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Terreno da MZM em São Bernardo segue sem destinação

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Um ano após invasão pelo MTST da área no bairro Assunção, foi construído muro e contratado serviço de vigilância durante 24 horas


Bianca Barbosa
especial para o Diário

08/09/2018 | 07:00


Um ano depois da invasão de integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) em terreno da MZM Incorporadora, localizado na Rua João Augusto de Souza, no bairro Assunção, em São Bernardo, a área de 70 mil m² continua sem destinação. A invasão perdurou por sete meses, em meio a confusões, e acomodou cerca de 8.000 famílias em barracos de lona e madeira. Em abril, o terreno foi desocupado e a empresa iniciou a limpeza da área. Cinco meses depois, com o terreno quase todo limpo, muro para evitar novas invasões e vigia no local, o mistério sobre a finalidade do espaço ainda permanece.

A equipe do Diário esteve no terreno e encontrou portões abertos, um banheiro químico e um funcionário de vigia. Quase toda a extensão do local está limpa, graças à retirada de aproximadamente 200 caminhões de lixo e 100 caçambas de entulho. “A limpeza já está quase toda concluída. Quando começamos a limpar, parecia uma serra de entulho”, disse o vigia Edson Filipe, 40 anos, que trabalha há quase cinco meses no local. Ele disse que um grupo chegou a entrar no local para procurar pertences, mas foi embora rápido. “Quando eles vieram já estava quase tudo derrubado.”

O vigia contou que existem boatos de venda do terreno para uma montadora e também de construção de empreendimento imobiliário. “Não sei o que eles (MZM) vão fazer”, comentou a dona de casa Sônia Soares, 62. A doméstica Raimunda Félix Figueiredo Soares, 61, demonstra sua preferência, “Tomara que seja vendido para a montadora”, falou. 

As duas são vizinhas do terreno e, ao contrário da maior parte dos moradores, consideram que o convívio com os invasores foi “tranquilo”. “Nunca mexeram com a gente. Dava 22h, ficavam em silêncio”, contou Raimunda. O dono de bar, Gerson Beneguede, 65, criou até vínculos, “Vem uns amigos visitar a gente às vezes. Pegamos amizade com o pessoal. Sempre houve respeito.”

DÍVIDA

O terreno pertencente à MZM acumula dívida de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). A empresa questiona o reajuste feito no valor – que passou de R$ 361.488,22, em 2016, para R$ 511.913,04, um ano depois, aumento de 41,61%. 

A Prefeitura de São Bernardo, por meio da Procuradoria Geral do Município, acionou a MZM na Justiça. Segundo a administração. apesar de tentativas de negociação – por meio de programas de parcelamento de débito – até o momento não houve qualquer acordo. 

Conforme o Paço, o montante reivindicado à empresa foi calculado a partir de valores venais e valores públicos. O acompanhamento destas execuções fiscais é feito por procuradores municipais.

A equipe do Diário entrou em contato com a MZM Incorporadora, questionando sobre a dívida e o uso do terreno, mas até o fechamento desta edição não houve resposta. 



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