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Uma pequena oração para Aretha

Paul Sancya/AP  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

‘Rainha do Soul’ morre aos 76 anos e deixa admirável legado nos palcos, nos cinemas e na vida


Daniela Pegoraro

17/08/2018 | 07:00


 Dona de uma das vozes mais reconhecidas da música, a cantora norte-americana Aretha Franklin partiu deste mundo ontem, aos 76 anos, após luta que durou cerca de oito anos contra câncer de pâncreas. Consagrada como a Rainha do Soul na década de 1960, sua contribuição atravessa gerações e estilos musicais. “Ela era tudo, artista completa que transcendeu os patamares da música. Não era somente blues, soul ou gospel. Perdemos a maior voz que já passou neste planeta”, comenta o guitarrista de blues Igor Prado, de São Bernardo.

Aretha Louise Franklin nasceu em 25 de março de 1942, em Memphis, no Estado do Tennessee. Antes de atingir tamanho sucesso mundial, a cantora iniciou carreira participando de corais e cultos ministrados por seu pai na igreja, o pastor Clarence. Seu primeiro álbum foi gravado ali, quando ainda tinha 14 anos – hoje, o disco Aretha Gospel se encontra disponível em plataformas digitais. Suas raízes na religião foram de grande importância para o que viria adiante. Aretha foi responsável por transportar toda a matriz do gospel a gêneros musicais mais populares, como o jazz e o blues.

Isso se deu ainda na primeira gravadora em que assinou contrato, a Columbia. O objetivo era torná-la uma das maiores vozes do jazz. No entanto, foi em meados de 1960 que encontrou o seu rumo no soul, quando conseguiu emplacar seus maiores sucessos Respect e (You Make Me Feel Like) A Natural Woman. Ao longo de sua carreira – que também teve I Say a Little Prayer (1966) – foi premiada com 18 Grammy Awards, sendo um deles pelo conjunto de sua obra. Em 1987, se tornou a primeira mulher a entrar para o Hall da Fama do Rock and Roll. E não era apenas na voz que a artista se afirmava, tocava também piano, fazia os arranjos musicais das canções e fez participações especiais em filmes, como Os Irmãos Cara de Pau (Blues Brothers, 2008).

No entanto, sua figura se tornou importante para além da música. Tinha ainda o lado do ativismo político negro, visto que seu próprio pai era defensor dos direitos civis. Cantou em 1963 com Mahalia Jackson a fim de arrecadar fundos para a Marcha sobre Washington, evento liderado pelo ativista Martin Luther King e que ficou marcado na história como momento de força aos movimentos de igualdade racial nos Estados Unidos. A canção Respect, inclusive, foi adotada como hino feminista e dos direitos civis, como pode ser interpretada pelos versos Tudo Que Eu Estou Pedindo/É um Pouco de Respeito Quando Você Vier Pra Casa. Seu último show solo foi gravado em agosto de 2017. Mais tarde, naquele mesmo ano, declarou aposentadoria dos palcos.

Desde ontem, artistas têm se manifestado e feito homenagens. Um deles foi o ator Hugh Jackman, que se apresentou ao lado de Aretha no Tony Awards de 2005. “Foi experiência fora do corpo. Ela é uma das maiores cantoras de todos os tempos”, comentou em seu Twitter. Já em terras brasileiras, Elza Soares também prestou suas condolências por meio das redes sociais. “Que Aretha Franklin continue brilhando no céu e em todas as constelações! Ela deixou o mundo muito mais feliz. Que a gente a ouça e se lembre sempre com carinho.”



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