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'Grã-fino do samba' ganha biografia


João Marcos Coelho
Especial para o Diário

26/05/2001 | 15:06


  Na segunda-feira, o jornalista e crítico musical Luís Antônio Giron recoloca em evidência o cantor Mário Reis (1907-1981), poucos meses antes de se completarem os 20 anos de sua morte, por meio de uma biografia exemplar, Mário Reis – O Fino do Samba, da Editora 34. A partir das 19h30, Giron estará autografando seu livro no Pergamon Hotel (rua Frei Caneca, 80, Centro, São Paulo).

E os que forem conhecer a biblioteca montada por Pedro Correa do Lago para o Pergamon também terão a chance, além do contato pessoal com o autor do livro, de assistir a um pequeno show da cantora Maricene Costa, acompanhada por um trio de piano-violão-bateria.

Maricene promete mostrar algumas das jóias mais escondidas do repertório de Mário Reis, como Bolsa de Amores, música de Chico Buarque praticamente desconhecida, dedicada ao cantor; e Isso Eu Não Faço, que Tom Jobim dedicou a Mário em 1960. Mas, claro, Maricene não vai esquecer dois dos maiores sucessos de Mário Reis, Jura de Sinhô e Rasguei a Minha Fantasia, de Lamartine Babo.

Mas a noite lítero-musical do Pergamon não se esgota na sessão de autógrafos de Giron ou no show de Maricene Costa. O próprio jornalista instigou a gravadora independente Revivendo, de Curitiba, a lançar um CD especial de Mário Reis, uma antologia do essencial da arte deste cantor que trocou o dó-de-peito pela voz pequenina, mas muito bem colocada. O CD também estará à venda no Pergamon.

A vida de Mário Reis dá um excelente romance. Só que praticamente tudo (documentos, testemunhas, etc) perdeu-se, o que dificultou muito a pesquisa de Giron, que ele mesmo qualifica como detetivesca. O sobrinho dos donos da fábrica Bangu, que praticava tênis e outros sports no América, quebrou todos os preconceitos ao estudar violão com Sinhô. Mais: Mário avalizou a música popular e ampliou seu alcance para todas as faixas da população. Ele estreou em disco em 1928 cantando Que Vale a Nota Sem o Carinho da Mulher?, acompanhado por Sinhô e Donga. Em seguida, curtiu um sucesso popular inédito, em plenos anos 30, vendendo espantosas 30 mil cópias de músicas como Jura de Sinhô e Gosto Que Me Enrosco, e históricos duetos com Chico Alves e Carmen Miranda. Conviveu com Noel Rosa, que copiou dele o canto quase falado e a emissão em staccato que o destacaria dos dós de peito reinantes, assinala Tarik de Souza na apresentação do livro.

Que Mário antecipou João Gilberto e a bossa nova, a gente já sabia. Agora, o estudo-biografia de Giron mostra como essa verdadeira revolução nasceu e se condensou no canto de Mário: “É uma tentativa de descobrir os motivos especiais que Mário Reis sempre fez questão de não mencionar e mostrar, os rumos de suas duas vidas, a de grã-fino e a de sambista”.



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