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Tecnologia é vital para comércio exterior crescer

Ricardo Almeida / ANPr/Fotos Públicas Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Estudo aponta que itens de alta complexidade são necessários para manter e ampliar mercados


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

05/09/2018 | 07:28


Para que a economia do Grande ABC garanta sua sobrevivência, é urgente a necessidade de agregar valor ao processo produtivo. E a tecnologia é o caminho tanto para realizar a manutenção de seus pilares, fixados no setor automotivo, como para buscar a ampliação dos negócios em outros ramos.

Atualmente, a balança comercial do Grande ABC depende, majoritariamente, de produtos de média tecnologia, feitos a partir de processos que requerem níveis moderados de pesquisa e desenvolvimento, mão de obra especializada e que são confeccionados em massa. Por exemplo, veículos e peças, motores e maquinário industrial. Do total dos itens exportados, 77,14% integram essa categoria e, dos importados, 49,38%.

Ao mesmo tempo, a venda de produtos de alta tecnologia a outros países é minoria (2,86%), e a compra tem volume significativo (11,12%). Entram na classificação itens que demandam alto grau técnico de especialização e dependem de infraestrutura tecnológica sofisticada, como equipamentos de telecomunicação, turbinas, itens aeroespaciais, farmacêuticos e eletroeletrônicos.

Esse cenário é explicado pela concentração da indústria automobilística na região, que demanda mais produtos de média tecnologia. Especialistas, porém, alertam para o desafio de aumentar a participação de tecnologia no desenvolvimento local para melhorar as relações comerciais e elevar o faturamento das indústrias regionais.

Os dados foram levantados pelo Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e compreendem os anos de 2007 e 2017. Ao longo dessa década, os itens de alta tecnologia diminuíram sua participação nas exportações de 3,43% para 2,86%, o que representa movimentação de US$ 154 milhões.

“Temos de ousar inserir o nosso parque exportador, especialmente da indústria, nessa parte mais nobre do comércio exterior, que tem alta complexidade tecnológica. É uma área que precisa crescer, apesar de não ser inexpressiva. Temos 2,86%, mas podemos almejar ser 15%. Precisamos fixar metas em dez, 15 e 20 anos e reunir programas e instrumentos para que essa meta se viabilize”, avaliou o professor da Escola de Negócios da USCS e coordenador do Conjuscs, também responsável pelo estudo, Jefferson José da Conceição.

O mestrando Gustavo Kaique Ataújo Monea, um dos autores da pesquisa, reforçou que o valor agregado está dentro da exportação de alta tecnologia, o que deve gerar maior renda para a região. “Apesar de termos projeção de crescimento, com a chegada da indústria aeroespacial Saab (que em São Bernardo vai chamar SAM – Saab Aeronáutica Montagens, e vai fabricar partes de aviões-caça), ainda não evoluímos. O debate é saber como vamos conseguir caminhar, porque a nossa balança comercial é praticamente a mesma há dez anos. É muito importante sair disso, porque daqui a pouco a nossa indústria não vai conseguir competir na mão de obra (diante do avanço da tecnologia)”, observou. Por exemplo, mesmo em uma montadora, se a filial da região não agregar valor ao produto, ele pode ser levado a outra planta brasileira ou para unidade na América Latina.

“Nossa região tem participação que oscila entre 2,5% e 3,5% nas exportações do País, número que depende muito do setor automotivo. É preciso aumentar tanto as vendas de média como as de alta complexidade. Para isso, uma série de políticas é necessária, como câmbio favorável, apoio de infraestrutura e até a construção de multinacionais brasileiras, o que favorece aumentar a exportação e ter domínio tecnológico do processo produtivo”, disse Conceição.

Em contrapartida, nas importações houve aumento no volume de produtos de alta tecnologia, de 9,37% em 2007 para 11,12% em 2017, o que corresponde a US$ 455 milhões. E parte do que é comprado poderia ser desenvolvida no País, e até no Grande ABC.


Indústria da Saúde pode ser oportunidade

Entre os caminhos para mudar cenário apontado no estudo estão o desenvolvimento de políticas públicas na região. Embora haja via de mão dupla entre exportações e importações, a recomendação é que as de alta tecnologia sejam desenvolvidas e discutidas regionalmente.

Para o professor e coordenador do Conjuscs, Jefferson José da Conceição, seria necessário criar grupo de trabalho envolvendo poder público, empresas e as universidades para a organização das cadeias produtivas. Ele cita que as empresas do setor da Saúde são fundamentais para que haja este adensamento, e que elas podem representar uma nova oportunidade para a região.

“Trata-se de uma área vital para o País porque diz respeito à necessidade das pessoas, e gera um deficit de pagamentos muito grande, principalmente nas importações de equipamentos e materiais, porque pagamos bastante royalties”, analisou Conceição. “A partir desse grupo de trabalho é possível identificar novos mercados para o Grande ABC, como uma indústria que também pode ter destaque, a exemplo da automotiva e da Defesa. Temos uma excelência acadêmica de formação e pesquisa, e conseguiríamos montar um plano de substituição de importações.”

A mestranda Gisele Yamauchi, que também fez parte do estudo e integra o Conjuscs, destacou que a quarta revolução industrial, que prega o uso da tecnologia como aliada da automação, precisa ser discutida e aplicada no Grande ABC. “Com o desenvolvimento da indústria 4.0 em outros países, como a Alemanha, que já estão muito à frente do Brasil, torna-se ainda mais necessário discutir isso, por conta da competitividade”, afirmou.  



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