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Projeto Locomotiva, que comemora hoje 10 anos de existência, quer romper as fronteiras do País


Miriam Gimenes

02/09/2018 | 07:23


Matheus Guimarães, 18, de Santo André, quando criança, não ligava muito para música. Foi sua avó quem ouviu durante um culto na igreja evangélica que teria início, em poucos dias, um projeto que ensinaria o uso instrumentos para as crianças e resolveu inscrevê-lo. À contragosto, o garoto foi ao primeiro dia de aula – que exatamente hoje completa-se uma década deste ingresso – e começou assim a história de sua ‘viagem’ puxada por uma máquina a vapor.

Explica-se: o rapaz em questão foi um dos primeiros nove alunos do Projeto Locomotiva, uma ONG sem fins lucrativos que assiste, por meio do ensino gratuito da música no contra turno escolar, crianças e adolescentes de 7 a 17 anos de Santo André e região. “Nós nos organizamos e imprimimos folhetos divulgando as aulas no bairro (Parque João Ramalho). Começamos com nove alunos e 22 instrumentos. Em menos de um mês do início das atividades (2 de setembro de 2008) já tínhamos uma lista de espera. Os folhetos que sobraram apodreceram”, lembra o idealizador do projeto e maestro Rogério Schuindt, que se inspirou no Projeto El Sistema, criado em 1975 na Venezuela, que promovia aulas diárias, gratuitas e apresentações frequentes.

Ele fez o mesmo desde então. Todos os dias os participantes do projeto têm duas horas de aula, no período da manhã ou tarde e, em contrapartida, têm de estar matriculados na escola, comprovar boas notas e seguir à risca o que o professor ensina nas aulas musicais. “Precisamos também nos apresentar a cada 15 dias pelo menos, senão é muito desestimulante. É como o jogador de futebol que treina e na hora do jogo não entra em campo.” Se no início eles tinham de procurar lugares para se apresentar, diz o maestro, agora falta espaço na agenda.

E um dos destaques não só nas escolas – hoje são duas unidades, uma em Santo André, na Avenida dos Estados, e outra em Mauá – quanto nas apresentações é o garotinho que não gostava de música. “Eu só vinha porque minha avó mandava, só queria saber de jogar bola. Depois comecei a pegar gosto e quando fiz meu primeiro solo com violino encontrei o caminho para minha vida”, confessa Matheus Guimarães, que hoje é professor no projeto e também é o spalla da orquestra, ou o ‘primeiro-violino’.

Histórias de mudança de vida como a dele, segundo Schuindt, foram muitas ao longo dos anos. É que ao todo, já passaram pela ‘sua batuta’ 800 alunos – muitos viraram músicos profissionais – e atualmente, juntando as duas unidades, tem 141. Além de, é claro, uma lista de espera com 40 nomes. E revela: há interessados em levar o projeto para São Paulo, Rio de Janeiro, em Moçambique, na África, e na Índia. “O nosso alvo sempre foi esse: crescer junto. Estamos trabalhamos por isso.”  



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Projeto Locomotiva, que comemora hoje 10 anos de existência, quer romper as fronteiras do País

Miriam Gimenes

02/09/2018 | 07:23


Matheus Guimarães, 18, de Santo André, quando criança, não ligava muito para música. Foi sua avó quem ouviu durante um culto na igreja evangélica que teria início, em poucos dias, um projeto que ensinaria o uso instrumentos para as crianças e resolveu inscrevê-lo. À contragosto, o garoto foi ao primeiro dia de aula – que exatamente hoje completa-se uma década deste ingresso – e começou assim a história de sua ‘viagem’ puxada por uma máquina a vapor.

Explica-se: o rapaz em questão foi um dos primeiros nove alunos do Projeto Locomotiva, uma ONG sem fins lucrativos que assiste, por meio do ensino gratuito da música no contra turno escolar, crianças e adolescentes de 7 a 17 anos de Santo André e região. “Nós nos organizamos e imprimimos folhetos divulgando as aulas no bairro (Parque João Ramalho). Começamos com nove alunos e 22 instrumentos. Em menos de um mês do início das atividades (2 de setembro de 2008) já tínhamos uma lista de espera. Os folhetos que sobraram apodreceram”, lembra o idealizador do projeto e maestro Rogério Schuindt, que se inspirou no Projeto El Sistema, criado em 1975 na Venezuela, que promovia aulas diárias, gratuitas e apresentações frequentes.

Ele fez o mesmo desde então. Todos os dias os participantes do projeto têm duas horas de aula, no período da manhã ou tarde e, em contrapartida, têm de estar matriculados na escola, comprovar boas notas e seguir à risca o que o professor ensina nas aulas musicais. “Precisamos também nos apresentar a cada 15 dias pelo menos, senão é muito desestimulante. É como o jogador de futebol que treina e na hora do jogo não entra em campo.” Se no início eles tinham de procurar lugares para se apresentar, diz o maestro, agora falta espaço na agenda.

E um dos destaques não só nas escolas – hoje são duas unidades, uma em Santo André, na Avenida dos Estados, e outra em Mauá – quanto nas apresentações é o garotinho que não gostava de música. “Eu só vinha porque minha avó mandava, só queria saber de jogar bola. Depois comecei a pegar gosto e quando fiz meu primeiro solo com violino encontrei o caminho para minha vida”, confessa Matheus Guimarães, que hoje é professor no projeto e também é o spalla da orquestra, ou o ‘primeiro-violino’.

Histórias de mudança de vida como a dele, segundo Schuindt, foram muitas ao longo dos anos. É que ao todo, já passaram pela ‘sua batuta’ 800 alunos – muitos viraram músicos profissionais – e atualmente, juntando as duas unidades, tem 141. Além de, é claro, uma lista de espera com 40 nomes. E revela: há interessados em levar o projeto para São Paulo, Rio de Janeiro, em Moçambique, na África, e na Índia. “O nosso alvo sempre foi esse: crescer junto. Estamos trabalhamos por isso.”  

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