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‘Anjos da guarda’ fazem alerta e evitam estragos da chuva

Denis Maciel Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Agentes que vivem em áreas de risco, treinados pela Defesa Civil, são responsáveis por minimizar problemas de enchentes nas comunidades


Bia Moço

27/11/2018 | 07:00


Ação dos Nupdecs (Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil), conhecidos como os ‘anjos da guarda’ das comunidades, contribui para que estragos ocasionados por tempestades sejam menores. Esse é o caso do Jardim Irene, em Santo André, onde os transtornos causados pela chuva da última sexta-feira – que deixou três vítimas fatais em São Bernardo – poderiam ser piores não fosse o trabalho de Reinaldo Mendonça, 64 anos. Agente comunitário há sete anos, ele é o responsável por alertar os vizinhos sobre os riscos em dias de chuva forte.

“Fico sabendo da chuva antes. Isso porque o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) envia um SMS avisando que há previsão de tempestade, o volume de chuva e o local mais afetado. Quando vejo que o caos deve ser grande, já saio avisando a comunidade horas antes”, explica. De casa em casa, ele pede para que as famílias reforcem tapumes, levantem móveis e pertences.

Morador do núcleo habitacional há 23 anos, Mendonça sabe da importância da sua ação. “Faço reuniões pelo bairro e treino o pessoal para saber o que fazer em casos de perigo. Se todas as comunidades se unirem e os Nupdecs trabalharem direito, 90% do problema pode ser evitado”, acredita ele, que lembra das dificuldades já vivenciadas pela comunidade devido a deslizamentos. “Em 2016, juntei a população da parte de cima do morro e conscientizei que, se não tivéssemos cuidado, além de os barracos despencaram, as casas de baixo seriam aterradas”, relembra.

A dona de casa Maria Aparecida de Sá, 52, é a primeira a receber o alerta em dias de temporal. “Tenho oito filhos e não posso perder minha casa. A cada vez que o seu Mendonça vem em casa avisar, temos tempo de nos preparar para o pior”, destaca a moradora.

O ponto de encontro dos moradores em casos de problemas devido à chuva é o Cesa (Centro Educacional de Santo André) do bairro. O espaço, conforme Mendonça, colabora para que a população que vive sob risco fique, na medida do possível, tranquila por ter onde se abrigar.

Na sexta-feira, Santo André foi a cidade mais castigada pela chuva na região – contabilizou 94 milímetros de água, volume superior ao previsto para o mês de novembro, 140. A cidade conta com sete Nupdecs.

REGIÃO

São Bernardo possui 60 voluntários da Defesa Civil espalhados por 44 áreas de risco para o trabalho de alerta.

Ribeirão Pires também conta com representantes da sociedade civil responsáveis por alertar comunidade sempre que houver qualquer evidência de deslizamentos, quedas de árvores, alagamentos ou inundações.

Especialista cobra obra de microdrenagem

Mestre e doutor em Estruturas Ambientais Urbanas pela USP (Universidade de São Paulo) e professor da UFABC (Universidade Federal do ABC), Gilson Lameira destaca a importância do trabalho dos Nupdecs (Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil) para minimizar os estrados das tempestades de verão, no entanto, o especialista alerta para a necessidade de as administrações municipais investirem na microdrenagem urbana (sistema de escoamento da água da chuva).

“A macrodrenagem funciona bem e é administrada pelo Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica). A questão está na microdrenagem, que é feita pelos municípios. Faltam projeto e financiamento, que seriam a partir de taxa de drenagem, o que a população não aceitaria pagar. Tivemos nessa última tempestade três mortes por afogamento. É mais comum ter óbito decorrente de desabamento, por afogamento não dá para aceitar”, considera Lameira.

O especialista defende investimento no que considera “projetos eficientes”, como é o caso da transformação da plataforma dos reservatórios em áreas verdes, tendo em vista o crescimento urbano e ações como impermeabilização do solo e supressão da vegetação. “Os piscinões funcionam, mas não vão resolver o problema, somente amenizam as enchentes por tempo determinado, pois uma hora transbordam.”

Já quando o assunto é o deslizamento de terra em áreas de encosta, Lameira aponta a necessidade de se criar áreas para realocar as famílias que ainda residem em locais de risco. “O desabamento de morro é causado por chuvas decorrentes. As áreas de risco já são mapeadas, e isso o Grande ABC fez razoavelmente bem. No entanto, a questão está em não ter alternativas para realocar a população”, pontua. 



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‘Anjos da guarda’ fazem alerta e evitam estragos da chuva

Agentes que vivem em áreas de risco, treinados pela Defesa Civil, são responsáveis por minimizar problemas de enchentes nas comunidades

Bia Moço

27/11/2018 | 07:00


Ação dos Nupdecs (Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil), conhecidos como os ‘anjos da guarda’ das comunidades, contribui para que estragos ocasionados por tempestades sejam menores. Esse é o caso do Jardim Irene, em Santo André, onde os transtornos causados pela chuva da última sexta-feira – que deixou três vítimas fatais em São Bernardo – poderiam ser piores não fosse o trabalho de Reinaldo Mendonça, 64 anos. Agente comunitário há sete anos, ele é o responsável por alertar os vizinhos sobre os riscos em dias de chuva forte.

“Fico sabendo da chuva antes. Isso porque o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) envia um SMS avisando que há previsão de tempestade, o volume de chuva e o local mais afetado. Quando vejo que o caos deve ser grande, já saio avisando a comunidade horas antes”, explica. De casa em casa, ele pede para que as famílias reforcem tapumes, levantem móveis e pertences.

Morador do núcleo habitacional há 23 anos, Mendonça sabe da importância da sua ação. “Faço reuniões pelo bairro e treino o pessoal para saber o que fazer em casos de perigo. Se todas as comunidades se unirem e os Nupdecs trabalharem direito, 90% do problema pode ser evitado”, acredita ele, que lembra das dificuldades já vivenciadas pela comunidade devido a deslizamentos. “Em 2016, juntei a população da parte de cima do morro e conscientizei que, se não tivéssemos cuidado, além de os barracos despencaram, as casas de baixo seriam aterradas”, relembra.

A dona de casa Maria Aparecida de Sá, 52, é a primeira a receber o alerta em dias de temporal. “Tenho oito filhos e não posso perder minha casa. A cada vez que o seu Mendonça vem em casa avisar, temos tempo de nos preparar para o pior”, destaca a moradora.

O ponto de encontro dos moradores em casos de problemas devido à chuva é o Cesa (Centro Educacional de Santo André) do bairro. O espaço, conforme Mendonça, colabora para que a população que vive sob risco fique, na medida do possível, tranquila por ter onde se abrigar.

Na sexta-feira, Santo André foi a cidade mais castigada pela chuva na região – contabilizou 94 milímetros de água, volume superior ao previsto para o mês de novembro, 140. A cidade conta com sete Nupdecs.

REGIÃO

São Bernardo possui 60 voluntários da Defesa Civil espalhados por 44 áreas de risco para o trabalho de alerta.

Ribeirão Pires também conta com representantes da sociedade civil responsáveis por alertar comunidade sempre que houver qualquer evidência de deslizamentos, quedas de árvores, alagamentos ou inundações.

Especialista cobra obra de microdrenagem

Mestre e doutor em Estruturas Ambientais Urbanas pela USP (Universidade de São Paulo) e professor da UFABC (Universidade Federal do ABC), Gilson Lameira destaca a importância do trabalho dos Nupdecs (Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil) para minimizar os estrados das tempestades de verão, no entanto, o especialista alerta para a necessidade de as administrações municipais investirem na microdrenagem urbana (sistema de escoamento da água da chuva).

“A macrodrenagem funciona bem e é administrada pelo Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica). A questão está na microdrenagem, que é feita pelos municípios. Faltam projeto e financiamento, que seriam a partir de taxa de drenagem, o que a população não aceitaria pagar. Tivemos nessa última tempestade três mortes por afogamento. É mais comum ter óbito decorrente de desabamento, por afogamento não dá para aceitar”, considera Lameira.

O especialista defende investimento no que considera “projetos eficientes”, como é o caso da transformação da plataforma dos reservatórios em áreas verdes, tendo em vista o crescimento urbano e ações como impermeabilização do solo e supressão da vegetação. “Os piscinões funcionam, mas não vão resolver o problema, somente amenizam as enchentes por tempo determinado, pois uma hora transbordam.”

Já quando o assunto é o deslizamento de terra em áreas de encosta, Lameira aponta a necessidade de se criar áreas para realocar as famílias que ainda residem em locais de risco. “O desabamento de morro é causado por chuvas decorrentes. As áreas de risco já são mapeadas, e isso o Grande ABC fez razoavelmente bem. No entanto, a questão está em não ter alternativas para realocar a população”, pontua. 

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