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'É como a destruição do museu de Berlim na 2ª Guerra', diz Bruno David

Tomaz Silva/Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Como o Rio, a capital francesa tem Museu Nacional e ele também é dedicado à história natural



08/09/2018 | 10:05


Como o Rio de Janeiro, Paris tem um Museu Nacional, e ele também é dedicado à história natural. A dimensão das duas instituições diferia em número de itens - 70 mil no caso francês, 20 mil no brasileiro -, mas de acordo com o próprio presidente do Museu Nacional de História Natural de Paris, Bruno David, ambos pertenciam ao mesmo clube dos grandes museus do mundo.

A diferença, hoje, é que o brasileiro praticamente não existe mais. Biólogo pesquisador, amante das ciências, David diz sentir a perda do acervo carioca como um brasileiro.

A seguir, a síntese da entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo.

O senhor disse considerar o valor do Museu Nacional de Rio "infinito" e "inestimável". Qual foi sua reação ao tomar conhecimento do incêndio?

Soube pela imprensa que o museu havia incendiado e reagi com estupefação.

Na Unesco, Ieng Srong, chefe da Seção de Patrimônio Mobiliário da organização, disse considerar a perda a pior desde os estragos produzidos pela guerra da Síria à cidade histórica de Palmira. Qual sua avaliação?

Faço a mesma análise. Mas para mim a destruição do Museu Nacional me evoca a destruição de Berlim e do Museu de Berlim durante a 2.ª Guerra Mundial. Em Berlim, as circunstâncias foram radicalmente diferentes, mas em termos de perda podemos comparar. No caso do Rio, foi uma estupidez. É isso que me deixa indignado, porque é algo que poderia ter sido evitado.

O senhor considera a perda do crânio de Luzia como um exemplo maior do irreparável no incêndio do Museu do Rio?

Sim, porque esse era o mais antigo homo sapiens encontrado na América do Sul. São peças emblemáticas da história de um território, que contam o que aconteceu com a espécie, que contam a chegada do Homo sapiens na América do Sul. Esse era o traço da colonização do território pelo homem, um traço inestimável que simplesmente desapareceu.

A destruição de um museu toca toda a comunidade, porque a perda de memória cria um impacto social, certo? É isso que explica a revolta dos brasileiros nesse momento?

É absolutamente isso. Eu estou muito revoltado pelos brasileiros, porque sei o tamanho do impacto cultural. É uma parte de sua memória que foi apagada. É como se sua casa pegasse fogo, e a história de sua família, em fotos, fosse perdida. É um pouco isso, mas na escala de um país. O prédio pode ser reconstruído, mas seu conteúdo não será reconstruído como era.

O senhor mencionou a questão do investimento, ou da falta de investimento no museu, como origem da tragédia.

Eu não sou brasileiro, e não conheço as circunstâncias exatas. Mas busquei informações e sei que os cortes orçamentários causaram uma tensão no financiamento do museu, que estava sob alta pressão. Mesmo os meios elementares de segurança do local não foram garantidos. Quando chegamos a esse ponto, não estamos ao abrigo de uma catástrofe.

A seu ver, o nível de investimento em cultura por parte de um país tem relação com a apreciação que a sociedade faz da cultura?

Completamente. A maneira como uma sociedade mergulha no seu passado, se interessa e aceita suas raízes, traduz-se pelos investimentos em cultura em geral. Isso depende das sociedades, do que consideramos cultura, se incluímos a história natural nesse critério - a meu ver, sim. Faz parte do patrimônio de um território. Para mim, o Museu Nacional de História Natural de Paris é tão importante quanto o Louvre, em termos de patrimônio e de arquivo histórico. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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