistra e Zé Murai, que estarão à venda em sua mesa. Fã das “infinitas possibilidades” dentro do mundo dos quadrinhos, Larissa confessa se sentir mais à vontade contando histórias em imagens e que sempre fica de olho em possíveis inspirações. “No meu tempo livre, isso inclui o tempo que passo no ônibus e no Metrô para ir e voltar do trabalho, sempre estou lendo, anotando ideias ou até mesmo escrevendo. À noite e no fim de semana também dedico boa parte do tempo para a escrita.”

O poder transmorfo da vilã Mística, dos X-Men, serviu de inspiração para que Gabriel Arrais, 36, de Santo André, criasse o protagonista de Necromorfus, cujo quarto volume da HQ acaba de chegar da gráfica. “Escrever Necromorfus exige muita pesquisa, ainda mais em se tratando de personagem que pode se transformar em qualquer pessoa que morreu. Cada edição leva, em média, três meses para ficar pronta. Enquanto o ilustrador Abel, que mora no Espírito Santo, finaliza as artes, diagramo as páginas com rascunho a lápis”, explica. Ele também garantiu reimpressões das edições 1 e 2 e planeja encadernado com as quatro primeiras histórias.

A existência de eventos temáticos parece empolgar o público a investir em seus próprios trabalhos. Segundo Arrais, “o público é muito agitado e bem-humorado. Sei como é empolgante estar do outro lado da mesa e sei que muitos leitores que passam no meu espaço, em breve, estarão comigo no Artists’ Alley”.


HQ infantil ‘Inventices’ é resultado de trabalho familiar

O casal Alex Mir e Eliane Bonadio terá na CCXP 2018 evento familiar e profissional. As ideias por trás de Inventices agitaram a todos. “Cada um de nós sugeriu uma temática para escrevermos juntos, porém, nada se encaixava na proposta de, além de ser algo para entretenimento, que fosse do imaginário infantil. Até que a Nicolly disse: ‘E se escrevêssemos sobre uma menininha de 3 anos que brinca com tudo o que tem em seu quarto e fora dele?’. Nos apaixonamos pela ideia”, diz Eliane, cuja vontade de fazer HQs começou ao revisar trabalhos do marido.

A história se desenrola na medida em que a menina Duda tem duas perspectivas diante de si: a em preto e branco (sobre a realidade) e a colorida (quando interage com tudo o que desejar, de um tapete a pingos de chuva). Os desenhos são assinados pelo carioca Ricardo J. Souza.

Segundo a matriarca, a experiência no processo de desenvolvimento do álbum será inesquecível. “Inventices trouxe o que há de melhor, que é a união, a cumplicidade, o diálogo, a flexibilidade para aceitar a ideia do outro”, comenta.

Todo o trabalho foi finalizado com a ajuda de Laís Sanchez, 19, filha mais velha de Alex e responsável pela revisão do projeto. 



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