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‘O São Bernardo não está à venda’, diz presidente do clube

Orlando Filho/Arquivo DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

12/11/2018 | 07:00


O São Bernardo FC completa 14 anos em dezembro e vive, há alguns meses, o pior momento de sua história por conta de profunda crise financeira, que no primeiro semestre o fez atrasar salários pela primeira vez e o obriga a quebrar a cabeça para planejar o futuro. Mas o pai, fundador e presidente Edinho Montemor é firme: “O São Bernardo não está à venda”. Nesta entrevista, o dirigente falou do momento do clube, das ambições, da tentativa em dar fim à ligação com a política, da gestão de Luiz Fernando Teixeira, Projeto Tigrinho, de EC São Bernardo e Estádio 1º de Maio, entre outros temas. “As alegrias foram maiores do que as tristezas”, celebra.

O São Bernardo completa em dezembro o 14° aniversário. Quais são os desejos para o clube quando apagar as velinhas?
Nosso desejo realmente é conquistar o acesso em 2019 no Paulista e a partir deste acesso, que já conquistamos duas vezes, é galgar outros degraus no cenário esportivo nacional. Nosso objetivo imediato é o acesso no Paulista visando a Série A-1, e nosso projeto é buscar novamente a Série D do Brasileiro, conquistar a Série C e chegar na Série B. Manter na Série B do Brasileiro e na A-1 do Paulista são nossos grandes desejos. Vou fazer esse pedido quando for cortar o bolo.

O Tigre passa pela fase mais difícil de sua história. Ainda há motivos para comemorar?
Há motivo de comemoração. As dificuldades nos fortalecem, nos ensinam, nos trazem aprendizado novo a cada dia, mas a gente não deixa de trabalhar e crer. Estamos fazendo todo o planejamento para o ano que vem, renovamos contratos da maioria dos jogadores do elenco, estamos contratando treinador e o planejamento está sendo completado com isso. Comemorando sempre, porque o São Bernardo tem história vitoriosa, de alegrias bem maiores do que as tristezas. Então, vamos comemorar com bastante otimismo, acreditando em Deus e no trabalho sério que a gente sempre fez aqui.

Quais os planos para sanar os problemas financeiros? O São Bernardo está à venda?
Estamos captando patrocínio, buscando investidores. Tenho conversado com grupo que demonstrou interesse em participar do projeto. O São Bernardo não está à venda, está em busca de parceiros, de parcerias, de quem eventualmente possa vir nos ajudar, somar esforços, trazer recursos financeiros, capitalizar o clube para que a gente possa sair deste momento ruim e poder respirar novos ares. Basicamente é isso: patrocínio, investidores e parceiros.

O clube, historicamente, é bem próximo da política e, por conta disso, muitas vezes sofreu alguns pré-julgamentos, tanto durante o seu mandato quanto no do deputado Luiz Fernando. Há uma luta para tentar se desvencilhar disso?
É uma preocupação que sempre tive desde que fundei o clube, tanto que era deputado federal, evitava dar entrevistas, evitava aparecer. Logo saí da presidência e coloquei meu filho, Edgard Montemor Filho (atual diretor executivo)para ser o presidente, justamente para não ter a vinculação política, que é muito danosa para a imagem do clube, aos projetos e planejamento. Infelizmente, neste período que o Luiz Fernando ficou à frente do clube, ele fez muitas coisas boas, mas fez uma extremamente ruim, que foi vincular de vez a imagem do clube a um partido político, a um projeto político que acabou nos prejudicando demais. Estamos, desde que reassumi a presidência, tentando tirar esse estigma de que é um time de partido. Não é, nunca foi. É da cidade. Foi para isso que foi fundado e criado. Não é e não deve ser vinculado a partido político. O futebol tem, sim, que ter proximidade com a política, faz parte, como todas as atividades humanas, mas jamais ser atrelado ou ter sua imagem associada a esta ou aquela agremiação política. Então, neste sentido, o Luiz Fernando errou bastante ao fazer essa vinculação muito forte com o Partido dos Trabalhadores. Hoje tiramos um pouco disso.

Neste ano, a Prefeitura abriu chamamento público para o Estádio 1° de Maio e o São Bernardo demonstrou interesse em seguir tendo o local como casa. Como está este processo?
Acho extremamente interessante e importante o que o prefeito Orlando Morando (PSDB) está propondo, tirando esse ônus da Prefeitura e abrindo o chamamento público. Vamos participar, estamos fazendo os estudos para participar da licitação e temos bastante esperança de que a gente possa conseguir essa concessão quando ela vier a se realizar. Para nós, seria a concretização de um projeto em termos de projeção futura extremamente importante, outro nível, outro patamar a partir do momento em que a gente conseguir essa concessão. É um degrau extremamente importante que a gente estará galgando para fazer com que o clube se torne autossuficiente, desonere a Prefeitura e ainda consiga trazer receitas para o Fundo de Assistência ao Esporte, à Prefeitura e ao povo de São Bernardo. Esse é nosso objetivo. Então, é extremamente importante essa ação do prefeito.

De que maneira enxerga o ressurgimento do EC São Bernardo no cenário estadual? Há bom diálogo entre as diretorias? E os clubes vão dividir o 1° de Maio?
Joguei futebol de campo no Palestra e futebol de salão no Esporte Clube São Bernardo. Sou amigo do Felipe Cheidde. A gente conversa sempre, se ajuda, sempre de mãos dadas. Já tivemos parcerias para a utilização do 1º de Maio. Ele já usou o departamento médico, fisioterapia, academia e sempre que for possível e necessário a gente vai estar junto. Não vejo problema em compartilhar o espaço. Até onde sei o Esporte Clube São Bernardo também vai participar desse processo licitatório.

Neste ano, o acesso à elite paulista bateu na trave. O que está sendo feito para a bola entrar em 2019?
Estivemos bem próximos do acesso neste ano. Acredito que o mata-mata é terrível. O campeonato terminou, éramos a segunda melhor campanha, então automaticamente teríamos conquistado o acesso nos pontos corridos. Mas o mata-mata tem suas nuances e naquele jogo em Barueri (pela ida da semifinal, contra o Oeste) tomamos dois gols em um minuto. Estava 0 a 0, dominávamos o jogo, dentro do planejamento da gente, bastante tranquilo para a gente voltar com os três pontos e com o acesso quase garantido, mas, de repente, em duas bobeiras saímos atrás, 2 a 0. Conseguimos diminuir, mas na volta em São Bernardo foi totalmente atípico. Tivemos de sair da nossa proposta de jogo e ficamos atrás, porque o Oeste tem elenco qualificado, caro, de Série B do Brasileiro, com orçamento seis vezes maior que o do São Bernardo. Mas batemos na trave. O segredo? Quando chegar no <CF51>mata-mata</CF> não bobear, não ter os erros que durante o campeonato consegue superar, mas no <CF51>mata-mata</CF> não. Se não errar, a bola entra e, em 2019, a gente conquista o acesso.

Há alguns anos o São Bernardo teve o quinto e até o quarto maior público do Estado, mas ultimamente não tem conseguido encher o estádio. Quais os planos para o retorno do torcedor às arquibancadas?
São vários fatores que acabaram fazendo com que houvesse esvaziamento do estádio. Me lembro e tenho nos registros, inclusive o Diário também noticiou, nossa primeira partida como clube profissional. Tivemos 1.176 pagantes no 1º de Maio. Na ‘Bezinha’ (Segunda Divisão, equivalente à Quarta), em 2005, chegamos a colocar 3.800 torcedores e, em algumas partidas, até mais do que 4.000. Então, o São Bernardo nasceu com vocação para ser o time da cidade e ter torcedor. Quando conquistamos o acesso à Primeira Divisão vieram as empresas parceiras, que naquele momento possibilitaram aumento do clube importante por meio delas. A queda no ano passado para a Série A-2 veio em momento muito ruim não apenas para o futebol, mas para o País, em crise muito grande. Na troca no comando do clube tentamos trazer o torcedor de volta, mas muitos haviam se afastado e, no Paulista da Série A-1 de 2017, a média já não foi tão grande por conta do atrelamento político, da vinculação, do estigma de ser time partidário. Mas acho que com o tempo a gente vai conseguir novamente lotar essa arquibancada, trazer o torcedor de volta. Porque a gente anda pela cidade e sente o carinho que as pessoas têm pelo Tigre do <CF51>(Grande )</CF> ABC. Uma grande dificuldade que a gente tem também é quanto à divulgação. Antes podia colocar faixas na cidade, hoje não mais. Não temos rádio, televisão, então encontramos dificuldade em divulgar nossas partidas. Mas estamos estudando fórmulas pelos meios de comunicação que temos disponíveis, principalmente a internet, para levar o público de volta.

Existe algum arrependimento na passagem do clube para a gestão do Luiz Fernando? E como foi retornar à presidência?
Não há nenhum tipo de arrependimento. As circunstâncias obrigam a gente, muitas vezes, a fazer coisas que não gostaria, mas foi feito e serviu para, naquele momento, a gente manter o São Bernardo, galgar outros degraus e chegar à Série A-1. Acho que faltou mais planejamento a médio e longo prazos por parte da diretoria anterior. Se o Luiz Fernando tivesse pensado um pouco mais no futuro do clube, estaria mais tranquilo em relação, por exemplo, à concessão do estádio, patrocínios mais perenes quando o time estava na A-1. Mas a gente não pode chorar sobre o leite derramado. Não tenho arrependimento, bola para frente, o desafio é grande e estamos dispostos a encará-lo para buscar o melhor espaço para o São Bernardo Futebol Clube.

Recentemente, o clube viveu pela primeira vez caso de atraso de salário. Como está a situação hoje, o que vem sendo feito e qual o planejamento?
Foi uma experiência nova, bastante difícil. A gente só pôde passar e superar aquele momento com o apoio, o entendimento e o amor que tivemos por parte dos funcionários, atletas e comissão técnica, que compreenderam a dificuldade. Apesar de todos estarmos angustiados, o que nos possibilitou superar aquele momento de atraso salarial foi a união de todos. Espero que não tenhamos mais isso na nossa história. Estamos fazendo planejamento muito pé no chão, sempre foi assim, desta vez mais. E torcendo para conseguir as parcerias necessárias, os patrocínios necessários, para deixar o São Bernardo no melhor patamar possível.

Nestes 14 anos, quais foram os motivos para sorrir, para chorar, que te deram orgulho e que te fizeram se arrepender?
De muitas alegrias, muitos acessos, títulos, partidas inesquecíveis, cada uma com sua história, momentos sofridos. Arrependimento é difícil, sinceramente não sei, não tenho em relação ao São Bernardo. Foi tudo feito com amor, carinho, planejamento, comprometimento. As alegrias foram muito maiores do que as tristezas. As duas maiores foram os descensos, contra a Portuguesa, no Canindé (2011), e diante do São Paulo, no 1º de Maio (2017), que nos levaram à Série A-2. A gente sente não só no ponto de vista profissional, pois também implica muito no planejamento financeiro. Mas tenho certeza que ano que vem vamos ter grande alegria, talvez a maior na história, que vai ser o acesso. Tenho muita convicção de que vamos buscar e não vamos errar.

RAIO X

Nome: Edinho Montemor Fernandes
Estado civil: Casado
Idade: 58 anos
Local de nascimento: Mirassol; mora em São Bernardo
Formação: Direito
Hobby: Futebol
Local predileto: São Bernardo
Artista que marcou sua vida: Chacrinha
Profissão: Aposentado
Onde trabalha: Presidente do São Bernardo FC
 



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‘O São Bernardo não está à venda’, diz presidente do clube

Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

12/11/2018 | 07:00


O São Bernardo FC completa 14 anos em dezembro e vive, há alguns meses, o pior momento de sua história por conta de profunda crise financeira, que no primeiro semestre o fez atrasar salários pela primeira vez e o obriga a quebrar a cabeça para planejar o futuro. Mas o pai, fundador e presidente Edinho Montemor é firme: “O São Bernardo não está à venda”. Nesta entrevista, o dirigente falou do momento do clube, das ambições, da tentativa em dar fim à ligação com a política, da gestão de Luiz Fernando Teixeira, Projeto Tigrinho, de EC São Bernardo e Estádio 1º de Maio, entre outros temas. “As alegrias foram maiores do que as tristezas”, celebra.

O São Bernardo completa em dezembro o 14° aniversário. Quais são os desejos para o clube quando apagar as velinhas?
Nosso desejo realmente é conquistar o acesso em 2019 no Paulista e a partir deste acesso, que já conquistamos duas vezes, é galgar outros degraus no cenário esportivo nacional. Nosso objetivo imediato é o acesso no Paulista visando a Série A-1, e nosso projeto é buscar novamente a Série D do Brasileiro, conquistar a Série C e chegar na Série B. Manter na Série B do Brasileiro e na A-1 do Paulista são nossos grandes desejos. Vou fazer esse pedido quando for cortar o bolo.

O Tigre passa pela fase mais difícil de sua história. Ainda há motivos para comemorar?
Há motivo de comemoração. As dificuldades nos fortalecem, nos ensinam, nos trazem aprendizado novo a cada dia, mas a gente não deixa de trabalhar e crer. Estamos fazendo todo o planejamento para o ano que vem, renovamos contratos da maioria dos jogadores do elenco, estamos contratando treinador e o planejamento está sendo completado com isso. Comemorando sempre, porque o São Bernardo tem história vitoriosa, de alegrias bem maiores do que as tristezas. Então, vamos comemorar com bastante otimismo, acreditando em Deus e no trabalho sério que a gente sempre fez aqui.

Quais os planos para sanar os problemas financeiros? O São Bernardo está à venda?
Estamos captando patrocínio, buscando investidores. Tenho conversado com grupo que demonstrou interesse em participar do projeto. O São Bernardo não está à venda, está em busca de parceiros, de parcerias, de quem eventualmente possa vir nos ajudar, somar esforços, trazer recursos financeiros, capitalizar o clube para que a gente possa sair deste momento ruim e poder respirar novos ares. Basicamente é isso: patrocínio, investidores e parceiros.

O clube, historicamente, é bem próximo da política e, por conta disso, muitas vezes sofreu alguns pré-julgamentos, tanto durante o seu mandato quanto no do deputado Luiz Fernando. Há uma luta para tentar se desvencilhar disso?
É uma preocupação que sempre tive desde que fundei o clube, tanto que era deputado federal, evitava dar entrevistas, evitava aparecer. Logo saí da presidência e coloquei meu filho, Edgard Montemor Filho (atual diretor executivo)para ser o presidente, justamente para não ter a vinculação política, que é muito danosa para a imagem do clube, aos projetos e planejamento. Infelizmente, neste período que o Luiz Fernando ficou à frente do clube, ele fez muitas coisas boas, mas fez uma extremamente ruim, que foi vincular de vez a imagem do clube a um partido político, a um projeto político que acabou nos prejudicando demais. Estamos, desde que reassumi a presidência, tentando tirar esse estigma de que é um time de partido. Não é, nunca foi. É da cidade. Foi para isso que foi fundado e criado. Não é e não deve ser vinculado a partido político. O futebol tem, sim, que ter proximidade com a política, faz parte, como todas as atividades humanas, mas jamais ser atrelado ou ter sua imagem associada a esta ou aquela agremiação política. Então, neste sentido, o Luiz Fernando errou bastante ao fazer essa vinculação muito forte com o Partido dos Trabalhadores. Hoje tiramos um pouco disso.

Neste ano, a Prefeitura abriu chamamento público para o Estádio 1° de Maio e o São Bernardo demonstrou interesse em seguir tendo o local como casa. Como está este processo?
Acho extremamente interessante e importante o que o prefeito Orlando Morando (PSDB) está propondo, tirando esse ônus da Prefeitura e abrindo o chamamento público. Vamos participar, estamos fazendo os estudos para participar da licitação e temos bastante esperança de que a gente possa conseguir essa concessão quando ela vier a se realizar. Para nós, seria a concretização de um projeto em termos de projeção futura extremamente importante, outro nível, outro patamar a partir do momento em que a gente conseguir essa concessão. É um degrau extremamente importante que a gente estará galgando para fazer com que o clube se torne autossuficiente, desonere a Prefeitura e ainda consiga trazer receitas para o Fundo de Assistência ao Esporte, à Prefeitura e ao povo de São Bernardo. Esse é nosso objetivo. Então, é extremamente importante essa ação do prefeito.

De que maneira enxerga o ressurgimento do EC São Bernardo no cenário estadual? Há bom diálogo entre as diretorias? E os clubes vão dividir o 1° de Maio?
Joguei futebol de campo no Palestra e futebol de salão no Esporte Clube São Bernardo. Sou amigo do Felipe Cheidde. A gente conversa sempre, se ajuda, sempre de mãos dadas. Já tivemos parcerias para a utilização do 1º de Maio. Ele já usou o departamento médico, fisioterapia, academia e sempre que for possível e necessário a gente vai estar junto. Não vejo problema em compartilhar o espaço. Até onde sei o Esporte Clube São Bernardo também vai participar desse processo licitatório.

Neste ano, o acesso à elite paulista bateu na trave. O que está sendo feito para a bola entrar em 2019?
Estivemos bem próximos do acesso neste ano. Acredito que o mata-mata é terrível. O campeonato terminou, éramos a segunda melhor campanha, então automaticamente teríamos conquistado o acesso nos pontos corridos. Mas o mata-mata tem suas nuances e naquele jogo em Barueri (pela ida da semifinal, contra o Oeste) tomamos dois gols em um minuto. Estava 0 a 0, dominávamos o jogo, dentro do planejamento da gente, bastante tranquilo para a gente voltar com os três pontos e com o acesso quase garantido, mas, de repente, em duas bobeiras saímos atrás, 2 a 0. Conseguimos diminuir, mas na volta em São Bernardo foi totalmente atípico. Tivemos de sair da nossa proposta de jogo e ficamos atrás, porque o Oeste tem elenco qualificado, caro, de Série B do Brasileiro, com orçamento seis vezes maior que o do São Bernardo. Mas batemos na trave. O segredo? Quando chegar no <CF51>mata-mata</CF> não bobear, não ter os erros que durante o campeonato consegue superar, mas no <CF51>mata-mata</CF> não. Se não errar, a bola entra e, em 2019, a gente conquista o acesso.

Há alguns anos o São Bernardo teve o quinto e até o quarto maior público do Estado, mas ultimamente não tem conseguido encher o estádio. Quais os planos para o retorno do torcedor às arquibancadas?
São vários fatores que acabaram fazendo com que houvesse esvaziamento do estádio. Me lembro e tenho nos registros, inclusive o Diário também noticiou, nossa primeira partida como clube profissional. Tivemos 1.176 pagantes no 1º de Maio. Na ‘Bezinha’ (Segunda Divisão, equivalente à Quarta), em 2005, chegamos a colocar 3.800 torcedores e, em algumas partidas, até mais do que 4.000. Então, o São Bernardo nasceu com vocação para ser o time da cidade e ter torcedor. Quando conquistamos o acesso à Primeira Divisão vieram as empresas parceiras, que naquele momento possibilitaram aumento do clube importante por meio delas. A queda no ano passado para a Série A-2 veio em momento muito ruim não apenas para o futebol, mas para o País, em crise muito grande. Na troca no comando do clube tentamos trazer o torcedor de volta, mas muitos haviam se afastado e, no Paulista da Série A-1 de 2017, a média já não foi tão grande por conta do atrelamento político, da vinculação, do estigma de ser time partidário. Mas acho que com o tempo a gente vai conseguir novamente lotar essa arquibancada, trazer o torcedor de volta. Porque a gente anda pela cidade e sente o carinho que as pessoas têm pelo Tigre do <CF51>(Grande )</CF> ABC. Uma grande dificuldade que a gente tem também é quanto à divulgação. Antes podia colocar faixas na cidade, hoje não mais. Não temos rádio, televisão, então encontramos dificuldade em divulgar nossas partidas. Mas estamos estudando fórmulas pelos meios de comunicação que temos disponíveis, principalmente a internet, para levar o público de volta.

Existe algum arrependimento na passagem do clube para a gestão do Luiz Fernando? E como foi retornar à presidência?
Não há nenhum tipo de arrependimento. As circunstâncias obrigam a gente, muitas vezes, a fazer coisas que não gostaria, mas foi feito e serviu para, naquele momento, a gente manter o São Bernardo, galgar outros degraus e chegar à Série A-1. Acho que faltou mais planejamento a médio e longo prazos por parte da diretoria anterior. Se o Luiz Fernando tivesse pensado um pouco mais no futuro do clube, estaria mais tranquilo em relação, por exemplo, à concessão do estádio, patrocínios mais perenes quando o time estava na A-1. Mas a gente não pode chorar sobre o leite derramado. Não tenho arrependimento, bola para frente, o desafio é grande e estamos dispostos a encará-lo para buscar o melhor espaço para o São Bernardo Futebol Clube.

Recentemente, o clube viveu pela primeira vez caso de atraso de salário. Como está a situação hoje, o que vem sendo feito e qual o planejamento?
Foi uma experiência nova, bastante difícil. A gente só pôde passar e superar aquele momento com o apoio, o entendimento e o amor que tivemos por parte dos funcionários, atletas e comissão técnica, que compreenderam a dificuldade. Apesar de todos estarmos angustiados, o que nos possibilitou superar aquele momento de atraso salarial foi a união de todos. Espero que não tenhamos mais isso na nossa história. Estamos fazendo planejamento muito pé no chão, sempre foi assim, desta vez mais. E torcendo para conseguir as parcerias necessárias, os patrocínios necessários, para deixar o São Bernardo no melhor patamar possível.

Nestes 14 anos, quais foram os motivos para sorrir, para chorar, que te deram orgulho e que te fizeram se arrepender?
De muitas alegrias, muitos acessos, títulos, partidas inesquecíveis, cada uma com sua história, momentos sofridos. Arrependimento é difícil, sinceramente não sei, não tenho em relação ao São Bernardo. Foi tudo feito com amor, carinho, planejamento, comprometimento. As alegrias foram muito maiores do que as tristezas. As duas maiores foram os descensos, contra a Portuguesa, no Canindé (2011), e diante do São Paulo, no 1º de Maio (2017), que nos levaram à Série A-2. A gente sente não só no ponto de vista profissional, pois também implica muito no planejamento financeiro. Mas tenho certeza que ano que vem vamos ter grande alegria, talvez a maior na história, que vai ser o acesso. Tenho muita convicção de que vamos buscar e não vamos errar.

RAIO X

Nome: Edinho Montemor Fernandes
Estado civil: Casado
Idade: 58 anos
Local de nascimento: Mirassol; mora em São Bernardo
Formação: Direito
Hobby: Futebol
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