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No escurinho do cinema

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Salas de rua que atraíram multidões no Grande ABC acabaram, mas o amor prevaleceu


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

26/08/2018 | 07:00


 O longa-metragem norte-americano Onde Começa o Inferno, protagonizado por John Wayne (1907-1979), fez sucesso no ano em que estreou, em 1959, tanto que foi considerado um dos melhores westerns da história. Com direção de Howard Hawks, o filme, que chegou no Brasil alguns anos depois, tinha diálogos divertidos e contava a história do xerife John T. Chance, que enfrentava sozinho um ‘bandido’ da pequena região de Presidio, no Texas.

Nem o nome tampouco o enredo soam românticos, mas foi este o primeiro filme que o casal Mazinha Cassolari, 72 anos, e Jair Cassolari, 71, assistiram juntos no antigo Cine Theatro Carlos Gomes, em Santo André. Se na tela do cinema o dueto mocinho versus bandido rendia apenas cenas típicas de bang-bang norte-americano, na plateia ocorreu absolutamente o contrário.

O casal, que se conheceu em uma festa junina na rua Senador Flaquer, no Centro de Santo André, marcou o primeiro encontro – um dia depois, mais precisamente em 26 de junho de 1966 – em uma das das pouco mais de 30 salas de cinema de rua que existiram no Grande ABC. “Nós éramos muito fãs de cinema. Aquela foi só a primeira vez de muitas. Costumávamos também ir no Cine Tangará e no Tamoyo”, lembra Mazinha. Casaram-se quatro anos depois e formaram família com quatro filhos e dois netos.

Enredos como esse, diz o historiador das salas de cinema de São Paulo Atílio Santarelli, morador de São Caetano, são muitas. Sua tia mesmo, já falecida, conheceu o marido com quem passou toda vida em uma sala em São Caetano. “Cresci dentro dos cinemas do Grande ABC, minha família teve salas na região toda. Vi muitas pessoas que começavam relacionamentos entre uma sessão e outra”, lembra.

Ele ressalta que eram outros tempos. “Quando você comprava ingresso tinha direito a dois filmes. No intervalo de um para o outro, devido as dimensões enormes dos cinemas, acendia a luz de projeção, os homens ficavam andando e as moças ficavam sentadas, rolava aquela paquera. Depois iam para sala de espera, que não existe mais hoje nos shoppings. Não é mais a mesma coisa.”

Não mesmo. O aposentado José Liberato Daga, 66, que conheceu a mulher Adalice Daga, 63, no Cine Tangará, em Santo André, diz que hoje, se um homem tentar se aproximar de uma mulher no cinema, pode ser mal-interpretado. “Ele pode ser acusado de assédio. Antes era uma coisa mais saudável, sem maldade. Havia a paquera, mas o respeito era maior.”

Acabou-se, portanto, toda atmosfera que envolvia o cinema de rua – o último a fechar no Grande ABC foi o Cine Vitória, de São Caetano, em 1996. “Foram muitas coisas que levaram a isso mas, principalmente, foram novas formas de lazer que surgiram ao longo dos anos”, analisa Santarelli. O primeiro golpe, segundo ele, foi o advento da indústria automobilística, que fez as pessoas terem carros para se deslocarem em busca de entretenimento. “Depois veio a televisão, o videocassete, as lanchonetes. Hoje tem Netflix. O cinema teve de se modernizar muito para não perder terreno”, completa.

Mas no coração de Vera Lucia Prearo Oliveira, 74, de Santo André, a sétima arte nunca perdeu a vez. Tanto que seu marido, Paulo Roberto de Oliveira, 75, com quem costumava ir muito nas salas do Grande ABC – onde começaram namoro, já que na escola não era permitido –, partiu no ano passado, vítima de câncer, mas deixou para ela o seu legado e paixão pelo cinema. “Depois que se aposentou e começou a trabalhar em casa ele ‘baixava’ muitos filmes. Deixou muita coisa para mim, alguns recentes, outros antigos, muitos clássicos. Sempre paro para rever tudo o que fez parte da nossa história”, lembra, emocionada. Assistindo a eles, diz, mata a saudade, fica longe de qualquer problema e perto de um final feliz.



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