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Debate pós-atentado registra tom ameno

Em primeiro encontro depois de ataque a Bolsonaro, presidenciáveis citam radicalização e violência


Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

10/09/2018 | 07:00


O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República após o atentado sofrido pelo deputado Jair Bolsonaro, postulante do PSL, realizado ontem à noite pela TV Gazeta, foi marcado por clima ameno e sem muitos confrontos intensos, diferentemente de encontros anteriores.

O episódio envolvendo Bolsonaro, que segue internado na UTI do Hospital Albert Einstein, na Capital – ele foi atingido por uma facada na quinta-feira, em Juiz de Fora, Minas Gerais –, foi citado logo de cara, mas não demorou muito para ficar para trás e dar lugar a outros assuntos, como saneamento básico, liberação de agrotóxicos, combate a privilégios no País e à corrupção.

A violência e a radicalização da disputa política no Brasil foram abordadas de forma tímida. Ex-ministro da Fazenda e presidenciável governista, Henrique Meirelles (MDB) acusou o ex-governador de São Paulo e nome do PSDB na disputa, Geraldo Alckmin, de corroborar com o discurso de ataques aos adversários. “O senhor prega a pacificação na política, mas quando o candidato (Bolsonaro) já estava internado, o seu programa eleitoral na televisão o atacou”, disse, em referência à inserção do tucano que foi ao ar no sábado e que insistiu em criticar Bolsonaro nas entrelinhas, ao afirmar que os problemas do País não serão resolvidos “nem na bala, nem na facada”. “Certamente o candidato (Meirelles) não assistiu ao programa, que trouxe apenas frases que não foram ditas por mim”, defendeu Alckmin.

Presidenciável do Psol, Guilherme Boulos foi questionado por jornalistas se a esquerda tem parcela de culpa no clima radical que tomou conta do País com “o discurso de nós contra eles”. “Tem gente culpando a esquerda por manifestações de ódio, mas parecem se esquecer de que nós fomos as maiores vítimas. Nesta semana fará seis meses de morte da (ex-vereadora carioca) Marielle (Franco, do Psol, assassinada a tiros em março) sem que saibamos quem é que a matou. A caravana de Lula foi atacada e muitos ficaram em silêncio”, citou.

Ainda no primeiro bloco, Boulos tirou sarro da plateia ao ironizar o slogan da campanha de Meirelles enquanto prometia fazer os mais ricos pagarem mais impostos. “Você prega: ‘Chama o Meirelles’. Mas eu não vou chamar o Meirelles, eu vou taxar o Meirelles.”

O ex-presidente Lula, que ainda não deixou de ser candidato mesmo após ter o projeto impugnado com base na Lei da Ficha Limpa – está preso em Curitiba (Paraná), cumprindo pena por corrupção e lavagem de dinheiro –, foi lembrado pouco e ainda assim associado à corrupção. No segundo bloco, a presidenciável da Rede, Marina Silva, foi questionada se concordava com a tese de que o ex-presidente está preso injustamente. Sem responder com clareza se é a favor, Marina decidiu cutucar o petista. “O que o presidente Lula está sofrendo tem a ver com o poderoso esquema de corrupção em seus governos”, disse a ex-senadora, que já havia sido criticada por Alckmin após afirmar que “PT e PSDB são faces de uma mesma moeda”. “Mesmo após o Mensalão (que estourou em 2005), ela só deixou o PT em 2008”, afirmou o tucano.

Também foi a primeira vez que os presidenciáveis debateram em rede nacional após o incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, no dia 2. O tema só foi colocado na discussão no quarto bloco e em decorrência de pergunta externa, de internauta. Os únicos a falarem sobre o assunto foram Ciro Gomes (PDT) e Alckmin, mas também de forma vaga. “O incêndio do Museu Nacional foi a manifestação trágica desse fenômeno causado pela aliança PSDB-MDB, que impôs 20 anos de congelamento de investimentos. Precisamos exigir a revogação desse teto para voltar a investir em Cultura”, disparou Ciro. “Temos boas experiências em São Paulo com parcerias (dos museus) com organizações sociais e que podemos levar ao âmbito federal”, sugeriu Alckmin. 



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