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Artista da região, Yasuichi Kojima ganha mostra em Mauá para celebrar 50 anos de pintura


Vinícius Castelli

27/08/2018 | 07:00


Dono de fala tranquila, educação e pontualidade impecáveis, Sr. Kojima, como é carinhosamente conhecido, é sobrevivente da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Viu de perto cidades de seu país, o Japão, sendo atacadas. A vida fez com que saísse do local onde nasceu, Tajimi, na província de Guifu, e viesse para o Brasil. Desembarcou no porto de Santos em 1953, seguido pela família, anos depois. Chegou com apenas US$ 50 no bolso, em busca de nova vida e oportunidades. Encontrou tudo isso na região, onde vive até hoje.

Exímio ceramista e artista plástico, Yasuichi Kojima celebra agora, aos 84 anos, cinco décadas de carreira artística com a exposição Retrospectiva 50 Anos de Pintura Yasuichi Kojima, que pode ser vista em dois lugares de Mauá: na Pinacoteca Municipal e no Museu Barão de Mauá. As entradas são gratuitas.

Quem passar pela Pinacoteca poderá apreciar 23 telas, além de cerâmicas – vale lembrar que o artista montou, em 1960, com a família em Mauá a Porcelana Kojima, que segue com os fornos ativos até hoje. Já o Museu apresenta ao público 20 pinturas e cerâmicas. Há peças do acervo do artista e de coleções particulares. “São obras novas e do começo de minha carreira também. Todas em tinta a óleo. Não uso acrílica”, explica Kojima ao Diário.

As peças mostram a sensibilidade do artista, principalmente ao pintar sua terra natal. Entre os destaques está a tela Casa Que Morava No Japão, de 1965. Como o próprio título denuncia, é a memória do artista a respeito de onde cresceu. “Morávamos em seis pessoas lá e o local era muito quente. É um vale e não tem vento. Chega a fazer 40 graus (Celsius)”, diz.

Outra tela que o artista destaca, e que não passa despercebida aos olhos de quem vai ao local, é Pincelada. “Essa obra é essencial para mim. É de 1968. Foi feita com pincéis velhos, já duros, que ia jogar fora”, afirma.

Contemporâneo de artistas como João Suzuki (1935-2010) e Luiz Sacilotto (1924-2003), Kojima explica que sua obra mudou ao longo dos anos. “No começo, fazia abstrato e passei para o figurativo. Foi uma mudança natural. Isso acontece com todos os pintores, mas a maioria faz o contrário, começa no figurativo e vai para o abstrato”, explica.

Para Cecília Camargo, curadora da exposição em cartaz na Pinacoteca e responsável pelo local, Kojima é artista de enorme importância. “Ele transita do abstrato para o figurativo. O fato de ele ter feito esse caminho inverso é algo a se destacar e isso está relacionado com tudo o que ele faz”, explica. Outro ponto levantado por Cecília é o fato de Kojima ter uma marca em seu trabalho. “Quando alguém olha para uma de suas obras já sabe que é dele”, diz.

Retrospectiva 50 Anos de Pintura Yasuichi Kojima – Exposição. Na Pinacoteca de Mauá – Rua Gabriel Marques, 353. No Museu Barão de Mauá – Av. Getúlio Vargas, 276. De segunda a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados, das 10h às 15h. Até 16 de setembro. Entrada gratuita.



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