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Triplica número de milionários na corrida presidencial deste ano

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Fim do financiamento privado fez surgir mais candidatos capazes de autoprover campanha ao Palácio do Planalto


Raphael Rocha

19/08/2018 | 07:39


Esta será a primeira corrida presidencial com a proibição de utilização de recursos empresariais nas campanhas e esse limitador já provocou aumento no número de presidenciáveis milionários no pleito. Se em 2014 somente três candidatos declararam patrimônio que superava a casa do R$ 1 milhão, agora são nove com soma de bens milionária, três vezes mais.

Em números absolutos, os dados são ainda mais impressionantes. A soma de todas as posses dos 11 presidenciáveis de quatro anos atrás – quando a regra da doação privada estava vigente – atingiu R$ 11,2 milhões. Agora, esse mesmo cálculo alcança a marca de R$ 833,7 milhões, uma alta de 7.368% (confira arte abaixo).

O volume é acrescido consideravelmente por duas candidaturas de figuras ligadas ao mercado financeiro. Diretor e integrante de diversas instituições bancárias – entre elas o Itaú-BBA –, João Amoêdo (Novo) declarou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) fortuna na ordem de R$ 425,1 milhões. Ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (MDB) também comandou o BankBoston e, à Justiça Eleitoral, informou ter R$ 377,5 milhões em posses.

Completam a lista de milionários nesta eleição João Goulart Filho (PPL), com R$ 8,6 milhões; Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com R$ 7,9 milhões; José Maria Eymael (DC), com R$ 6,1 milhões; Alvaro Dias (Podemos), com R$ 2,9 milhões; Jair Bolsonaro (PSL), com R$ 2,3 milhões; Ciro Gomes (PDT), R$ 1,7 milhão; e Geraldo Alckmin (PSDB), com R$ 1,4 milhão.

“É o reparo que se fazia quando da decisão tomada (de vetar o financiamento privado da campanha). Ao meu ver, foi de forma um tanto precipitada, muito no clamor da pressão da opinião pública e da mídia, que se proibiu doações de empresas, e que pode gerar, como acredito que tem gerado, distorções razoavelmente grandes. Embora possa ter contribuição das pessoas físicas, a tendência é que se reduza o espaço, margem de manobra daquelas campanhas que o candidato não tem patrimônio, e não tem como se autofinanciar. Então, aquele que tem poder de autofinanciamento grande, em tese, possui certa vantagem”, analisa o professor Rui Tavares Maluf, mestre em Ciência Política.

Há quatro anos, apenas Aécio Neves (PSDB), com R$ 2,5 milhões, Dilma Rousseff (PT), com R$ 1,7 milhão, e Eymael, com R$ 5,1 milhões, eram os presidenciáveis milionários. Por outro lado, as campanhas do tucano e da petista, que foram ao segundo turno, consumiram, oficialmente R$ 577,6 milhões – esse valor, porém, é contestado, já que empreiteiras admitiram pagamento de caixa dois para turbinar esses projetos eleitorais.

A escolha por candidatos que possam autofinanciar suas campanhas se tornou estratégica aos partidos políticos. Isso porque, como o País não tem cultura disseminada de doação de pessoa física para as empreitadas eleitorais, os projetos políticos são custeados basicamente por recursos do Fundo Partidário – R$ 1,7 bilhão dividido proporcionalmente para 35 legendas. Ou seja, o presidenciável paga a conta e o dinheiro público pode ser utilizado pela legenda para auxiliar candidaturas a deputados pelo País (um dos critérios para acesso maior ao fundo).

A definição do vice também passou a ser estratégica para o ponto de vista financeiro. Alvaro Dias, por exemplo, convidou Paulo Rabello de Castro (PSC), ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), para compor a chapa. O social-cristão declarou ter R$ 12,9 milhões em patrimônio. Em 2014, o vice com maior volume de bens era justamente o atual presidente da República, Michel Temer (MDB). Número dois da chapa de Dilma, o emedebista informou possuir R$ 7,5 milhões em posses.

“Com as empresas, por contraditório que seja, dava aos que tinham menos recursos mais condições de arrecadar. E justamente agora corre-se risco de ter distorções muito maior, entre aqueles que tem patrimônio elevado e os que não tem”, aponta Tavares Maluf. “Mas não digo que, necessariamente, o atual quadro é de todo ruim, porque como passa a ter possibilidade de chegar a audiência maior, via online, redes sociais, por exemplo, não precisam empregar tantos recursos, mas isso é teórico. Estamos num quadro muito recente de campanhas dentro desta situação. Mas o que parece é que possa acontecer.”

GOVERNADORES
O crescimento no volume de bens também foi registrado entre candidatos ao governo de São Paulo. Embora o número de postulantes milionários seja o mesmo de quatro anos atrás – três –, houve alta considerável no valor da soma dos patrimônios.

Se em 2014, todos os candidatos juntos informaram à Justiça terem R$ 23,2 milhões, agora essa quantia é de R$ 225,3 milhões. O acréscimo é puxado muito pela declaração do ex-prefeito da Capital e candidato do PSDB ao Palácio dos Bandeirantes, João Doria – o tucano disse possuir R$ 189,8 milhões. Em segundo lugar aparece o presidente licenciado da Fiesp, Paulo Skaf (MDB), com R$ 23,8 milhões. Rogério Chequer (Novo) fecha a lista dos atuais milionários, com R$ 9 milhões.

O salto de uma eleição para a outra foi de 868,41%. Curiosamente, Doria e Skaf lideram as pesquisas de intenções de voto ao governo do Estado. Por outro lado, Amoêdo e Meirelles estão muito longe do topo em levantamentos eleitorais presidenciais.
(Colaborou Fábio Martins) 



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