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Vendas no comércio de bairro caíram 50% na região

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Crise iniciada em 2014 e concorrência com grandes redes são responsáveis pelo tombo


Flávia Kurotori
Especial para o Diário

02/12/2018 | 07:00


 Comodidade. Essa é a primeira palavra dita quando se fala em comércio de bairro. Ainda, o relacionamento entre comerciante e cliente, o chamado ‘olho no olho’, também é valorizado. Entretanto, esse setor no Grande ABC tem sofrido com os efeitos da crise econômica, iniciada em 2014, e com a concorrência promovida pela expansão das grandes redes varejistas – o que fez com que as vendas diminuíssem até 50% em quatro anos.

Para se ter ideia, em 2017, as sete cidades registraram o pior nível de emprego em dez anos, com 728,95 mil trabalhadores formais, conforme dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). O pico, vale lembrar, foi em 2013 – um ano antes da crise atingir o País –, quando a região tinha 833,37 mil celetistas.

“O movimento começou a cair com a crise, mas neste ano, depois que passou a Copa, piorou”, contou Glaucia Masiero, gerente do Mercado Abelhas, há 15 anos no Parque João Ramalho, em Santo André, onde as vendas caíram 50% desde o início da recessão. “Nossa expectativa é que agora, com o pagamento do abono (13º salário), as coisas melhorem.”

“Retrocedemos quase dez anos na economia e os dados divulgados (em relação à recuperação econômica) não correspondem à nossa realidade”, assegurou Izabel Gonçalves, proprietária da Bellu Modas, há 26 anos na Vila Curuçá, em Santo André. Por conta do vínculo criado com os clientes, o movimento não reduziu durante a crise. Contudo, a dona afirmou que o tíquete médio diminuiu, sem estimar percentuais.

O mesmo cenário foi observado por Claudio da Silva Martins, gerente da padaria Nova Show Pão, no bairro Assunção, em São Bernardo. “Os clientes são fiéis, temos alguns que vem de São Caetano para cá. Porém, o valor gasto caiu muito”, relatou.

Segundo Glaucia, o custo fixo do comércio aumentou significativamente na última década. “Só a conta de energia elétrica subiu de R$ 1.500 para R$ 4.000 (alta de 166%)”, exemplificou. “O aluguel também está nas alturas. Tem salão aqui na avenida (Itamarati) que está há três anos sem alugar. Outros estabelecimentos abrem, mas depois de um ano, quando o contrato acaba, fecham”, completou.

Outro problema enfrentado pelo Mercado Abelhas é a concorrência com os atacarejos. “Há seis anos, não tinham tantos mercados que se denominam atacados, mas vendem à pessoas sem CNPJ”, observou a gerente. “Eles acabam nos atrapalhando porque deveriam vender os produtos em grande quantidade, é uma concorrência desleal”, completou a comerciante.

“Nos últimos 20 anos, houve mudanças nos hábitos de consumo”, assinalou Jefferson José da Conceição, coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano). “O primeiro deles, e que ainda está em pleno andamento, é o crescimento do número de unidades de hipermercados, atacarejos e lojas de departamento”, aponta.

Já na loja Crediaurora, que comercializa roupas e calçados há 40 anos no bairro Osvaldo Cruz, em São Caetano, as vendas tiveram decréscimo de 50% em relação à época da inauguração. “Diversos fatores interferiram, como a concorrência dos shoppings e a crise”, disse Eliete Silva, sub-gerente do estabelecimento.

Pedro Cia Junior, presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André), salientou que os ramos que mais sofreram na crise foram o de vestuário e o de calçados. “Principalmente por causa da sazonalidade, porque se o comerciante errar nos produtos vendidos em todas estações, o ano será perdido. Os demais segmentos, como açougues e mercados, não sofrem tanto com a sazonalidade, pois estão presentes no dia a dia.”

“Com a crise, todos procuraram se reinventar, fazer promoções, manter o consumidor tradicional e conquistar novos”, pontuou Valter Moura, presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo).

Lojas devem inovar para garantir clientela
Na avaliação de Jefferson José da Conceição, coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), uma das principais mudanças nos hábitos de consumo é o crescimento do e-commerce. “O mercado local precisa inovar e entender que há caminhos viáveis para isso”, explicou.

“Atualmente, não basta aceitar pagamento no cartão de crédito e débito. É preciso ir além e se atualizar, seja por meio do contatado com o consumidor pelas redes sociais ou por vendas pela internet”, pontuou Conceição. O economista mencionou os feirantes que, para se adequar ao perfil do cliente que não tem mais tempo de ir às compras no decorrer do dia, começaram a realizar feiras noturnas e em condomínios.

Na Bellu Modas, na Vila Curuçá, em Santo André, por exemplo, a proprietária Izabel Gonçalves afirmou que utiliza o Whatsapp e o Facebook para comunicar os clientes sobre os novos produtos ou itens encomendados que chegaram ao estabelecimento.

O especialista assinalou que, atualmente, startups oferecem serviços que podem inovar o atendimento nos comércios de bairro, tal como aplicativo cujo comerciante vende seus produtos e a plataforma se responsabiliza pela entrega.

Para Pedro Cia Junior, presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André), “é importante colocar produtos na loja virtual, onde tem todo tipo de comércio, consegue colocar qualquer produto, além do fato que o comprador mais novo não sai de casa sem pesquisar na internet”.

Cia Junior sugere que os comerciantes utilizem o e-commerce de modo que os compradores consigam retirar os produtos na loja física.

Relação entre comerciante e cliente é uma característica
“No comércio de bairro, temos o calor humano, o ‘olho no olho’, que desenvolve uma relação de muita confiabilidade”, relatou Maria Ivone de Campos, farmacêutica da Drogaria Central, há 35 anos no bairro Nova Gerty, em São Caetano. “Nesse tempo que estamos aqui, nosso movimento só aumentou”, disse, sem estimar números.

“As vantagens do comércio de rua são o atendimento personalizado e a relação de confiança com o comerciante”, assegurou Pedro Cia Junior, presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André).

Segundo Maria Ivone, a vantagem de estar próxima aos clientes é a amizade que se desenvolve. Inclusive, Maria Ivone mantém caderneta, sendo que 5% de suas vendas são fiado. “Não é fiado, é uma ajuda para quem está aqui todos os dias.”

Para Jefferson José da Conceição, coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), esse ‘crédito informal’ é um dos atrativos para esses estabelecimentos.

“Uma coisa importante é que as pessoas, com o tempo, começaram a notar que comprar no comércio próximo de casa ajuda no desenvolvimento do bairro”, observou Izabel Gonçalves, proprietária da Bellu Modas, na Vila Curuçá, em Santo André. “Quando abrimos aqui (há 26 anos), não tinha nenhum banco próximo e hoje, temos vários.”

Maria Ivone afirmou, ainda, que para suas compras pessoas, opta sempre pelos estabelecimentos do seu bairro. “Há o calor humano que não encontramos em lojas de grandes redes”, contou.



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