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A decepcionante trajetória do PIB


Sandro Maskio
Coordenador do Observatório Econômico da Metodista

08/09/2018 | 07:19


A taxa de desemprego para o Grande ABC atingiu 18,2% da PEA (População Economicamente Ativa) em julho último, acima dos 16,6% registrados em igual mês de 2017. O que pode explicar a elevação, mesmo tendo a economia da região apresentado saldo positivo de pouco mais 5.000 empregos formais entre agosto de 2017 e julho de 2018?

De um lado, pode ter ocorrido aumento do número de trabalhadores que voltaram a procurar emprego, com ampliação dos contratados, conforme registrado no fluxo do Caged, do Ministério do Trabalho. De outro, pode ter ocorrido elevação do desemprego entre trabalhadores sem carteira assinada, desde os autônomos e empreendedores até os que mantinham vínculo informal de trabalho.

Questões metodológicas à parte sobre a apuração da taxa de desemprego e fatores que podem ter contribuído para sua elevação no Grande ABC, é urgente compreendermos que o cenário só melhorará quando houver aquecimento do processo produtivo e, consequentemente, da contratação de fatores de produção, incluindo o trabalhador.

Em nível nacional, segundo a PNAD-Contínua, o desemprego é de 12,3% da PEA, sendo a taxa de subutilização do trabalho (composta não só pelos desempregados, mas também pelos trabalhadores que têm disponibilidade para trabalhar mais horas) de 24,5% da PEA. Ou seja, um a cada quatro trabalhadores dispostos a trabalhar não está na ativa ou tem disposição para trabalhar mais horas, desde que encontre demanda.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou em 30 de agosto o PIB (Produto Interno Bruto) nacional referente ao segundo trimestre de 2018, que cresceu 1% comparado a igual trimestre de 2017. O menor crescimento trimestral do último ano.

Ainda assim, no acumulado do primeiro semestre de 2018, o crescimento do PIB foi de 1,1%, o melhor resultado desde 2014. Chamou atenção o desempenho da indústria de transformação, que apresentou alta de 2,8%, ficando atrás apenas do setor de comércio e serviços imobiliários. Após 14 trimestres em queda, os últimos três apresentaram elevação no volume de investimentos na economia (formação bruta de capital fixo), mesmo com a grande ociosidade ainda presente no setor industrial.

Entretanto, o desempenho abaixo do esperado para este primeiro semestre levou analistas de mercado e o próprio governo a reduzir a expectativa de crescimento econômico para este ano, de cerca de 2,7% para 1,45%. Desde 2011 o Brasil não consegue expandir acima de 2% no ano, que já é índice muito baixo. Mesmo com o encerramento da trajetória de queda da atividade produtiva da economia (o PIB), que se iniciou há 15 trimestres, no ano de 2014, a economia ainda tem que crescer pouco mais de 5% para retomar o nível de produção observado em 2014.

Com o lento ritmo de retomada, não é difícil supor que a economia deverá voltar à mesma condição de atividade que se observava em 2014 apenas em 2020. A esse cenário devemos acrescentar os efeitos sobre desemprego, arrecadação tributária, capacidade de fornecimento de bens e serviços públicos e condição de vida da sociedade. 



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