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Exposição no Tomie Ohtake tem obras produzidas à época do AI-5, na ditadura militar


Daniela Pegoraro/Especial para o Diário

05/09/2018 | 07:41


Em contraponto às ideias socialistas do então presidente João Goulart, os militares tomaram o poder no Brasil em 1964. Iniciava-se ali uma ditadura que se seguiria por 21 anos: a população, sem direito ao voto, perseguida e torturada, principalmente quando se opunha ao governo. O maior símbolo da repressão do regime foi a instauração do AI-5 (Ato Institucional) em 1968, o qual entregava ao presidente vigente Arthur da Costa e Silva plenos poderes para repressão.

Os censores, representantes do regime militar que vetavam publicações, passaram a ocupar redações de jornais, enquanto artistas que criticavam a ditadura eram encarcerados. De modo a relembrar este turbulento período brasileiro, com foco na arte produzida à época, teve início ontem a exposição AI-5 50 Anos – Ainda Não Terminou de Acabar, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Dividida em seis núcleos, a exposição aborda as diferentes atuações de vários nomes do cenário artístico deste período. “No primeiro momento do golpe houve a politização dos artistas que se manifestaram em relação à sociedade. A partir do AI-5, essa opinião foi criminalizada. Eles passaram a agir como guerrilheiros e chegaram ao limite de produzir dentro de presídios”, explica o curador Paulo Miyada.

O foco da mostra é o campo das artes visuais, mas também apresenta as mais célebres produções na música, teatro e cinema. Obras de nomes como do artista plástico Helio Oiticica, do poeta Décio Pignatari, de Gilberto Gil (que foi preso 14 dias após a instituição do AI-5 e, tempos depois, exilado) e do cineasta Glauber Rocha figuram entre as escolhidas. “A exposição conversa com os dias de hoje relembrando os custos para a população que tiveram os princípios da democracia suspensos. Não podemos nos deixar tomar por um sentimento nostálgico do autoritarismo, porque corremos risco de voltar à mesma situação.” Embora a exposição recorde os acontecimentos passados, existem problemas que persistem. “Temos histórias que se repetem até hoje, como do incêndio que atingiu o Museu de Arte Moderna há exatos 40 anos e o que aconteceu ainda nesta semana, no Museu Nacional do Rio. Isso mostra a necessidade urgente de reorganização das instituições nacionais”, comenta Miyada.

Nesse sentido, para o curador, trata-se de evento de extrema importância. “Mais do que nunca a gente precisa resistir à nossa tradição. Somos um País que queima nossa história e esquece do passado. No entanto, tudo o que aconteceu continua vivo entre nós e tem custos até os dias de hoje no imaginário do Brasil”, finaliza.

AI-5 50 Anos – Ainda Não Terminou de Acaba
r – Exposição. No Instituto Tomie Ohtake (Av. Faria Lima, 201), em São Paulo. Até 4 de novembro, de terça a domingo, das 11h às 20h. Gratuito.  



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