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Sonho não impossível

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Cidadania italiana pode ser reconhecida direto na Itália, mas é necessária atenção


Vinícius Castelli

30/08/2018 | 07:18


Muita gente sonha resgatar as origens italianas e ter a tão sonhada cidadania. Seja para passar aos filhos, para ir embora do Brasil e tentar vida nova, ou apenas para ter o que lhes é de direito. Hoje, cerca de 25 milhões de brasileiros podem ir atrás disso. Mas para conseguir o famoso passaporte vermelho, que permite ao cidadão viver e trabalhar em qualquer país da União Europeia, o processo via Consulados italianos no Brasil pode demorar até cerca de 10 anos, por conta da alta demanda de pedidos, das longas filas de espera e por muitas famílias não terem atualizados seus cadastros com o passar dos anos.

No entanto, há uma outra saída para os ítalo-brasileiros que queiram que o processo se realize com mais agilidade (em torno de seis meses, em média) e de forma legal, que é direto na Itália. Para isso, os interessados contam com a ajuda de assessorias especializadas em cidadanias que fazem processo por lá. Mas é preciso investir tempo, dinheiro e ter cuidado.

O mauaense Murillo Portari é proprietário da Cittadino Europeo (www.cittadinoeuropeo.com.br), assessoria especializada no processo de cidadania italiana e que está instalada na região do Piemonte, Norte da Itália, com representação no Grande ABC. Ele foi para lá há anos para tirar sua cidadania e enfrentou diversas dúvidas. “Não imaginávamos o quanto era difícil alugar imóvel e nem que havia tanta divergência de interpretação das leis entre os comunes (prefeituras)”, explica. “Começamos a trabalhar a cada dia com mais aperfeiçoamento nas leis e muita seriedade”. Entre os serviços que presta estão cidadania por casamento, tradução, reconhecimento para os filhos menor de idade, busca de documentos e outros. “Auxiliamos quem quer vir para cá e não tem a facilidade de falar a língua”, ressalta.

Juliana Amoroso Corraini, diretora da GHF Consult Brasil (www.ghfbrasil.com.br), com sede em São Caetano e escritório na Itália, também na região do Piemonte, começou a trabalhar com assessoria de cidadania italiana devido “às incessantes pesquisas para descobrir as origens de sua família”. Ela diz que mesmo quem não tem nenhum documento em mãos pode começar contratando o serviço de pesquisa dos mesmos. Traduções e retificações são alguns dos trabalhos oferecidos por ela.

As assessorias, geralmente, fazem serviços de pesquisa, busca de documentos necessários para o trâmite e mais. Recebem o interessado na Itália, conduzem para fazer declaração de presença no país – necessária para quem chega lá por outro lugar da Europa –, ajudam nas conversações, afinal, não são todos que falam o idioma. Também atendem a outras necessidades como apresentar todos os documentos exigidos no orgão local necessário. Tudo depende de cada caso. Vale ressaltar que uma vez lá, o interessado tem de comprovar a moradia na Itália e para isso deve aguardar visita do fiscal (vigile), o que pode demorar até 45 dias.

Juliana avisa que tem direito à cidadania filhos, netos, bisnetos, trinetos e tetranetos de italiano, desde que a linhagem seja paterna. Tendo mulheres na árvore genealógica, o filho desta primeira mulher, se nascido após 1948, também tem direito e poderá transmitir aos seus descendentes. Para mulheres, cujo filho nasceu antes de 1948, o processo deve ser realizado por vias judiciais na Itália. Vale lembrar que ao obter a cidadania italiana, o cidadão não perde a brasileira.

Falar de valores para esses serviços é difícil, segundo Juliana e Portari, pois vai a partir da necessidade de cada cliente. Romilson Cavalli Rocha, de São Caetano, fez o processo em 2017, e passou cerca de um mês na Itália. “A ideia de fazer a cidadania partiu do fato de ter três filhos maiores e ser uma maneira de abrir a porta do mundo para eles, resgatando a cidadania do meu bisavô”. Gastou em média, com assessoria, cerca de 3.500 euros (a moeda custava naquele ano de R$ 3,25 a R$ 3,84, e hoje sai por R$ 4,83, aproximadamente). Além do acompanhamento, Rocha teve direito a 45 dias de hospedagem e traslados. Isso sem contar com alimentação no local e passagens aéreas. Ele estudou muito bem antes de tomar a decisão. “A gente acaba fazendo algumas pesquisas. Vi que se tratava de escritório de boa índole. Me deu segurança de seguir adiante”, explica.

SE INFORMAR É BOM
O Consulado da Itália em São Paulo afirma em seu site que não reconhece agências de consultoria para processos de cidadania italiana, despachantes ou intermediários de qualquer tipo. Por isso, vale ler tudo o que puder e falar com quem já fez o processo antes de tomar qualquer decisão. Até mesmo para não passar por problemas como ter sua cidadania cancelada, fato que aconteceu neste ano com quem fez na região de Ospedaletto Lodigiano. No total, mais de mil brasileiros perderam seus direitos por conta de fraudes no processo.

Para Portari, um dos maiores medos que ele percebe em quem se interessa em contratar assessoria é perder o valor que investiu, além da decepção de ver o sonho jogado no lixo por conta de “conterrâneos que usam de má fé para ganhar dinheiro ilicitamente”. Por isso, ele adverte que é necessário “buscar o maior número de informações sobre quem escolher e, não somente olhar o valor cobrado e as vantagens mirabolantes prometidas”.

Segundo Juliana, os interessados em tirar suas cidadanias devem ter cautela e saber como será feita a residência na Itália, “se não há interferências que possam influenciar de alguma forma o processo de maneira irregular”.

Outro fator importante que tanto Juliana quanto Portari reforçam é que, na hora de contratar uma assessoria, o interessado deve assinar contrato que dê segurança. “O mais importante é que o assessor esteja presente na Itália e também tenha empresa no Brasil, pois o contrato deve ter valor em território brasileiro. Dessa forma qualquer problema pode ser dirimido na justiça brasileira”, afirma a representante da GHF.
 



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