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‘Turistas’: horror no Brasil


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

28/10/2006 | 18:13


Turistas, por enquanto, espantou mais os produtores, o diretor John Stockwell e o roteirista Michael Ross com a possível polêmica. Ross, por e-mail, disse que “escreveu um filme divertido e assustador, que se passa em um belo lugar e tem como veículo dramático mal-entendidos culturais, como o caso do topless”.

O co-produtor Raul Guterres, maranhense que vive em Los Angeles há 11 anos, formado em cinema pela UCLA, foi quem respondeu por eles. Explicou, também por e-mail, que o filme quase fez o Brasil virar Guatemala, país onde se passaria a história.

“O roteiro chegou até mim para que eu desse parecer quanto a viabilidade de filmá-lo no Brasil, pois a história se passava em praias paradisíacas, cachoeiras e florestas. Numa reunião, concluimos que seria mais interessante a história se passar no Brasil. Acho fantástico fazermos um filme de ‘diversão’ no meu país. Filmes de suspense e terror se passam em cidades americanas e em outros países, sem que isso cause muita controvérsia quanto a possível ofensa a orgulhos nacionais”, escreveu Guterres.

Sobre a cena do topless, ele explica que, na seqüência completa – que não está no trailer –, um dos rapazes avisa a moça que topless não é comum no Brasil e é contra a lei, a não ser em lugares designados. Já a seqüência dos jovens estarem no Rio e acordarem na Amazônia, ela não existe. “O filme não se passa no Rio, nem na Amazônia. A história é em um vilarejo fictício, entre a Mata Atlântica e o mar. Filmamos na praia de Prumirim, em Ubatuba, e também na Chapada Diamantina”.

O título seria Turistas mesmo se fosse filmado na Guatemala, pois a palavra é a mesma em espanhol. No pôster que estampa a frase “Go home”, a distribuidora Fox Atomic achou “que chamaria atenção uma ‘turista’ em apuros, que tem a ver com o enredo. Coisas de marketing! Não sei se no Brasil será o mesmo”, escreve Guterres.

O roteirista Ross e o diretor Stockwell vieram “experimentar” o país. Viram as belezas naturais, e as dificuldades do dia a dia, como “a burocracia que atrapalha qualquer negócio, inclusive cinema”, mas voltaram querendo retornar.

Tanto o roteirista quanto o diretor possuíam, segundo Guterres, boas fontes de referências sobre o Brasil. “Notícias sobre economia, cinema e crimes vira e mexe pintam em Los Angeles. Eles têm noções da nossa diversidade cultural, da disparidade social, das cidades perigosas. Infelizmente, no dia que chegamos no Rio, no caminho entre o (aeroporto) Galeão e a Zona Sul vimos um jovem assaltando um casal no carro ao lado, às nove da manhã. Havia policiais perto, mas eles não fizeram nada”. O horror da realidade sempre supera o da ficção no país. E se os gringos usarem isso em outro filme, não adianta chiar.


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