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Crescimento do PIB: lento e fundamental


Sandro Renato Maskio
coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista

01/12/2018 | 07:27


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou na última sexta feira, 30 de novembro, o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) do País no terceiro trimestre do ano. Comparativamente ao segundo trimestre, houve leve crescimento, de 0,8%. Ao ser comparado com igual período do ano passado, a alta foi de 1,26%.

Os resultados trimestrais do PIB, considerando a série dessazonalizada, têm apresentado lento crescimento deste o primeiro trimestre de 2017, após sequência de trimestres em retração desde meados de 2014. Apesar de termos nos afastado tecnicamente do ciclo de recessão da economia, o ritmo de retomada do crescimento tem se mostrado moroso, abaixo das expectativas, que projetavam expansão de aproximadamente 2,7% para 2018 no início do ano. Nos últimos quatro meses encerrados em setembro o crescimento acumulado é de 1,4%, ou seja, a metade.

Frente a este contexto, a primeira observação é de que ainda estamos distantes da geração de riqueza que realizamos em meados de 2014. O ciclo recessivo trouxe redução de mais de 8,3% na produção de riqueza (PIB) na economia. Em 2017 houve recuperação de 1,06% e nos três primeiros trimestres deste ano a retomada foi de 1,13%, acumulando alta de 2,2% em sete trimestres. O que demonstra que, nesse ritmo, a economia brasileira precisará de mais 14 trimestres aproximadamente para retomar o nível de geração de riqueza de meados de 2014. Ou seja, estimular o crescimento econômico tem que ser meta prioritária do novo governo.

O efeito prático da queda de geração efetiva de riqueza na economia é a redução da renda média das famílias ao longo de todo este período. Aqui cabe observar que nem todas as famílias apresentaram necessariamente perda de renda, o que significa que algum outro grupo da sociedade sofreu com maior intensidade os efeitos desta retração. Esse grupo é representado especialmente por aqueles que sofreram e sofrem com o efeito do desemprego, aqueles que foram empurrados para o mercado informal de trabalho ou mesmo para uma atividade empreendedora de forma forçada, por terem perdido seus postos no mercado formal de trabalho. O lento ritmo de retomada econômica pode ser observado pela também lenda redução da taxa de desemprego, que tem ocorrido em especial pelas ocupações informais e por conta própria daqueles que migraram para uma atividade empreendedora.

Um dado positivo, contudo, é a melhora no volume de investimentos, que apresentou ampliação de 7,8%. Comportamento contrário à desaceleração do ritmo de crescimento das exportações, bem como dos gastos públicos, que tendem a impactar de forma negativa a dinâmica econômica no curto prazo.

Uma das principais lições da trajetória do PIB nos últimos anos é sobre a importância do crescimento da atividade produtiva para melhoria das condições de vida da sociedade. Embora o crescimento por si só não seja suficiente para garantir prosperidade e desenvolvimento da sociedade, sem este as ações voltadas à melhoria da qualidade de vida sofrem com a falta de recursos, seja para movimentar o mercado de trabalho, seja para executar políticas públicas essenciais.
 



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Crescimento do PIB: lento e fundamental

Sandro Renato Maskio
coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista

01/12/2018 | 07:27


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou na última sexta feira, 30 de novembro, o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) do País no terceiro trimestre do ano. Comparativamente ao segundo trimestre, houve leve crescimento, de 0,8%. Ao ser comparado com igual período do ano passado, a alta foi de 1,26%.

Os resultados trimestrais do PIB, considerando a série dessazonalizada, têm apresentado lento crescimento deste o primeiro trimestre de 2017, após sequência de trimestres em retração desde meados de 2014. Apesar de termos nos afastado tecnicamente do ciclo de recessão da economia, o ritmo de retomada do crescimento tem se mostrado moroso, abaixo das expectativas, que projetavam expansão de aproximadamente 2,7% para 2018 no início do ano. Nos últimos quatro meses encerrados em setembro o crescimento acumulado é de 1,4%, ou seja, a metade.

Frente a este contexto, a primeira observação é de que ainda estamos distantes da geração de riqueza que realizamos em meados de 2014. O ciclo recessivo trouxe redução de mais de 8,3% na produção de riqueza (PIB) na economia. Em 2017 houve recuperação de 1,06% e nos três primeiros trimestres deste ano a retomada foi de 1,13%, acumulando alta de 2,2% em sete trimestres. O que demonstra que, nesse ritmo, a economia brasileira precisará de mais 14 trimestres aproximadamente para retomar o nível de geração de riqueza de meados de 2014. Ou seja, estimular o crescimento econômico tem que ser meta prioritária do novo governo.

O efeito prático da queda de geração efetiva de riqueza na economia é a redução da renda média das famílias ao longo de todo este período. Aqui cabe observar que nem todas as famílias apresentaram necessariamente perda de renda, o que significa que algum outro grupo da sociedade sofreu com maior intensidade os efeitos desta retração. Esse grupo é representado especialmente por aqueles que sofreram e sofrem com o efeito do desemprego, aqueles que foram empurrados para o mercado informal de trabalho ou mesmo para uma atividade empreendedora de forma forçada, por terem perdido seus postos no mercado formal de trabalho. O lento ritmo de retomada econômica pode ser observado pela também lenda redução da taxa de desemprego, que tem ocorrido em especial pelas ocupações informais e por conta própria daqueles que migraram para uma atividade empreendedora.

Um dado positivo, contudo, é a melhora no volume de investimentos, que apresentou ampliação de 7,8%. Comportamento contrário à desaceleração do ritmo de crescimento das exportações, bem como dos gastos públicos, que tendem a impactar de forma negativa a dinâmica econômica no curto prazo.

Uma das principais lições da trajetória do PIB nos últimos anos é sobre a importância do crescimento da atividade produtiva para melhoria das condições de vida da sociedade. Embora o crescimento por si só não seja suficiente para garantir prosperidade e desenvolvimento da sociedade, sem este as ações voltadas à melhoria da qualidade de vida sofrem com a falta de recursos, seja para movimentar o mercado de trabalho, seja para executar políticas públicas essenciais.
 

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