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Para especialista, gratuidade do transporte de Sto.André tem de ser debatida e revista

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Rodrigo Verroni participaria de audiência na Câmara sobre sistema público, que foi cancelada


Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

04/09/2018 | 07:09


O especialista em transporte público Rodrigo Verroni, 40, afirmou que a questão da gratuidade no transporte coletivo de Santo André deveria ser analisada e revista. Com formação em Engenharia pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), Verroni afirmou que o número de pessoas que não pagam tarifa na cidade chega a 33%. “Assusta”, admitiu.

Verroni discutiria esse e outros temas relacionados ao transporte no município em audiência pública que estava prevista para acontecer ontem à noite, na Câmara de Santo André, mas o evento foi cancelado de última hora, sem que houvesse tempo para avisar todos que participariam do encontro. Populares chegaram a ir ao Legislativo para acompanhar a plenária e não esconderam o descontentamento.

“Estava preparado para debater algumas ideias. O número da gratuidade em Santo André assusta, já que um terço da população não paga passagem”, apontou Verroni. O especialista reconheceu incômodo de não ter sido avisado sobre o cancelamento da reunião. “Só fiquei sabendo quando cheguei aqui (Câmara). Deviam ter me avisado antes, já que fui convidado.”

Verroni também iria comentar como funciona o modelo da gratuidade no transporte em Santo André. Para o especialista, a administração tem a obrigação de debater essa questão, mas, segundo Verroni, esse debate tem que ser feito com responsabilidade. “Para a gratuidade funcionar, alguma receita tem que vir de algum lugar.”

Presidente da Câmara de Santo André, Almir Cicote (Avante) afirmou que foi pego de surpresa sobre o cancelamento da audiência. O parlamentar discorreu que só ficou sabendo quando foi alertado pela equipe do Diário. “Não sabia que tinham cancelado. Ninguém me avisou. Vou tentar entrar em contato com vereador que propôs o debate para ver o que aconteceu”, afirmou. A audiência pública foi convocada pelo vereador Willians Bezerra (PT). O debate foi cancelado pela segunda vez.

Willians Bezerra alegou que um conflito de agendas atrapalhou a organização da audiência pública, porém, foi evasivo ao detalhar o pedido de suspensão dos trabalhos. Na quinta-feira, o vereador protocolará pedido junto à Câmara para escolher outra data.

Com os acessos ao plenário fechados, somente dois adesivos grudados na porta de entrada da recepção da Câmara avisavam que a audiência pública tinha sido cancelada. Os guardas-civis municipais que ficam na entrada da Casa só tinham a informação do cancelamento, mas não sabiam explicar o motivo.

“Eu achei uma falta de respeito. Vim aqui para debater a questão do transporte e especialmente a importância do transporte para o idoso. Tinham que ter avisado antes”, disse o radialista Airton Marques, 66. “Temos que pressionar os vereadores para que ocorra essa audiência.”

Concessão do benefício já é discutida em outras cidades

A concessão da gratuidade no transporte público está sob revisão ou já sofreu mudanças significativas em outras cidades do País, como em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, ou Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Seguindo decisão da Justiça catarinense, somente idosos a partir de 65 anos podem andar gratuitamente nos ônibus da cidade. A decisão cancelou artigo de lei municipal que previa o benefício a pessoas a partir dos 60 anos de idade.

“O sistema de tarifa de Santo André é semelhante ao de outros municípios, mas o número de pessoas que não pagam passagem não é tão grande quanto aqui (em Santo André)”, afirmou Rodrigo Verroni.

Em Balneário Camboriú, uma empresa de ônibus pediu para que a Justiça revisse a questão da gratuidade. Num primeiro momento, conquistou liminar para rever a medida.

Porto Alegre também teve que rever a questão da gratuidade no transporte. Na cidade, a proposta era de limitar o teto de renda, cortar o uso da passagem escolar aos domingos e feriados e exigir identificação para policiais fazerem uso do benefício. A redução de passagem gratuita atingiria idosos e pessoas adoentadas.

Em outubro do ano passado, o presidente da AETC (Associação das Empresas de Transporte Coletivo do Grande ABC), José Romano Netto, alertou que em um espaço de médio e longo prazo o sistema de gratuidade ficará inviável. “Hoje o que se nota é que a arrecadação com as tarifas já não paga o custo do transporte”, disse ao Diário, à época.  



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