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'Falta consciência quanto à necessidade de preservação', diz museóloga andreense

Tania Rego/Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Manutenção de prédios e digitalização dos acervos podem ajudar a minimizar tragédias como a do Rio


Marília Montich
Do Diário OnLine

03/09/2018 | 19:59


O incêndio de grandes proporções que destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, chocou todos os brasileiros na noite do último domingo (2). O local, que completou 200 anos em 2018, abrigava cerca de 20 milhões de itens, entre fósseis, múmias e obras de arte. A maior parte do acervo virou cinzas em questão de horas. A tragédia trouxe, além de profunda tristeza, a necessidade de se repensar na forma como nossa história tem sido preservada. “Falta um pouco mais de consciência quando à necessidade de preservação. Deveria haver maior apropriação dos espaços, entender que ali se lida como a memória do povo e que é preciso cuidar dela”, afirma a museóloga e gerente de documentação e preservação cultural do Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa, Mayra Gusman de Souza.

A responsável pelo acervo andreense diz que ninguém está preparado para lidar com uma tragédia da proporção da que se viu no Museu Nacional, porém algumas atitudes podem – e devem – ser tomadas a fim de prevenir eventuais problemas. “Estamos em prédios antigos, muitas vezes tombados pelo patrimônio histórico. A manutenção desses edifícios é essencial, assim como a maior conservação do espaço. Trata-se de ponto central.”

Além disso, digitalizar o acervo é uma maneira de garantir que a história não se perca, não apenas em casos de incêndio mas também por conta da deterioração do tempo ou do surgimento de pragas. “A digitalização é uma forma de preservação, apesar de uma foto não se igualar a um objeto tridimensional, claro. Mesmo assim, é uma proteção”, diz Mayra. No Museu de Santo André, há cerca de 70 mil itens guardados. Deles, 50 mil, aproximadamente, foram digitalizados desde 2009. Outros setores da sociedade, na visão da museóloga, também deveria se mobilizar para guardar a memória da humanidade. “Não cabe só ao governo participar. A iniciativa privada poderia auxiliar nesse processo. A gente também faz parte dessa história.”

Panorama regional
A Prefeitura de Santo André, por meio da Secretaria de Cultura, informa que o Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa, Casa do Olhar Luiz Sacilotto e Casa da Palavra Mário Quintana, contam com equipe de brigadistas e equipamentos de prevenção, além da realização de vistorias periódicas. Destaca ainda que realizou recentemente, em 28 de agosto, treinamento da Brigada de Incêndio. Em nota, eles também disseram que a obtenção do AVCB no Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa, o imóvel ainda pertence formalmente ao Governo do Estado, e dentro destes trâmites é o proprietário quem solicita o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros.

Além do Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa, o Grande ABC conta com pelo menos outros 12 espaços destinados à exposições e preservação da memória local. Em Mauá, por exemplo, está situado o Museu Barão de Mauá, uma das duas únicas casas bandeiristas do Estado de São Paulo, com mais de 100 anos de existência.

Para o secretário de Cultura mauaense, Caio Evangelista, a manutenção da memória é vista como preocupante. Ele admite que não há investimento em segurança ou em conservação, fruto do descaso da última gestão. O que existe são projetos para que o quadro se reverta e o abandono dê lugar ao cuidado o mais rápido possível. “Falta entendimento sobre a necessidade de verba específica, o que vem à tona quando acontece tragédia como essa que acompanhamos no Rio de Janeiro. Nesse sentido, clamo pela atuação do Consórcio Intermunicipal, já que o Museu Barão de Mauá é patrimônio da região como um todo, e não apenas da cidade de Mauá.”

Há quatro meses, parte do acervo do museu mauaense foi roubado, o que evidenciou falta de segurança. “Situações como a de ontem acontecem por falta de manutenção e segurança. O assalto foi um exemplo e, para ter um incêndio ou outro tipo de problema, é fácil. É uma tragédia anunciada”, opina Evangelista.

Em São Caetano, os munícipes contam com dois espaços de culto à memória: o Museu Histórico Municipal e a Pinacoteca Municipal. Ambos são administrados pela Fundação Pró-Memória. Questionada, a fundação informou que o museu está adequado às normas vigentes de segurança com sistema de prevenção e combate, além de saídas de emergência. “Não há dotação orçamentária específica para esses aspectos, uma vez que o Museu é mantido pela Fundação Pró-Memória e não possui orçamento próprio”, disse, em nota, a Fundação Pró-Memória, que ressaltou que, apesar da falta de verba federal, há projetos da Prefeitura junto ao Ministério do Turismo.

As demais cidades não se pronunciaram até o momento.



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