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Pipas causam três cortes de energia por dia no Grande ABC

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

De janeiro a junho, foram 610 interrupções; 50% dos casos foram em Mauá e Santo André


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

01/09/2018 | 07:00


 Levantamento realizado a pedido do Diário pela AES Eletropaulo, concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica na região, mostra que de janeiro a junho deste ano o Grande ABC teve 610 interrupções no fornecimento de energia por causa de pipas, média de três casos por dia. Deste total, metade das ocorrências foi em Mauá e Santo André.

No período entre janeiro de 2015 e junho de 2018, foram 4.842 ocorrências na região. Mais da metade dos casos ocorrem em janeiro, julho e dezembro, meses de férias escolares.

A empresa destacou que atua para evitar acidentes com redes elétricas e, acima de tudo, preservar a segurança das pessoas. Por isso, realiza campanhas de conscientização da população. Além de realizar palestras sobre o uso seguro da energia elétrica, a concessionária distribui material educativo, faz publicidade em pontos de ônibus e publicações em suas redes sociais. Semanalmente, às sextas-feiras, a distribuidora também realiza a Blitz de Segurança em diferentes regiões de sua área de concessão, promovendo a conscientização sobre os riscos da rele elétrica.

Segundo a companhia, cidades como São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá já receberam esta ação em 2018. A AES Eletropaulo recomenda que pipas sejam empinadas em espaços abertos e afastados das fiações, como campos, parques ou praças. Porém, caso a pipa se enrosque, a distribuidora alerta que não se deve arremessar objetos nos fios, bem como tentar resgatá-las usando barras de ferro, pedaços de madeira ou qualquer outro utensílio. “A brincadeira, quando não leva em conta a segurança, pode ocasionar desligamentos na rede de energia e causar acidentes de alta gravidade”, informou em nota.

Além do próprio pipa enroscar nos fios, o cerol (mistura de vidro moído e cola) ou a chamada linha chilena, feita a partir de quartzo moído e óxido de alumínio, podem cortar a fiação. O Estado de São Paulo proibiu em 1998 a fabricação de cerol e, em 2006, o seu uso ou de outros produtos semelhantes. No Grande ABC, todas as cidades contam com legislações semelhantes.

O aposentado Carlos José Bonsaque, 69 anos, morador da Vila Pires, se incomoda com a quantidade de restos de pipas e rabiolas presos aos fios de energia em frente à sua casa. “Já aconteceu de dar um apagão em casa, na rua. Liguei na AES Eletropaulo, mas nunca fizeram nada”, reclamou. “E não tem só ‘moleque’, tem ‘marmanjo’ também. Agora que acabaram as férias diminuiu um pouco, mas de fim de semana ainda tem pessoas soltando”, completou.

Amantes da prática buscam locais seguros

Apesar dos altos números de ocorrência, há quem afirme procurar locais adequados para soltar as pipas. É o caso do bancário Juversil Mariano Gonzaga, 47, morador do Jardim Santo Alberto, em Santo André. “Solto desde os 5 anos e hoje conto com a companhia do meu filho Matheus, de 15. É uma atividade que fazemos quase todo fim de semana”, relatou.

“Costumamos ir ao Parque Capuava, na divisa com Mauá, onde existe grande descampado para justamente ficar longe da fiação elétrica”, garantiu. Gonzaga afirmou, ainda, que nesses momentos aproveita para estar com o filho. “É quando conversamos, sobre o que é certo e errado, é uma oportunidade de falarmos sobre a vida”, relatou, completando que também conversa com o adolescente sobre os riscos em empinar o brinquedo perto da rede elétrica.

O comerciante Carlos Porta, 50, morador de São Paulo, tem procurador locais mais distantes para soltar pipa. “Vamos para Barueri, Osasco, Taubaté. São muitas pessoas, a maioria com suas famílias, na rua não dá para mais para soltar”, afirmou. Tanto o comerciante – que na adolescência frequentava o bairro Camilópolis, em Santo André – quanto o bancário relataram que existe muito preconceito contra quem solta pipa.

Evento anual reúne ‘papagaios’ artísticos em Santo André

O Parque Central, em Santo André, recebe no dia 16 o 10º Festival de Pipas Artísticas dos Amigos. O evento, aberto a todos os públicos, ocorre das 10h às 16h. Haverá campeonato da prática em várias categorias: criatividade, beleza, maior tamanho, entre outros. Neste ano, duas equipes do Rio de Janeiro virão participar da atividade ao ar livre e gratuita.

Um dos organizadores do evento e integrante da equipe de pipas Os Amigos, o oficial de manutenção Maurici Pinto de Freitas, 41 anos, afirma que a atividade visa reunir as pessoas que admiram os ‘papagaios’ como uma arte. “Algumas pipas levam até 30 dias para ficarem prontas, é uma coisa que as pessoas se dedicam bastante”, relatou.

Sobre o cerol (mistura de vidro e cola) e a linha chilena (cortante), Freitas garante que todos os participantes são orientados a não fazer uso desses produtos. “Nos campeonatos isso é proibido. A gente fala com todo mundo, lembra sobre os perigos, mas sabemos que existem os combates, onde o objetivo é cortar a pipa do adversário. Nesses casos, a recomendação é que seja feito sempre em áreas abertas, mas sabemos que nem todos seguem”, completou.



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Pipas causam três cortes de energia por dia no Grande ABC

De janeiro a junho, foram 610 interrupções; 50% dos casos foram em Mauá e Santo André

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

01/09/2018 | 07:00


 Levantamento realizado a pedido do Diário pela AES Eletropaulo, concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica na região, mostra que de janeiro a junho deste ano o Grande ABC teve 610 interrupções no fornecimento de energia por causa de pipas, média de três casos por dia. Deste total, metade das ocorrências foi em Mauá e Santo André.

No período entre janeiro de 2015 e junho de 2018, foram 4.842 ocorrências na região. Mais da metade dos casos ocorrem em janeiro, julho e dezembro, meses de férias escolares.

A empresa destacou que atua para evitar acidentes com redes elétricas e, acima de tudo, preservar a segurança das pessoas. Por isso, realiza campanhas de conscientização da população. Além de realizar palestras sobre o uso seguro da energia elétrica, a concessionária distribui material educativo, faz publicidade em pontos de ônibus e publicações em suas redes sociais. Semanalmente, às sextas-feiras, a distribuidora também realiza a Blitz de Segurança em diferentes regiões de sua área de concessão, promovendo a conscientização sobre os riscos da rele elétrica.

Segundo a companhia, cidades como São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá já receberam esta ação em 2018. A AES Eletropaulo recomenda que pipas sejam empinadas em espaços abertos e afastados das fiações, como campos, parques ou praças. Porém, caso a pipa se enrosque, a distribuidora alerta que não se deve arremessar objetos nos fios, bem como tentar resgatá-las usando barras de ferro, pedaços de madeira ou qualquer outro utensílio. “A brincadeira, quando não leva em conta a segurança, pode ocasionar desligamentos na rede de energia e causar acidentes de alta gravidade”, informou em nota.

Além do próprio pipa enroscar nos fios, o cerol (mistura de vidro moído e cola) ou a chamada linha chilena, feita a partir de quartzo moído e óxido de alumínio, podem cortar a fiação. O Estado de São Paulo proibiu em 1998 a fabricação de cerol e, em 2006, o seu uso ou de outros produtos semelhantes. No Grande ABC, todas as cidades contam com legislações semelhantes.

O aposentado Carlos José Bonsaque, 69 anos, morador da Vila Pires, se incomoda com a quantidade de restos de pipas e rabiolas presos aos fios de energia em frente à sua casa. “Já aconteceu de dar um apagão em casa, na rua. Liguei na AES Eletropaulo, mas nunca fizeram nada”, reclamou. “E não tem só ‘moleque’, tem ‘marmanjo’ também. Agora que acabaram as férias diminuiu um pouco, mas de fim de semana ainda tem pessoas soltando”, completou.

Amantes da prática buscam locais seguros

Apesar dos altos números de ocorrência, há quem afirme procurar locais adequados para soltar as pipas. É o caso do bancário Juversil Mariano Gonzaga, 47, morador do Jardim Santo Alberto, em Santo André. “Solto desde os 5 anos e hoje conto com a companhia do meu filho Matheus, de 15. É uma atividade que fazemos quase todo fim de semana”, relatou.

“Costumamos ir ao Parque Capuava, na divisa com Mauá, onde existe grande descampado para justamente ficar longe da fiação elétrica”, garantiu. Gonzaga afirmou, ainda, que nesses momentos aproveita para estar com o filho. “É quando conversamos, sobre o que é certo e errado, é uma oportunidade de falarmos sobre a vida”, relatou, completando que também conversa com o adolescente sobre os riscos em empinar o brinquedo perto da rede elétrica.

O comerciante Carlos Porta, 50, morador de São Paulo, tem procurador locais mais distantes para soltar pipa. “Vamos para Barueri, Osasco, Taubaté. São muitas pessoas, a maioria com suas famílias, na rua não dá para mais para soltar”, afirmou. Tanto o comerciante – que na adolescência frequentava o bairro Camilópolis, em Santo André – quanto o bancário relataram que existe muito preconceito contra quem solta pipa.

Evento anual reúne ‘papagaios’ artísticos em Santo André

O Parque Central, em Santo André, recebe no dia 16 o 10º Festival de Pipas Artísticas dos Amigos. O evento, aberto a todos os públicos, ocorre das 10h às 16h. Haverá campeonato da prática em várias categorias: criatividade, beleza, maior tamanho, entre outros. Neste ano, duas equipes do Rio de Janeiro virão participar da atividade ao ar livre e gratuita.

Um dos organizadores do evento e integrante da equipe de pipas Os Amigos, o oficial de manutenção Maurici Pinto de Freitas, 41 anos, afirma que a atividade visa reunir as pessoas que admiram os ‘papagaios’ como uma arte. “Algumas pipas levam até 30 dias para ficarem prontas, é uma coisa que as pessoas se dedicam bastante”, relatou.

Sobre o cerol (mistura de vidro e cola) e a linha chilena (cortante), Freitas garante que todos os participantes são orientados a não fazer uso desses produtos. “Nos campeonatos isso é proibido. A gente fala com todo mundo, lembra sobre os perigos, mas sabemos que existem os combates, onde o objetivo é cortar a pipa do adversário. Nesses casos, a recomendação é que seja feito sempre em áreas abertas, mas sabemos que nem todos seguem”, completou.

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