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Emprego: 4 horas 3 vezes na semana


William Glauber
Do Diário do Grande ABC

28/10/2006 | 20:07


O aparato técnico do capitalismo – informática, automação, robótica, entre outros instrumentais tecnológicos – tem condições atualmente de reduzir a jornada de trabalho para 4 horas por dia apenas três vezes por semana com a garantia de emprego a todos os cidadãos. O crescimento progressivo da longevidade também permite adiar o ingresso no mercado de trabalho para depois dos 25 anos de idade. Todas suposições de uma realidade visionária, sem dúvida, se comparada principalmente ao cenário instituído de hoje com 44 horas legais e trabalho a partir dos 16.

As idéias de um dos principais pesquisadores do mercado de trabalho brasileiro, o professor de economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Márcio Pochmann, soaram ousadas. Verdadeiras provocações, elas remexeram nas poltronas de mais de 250 participantes do Seminário Internacional de Cultura e Trabalho do Sesc Vila Mariana, na Capital, realizado na semana passada. Sociólogos, psicólogos, assistentes sociais reagiram com misto de surpresa e espanto.

Para Pochmann, não há razão para se trabalhar 8 horas por dia cinco dias da semana. “Dirão que estou louco, mas, há 120 anos, no Massacre de Chicago, que originou o Dia do Trabalho, os operários reivindicavam jornada de 8 horas por dia”, argumenta o economista. Ele lembra que tecnicamente era possível a redução da carga de trabalho, mas a sociedade chegou vagarosamente aos padrões atuais de jornada.

O professor da Unicamp explica que, para obter as projeções, recorreu à Historia, conforme exemplifica ao lembrar o 1º de Maio. Pochmann conta que analisou o ganho da produtividade física das últimas três décadas em relação ao número de trabalhadores de todo o mundo para fazer as afirmações instigantes e “revolucionárias”.

Ele destaca que, em 1880, a carga anual de trabalho era de 4 mil horas e, em 1980, recuou para 1,9 mil horas. Hoje, por exemplo, a indústria automobilística – menina dos olhos do Grande ABC – tem capacidade ociosa de produção em fábricas de diversas partes do planeta.

A pavimentação do caminho para essas conquistas nos próximos anos, para resultar qualidade de vida será árdua. “As mudanças exigirão transformações radicais na educação. Vamos precisar de muita pressão e luta, mas vamos chegar lá”, sentencia, de forma otimista, o professor Márcio Pochmann.

Degradação – Os participantes do seminário do Sesc são unânimes na necessidade de avanço das condições de trabalho para elevação da qualidade de vida dos cidadãos. O professor de Sociologia do Trabalho da Unicamp Ricardo Antunes destaca os valores que impedem as transformações das formas de emprego. “O problema não é a estrutura tecnológica, mas a ideologia neoliberal que opera o mundo”, critica.

Para reduzir jornada e melhorar a vida dos trabalhadores, Antunes rechaça a precarização do trabalho. “Precisamos de instrumentos para evitar a intensificação nociva do trabalho e sua precarização. Ao longo do século 20, o trabalho foi degradado por meio das concepções fordistas e tayloristas de produção”, avalia o sociólogo.

Em resposta à situação atual excessiva, degradante e precarizada, a coordenadora nacional de políticas da OIT (Organização Internacional do Trabalho), Solange Sanches, cita a proposta de “trabalho decente” da entidade da ONU (Organização das Nações Unidas). “As mudanças a partir da década de 90, com o fraco crescimento econômico, as novas tecnologias e políticas liberais nos Estados Nacionais, impactou no trabalho. Hoje, precisamos de trabalho decente para todos, seguro, com direito a voz e representação, com remuneração justa e que proporcione vida digna.”


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