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Ela tece tapetes. Dona Maria, 101 anos

O tema da abertura de hoje é sugestão do amigo Paulo Lage, que nasceu na Vila São José e conhece Dona Maria desde a infância. Na produção, Josy, também nascida na Vila São José e que residiu em Milão, ‘Milano em italiano’.


Ademir Medici

09/09/2018 | 07:00


Aos 101 anos, completados há uma semana, Maria Bueno de Morais Alves, a mais antiga moradora da Vila São José, em São Bernardo, continua a trabalhar, confeccionando tapetes. São criações belíssimas, em retalhos coloridos, forradas, com as quais presenteia filhos, netos, bisnetos e os dois primeiros tataranetos. Além de tudo, dona Maria é uma simpática conversadeira – destacam-se as histórias de trabalho, muito trabalho, desde a juventude, passada entre Campinas e Itapira, Interior do Estado.

Dona Maria veio para São Bernardo com o marido, João Vicente Alves, e os primeiros filhos, na segunda metade da década de 1930. Moraram e trabalharam em olarias do bairro Alvarenga. E há quase 70 anos a família mudou para a Vila São José, que principiava o seu processo de urbanização – Sr. João participou da abertura de ruas e quadras e adquiriu um verdadeiro sítio, no miolo do loteamento, mantido até hoje pela família, com plantações, criações e verde, muito verde.

“Tinha muitas cobras na Vila São José. Um dia, Joãozinho (filho do meio) sorria e ficava sério quando olhava para o quintal. Ficava sério quando a cobra mostrava a língua, sorria quando a cobra se arrastava”, conta ela, ao lado do mesmo Joãozinho, hoje com 66 anos.

Dona Maria tece seus tapetes. Reza a Nossa Senhora Aparecida. Vê TV. Gosta de música sertaneja, de modas de viola, mas só quando interpretadas por homens, nunca por mulheres. “Meu avô tinha um sítio em Santo Antonio de Posse e eu, menina, já gostava de ver as duplas caipiras que se apresentavam. Cantores homens.”

LINHA DO TEMPO
17-2-1914 – O nascimento do marido, João Vicente, em Serra Negra.
2-9-1917 – O nascimento de Maria, filha de Theresa Bueno de Morais.
5-5-1934 – O casamento, em Itapira.
Os quatro primeiros filhos nascem no Interior: Nelson, Hortêncio, Maria do Carmo e Rubens, que foi motorista do prefeito de São Bernardo.
Em São Bernardo nascem Geni, Rosa, João Filho, Mario, Josy e Nair, a caçula, hoje com 58 anos. Netos são 15; bisnetos, 22; e os dois tataranetos.
15-11-1982 – A morte do marido João Vicente, sepultado no Cemitério de Vila Euclides.
Nota – A história completa da família Morais Alves está no livro sobre a centenária Vila São José, que permanece inédito.


Diário há 30 anos

Sexta-feira, 9 de setembro de 1988 – ano 31, edição 6853

Manchete – Ford contrata 1.200 para aumentar produção em 35%
Política – Justiça quer usar computadores da Prosbc para apuração das eleições municipais de São Bernardo; oposição não quer.
Nota – Há 30 anos a apuração a mão. Havia tecnologia disponível, como o da Prosbc, uma empresa municipal de economia mista. Mas a desconfiança entre as correntes políticas imperava.
Política – 2 – Sorteada a ordem dos nomes para as cédulas eleitorais de São Bernardo, com os candidatos a prefeito: 1 – Walter Demarchi (PTB); 2 – Tito Costa (PMDB); 3 – Bernardo Joffily (PCdoB); 4 – José Carlos de Aguiar Brito (PV); 5 – Conrado Bruno Corazza (PDS); 6 – Almiro Salles (PL); 7 – João Américo Martins (PSB); 8 – Mauricio Soares (PT).
São Bernardo – Escola Estadual Neusa Figueiredo Marçal, da Vila Euro, inaugurada há três meses, não possuía funcionários. A limpeza era feita pelos 890 alunos.
Polícia – Desmanteladas quadrilhas que roubavam e desmanchavam carros no Grande ABC.
Lourenço Diaféria (crônica) – O taxidermista da Casa 554.

Interação com o Facebook

Sou um leitor assíduo de Memória e participo da atividade ‘Conversa de Memória’, da Seção Memória e Acervo de São Bernardo, na Alameda Glória, capitaneada pelo Sr. Jorge Magyar. Gostaria que Memória publicasse o estado de abandono daquele prédio da memória de São Bernardo. A memória são-bernardense tem que ser preservada.
Manuel Cordeiro

Nota da Memória – Estamos contigo, amigo Manuel. Gostaríamos de falar apenas das coisas boas da cidade, mas a antiga escola que serve à guarda da nossa história, em São Bernardo, precisa de uma ação urgente. O secretário Guazzelli tem se manifestado a respeito. Há um projeto em andamento. Mas tudo é muito demorado. Ok. Vamos obedecer aos trâmites burocráticos e jurídicos. Até lá, que se guarde o acervo acumulado ao longo dos anos em local seguro, como faz o Museu Paulista, do Ipiranga; como não fez o Museu Nacional, vitimado de morte. 



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