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Cenário político pesa e dólar atinge R$ 4 pela primeira vez em 30 meses

Marcello Casal Jr/Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


21/08/2018 | 18:49


Em alta há cinco sessões consecutivas, o dólar à vista subiu 2,13% nesta terça-feira, 21, e superou a barreira dos R$ 4 pela primeira vez em 30 meses. A escalada foi mais uma vez alimentada por temores em relação ao cenário eleitoral, em meio à divulgação de pesquisas eleitorais desfavoráveis ao candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin. Ao final dos negócios do mercado à vista, o dólar foi negociado a R$ 4,0414, maior valor de fechamento desde 18 de fevereiro de 2016 (R$ 4,0493).

Profissionais ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, apontaram forte componente especulativo na puxada das cotações no mercado futuro, no qual grandes investidores estariam testando o Banco Central, à espera de uma atuação para conter distorções. Por outro lado, agentes do mercado que apostavam em um dia mais tranquilo acabaram por acionar ordens de "stop loss" (interrupção de perdas), que levaram as cotações a renovarem máximas até os minutos finais de negociação.

"Todo esse movimento foi gerado pelas pesquisas eleitorais que têm sido divulgadas desde a última sexta-feira. A percepção é de enfraquecimento de Alckmin, resiliência de Bolsonaro e transferência de votos de Lula para Haddad. Com isso, o mercado passa a precificar um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad", disse Fernanda Consorte, estrategista de câmbio da Ourinvest.

A estrategista, no entanto, afirma considerar muito cedo para tamanha repercussão das pesquisas eleitorais, uma vez que a campanha na TV ainda não teve início. "Estudos indicam que a TV ainda é importante fonte de informação e decisão do eleitor. Portanto, por mais que as pesquisas recentes interfiram nos negócios, é cedo para dizer que o cenário esteja definido", afirmou a profissional.

No que diz respeito às pesquisas, os investidores seguiram atentos principalmente ao potencial de transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. Um dos detalhamentos da pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo, divulgada no início da noite de ontem, indica que, caso Lula seja impedido pela Justiça Eleitoral de concorrer ao Planalto, metade dos eleitores que declaram voto nele diz que votaria ou poderia votar em Haddad.

Para Marcos Trabbold, gerente de operações da B&T Corretora, o comportamento do mercado tem sido exagerado diante de um cenário ainda inconclusivo, com pesquisas que ainda não captam o tempo de TV que cada candidato terá. Para ele, houve importante componente especulativo na recente puxada das cotações, com investidores testando o Banco Central.



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