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Papel de pai recebido de surpresa

André Henriques/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Rapazes assumem seus filhos e vão contra a maioria dos casos de gravidez na adolescência


Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

12/08/2018 | 10:48


Em meio à rotina escolar, lazer e descompromisso da juventude, uma notícia que ressignifica o sentido de tudo, principalmente para os adolescentes. Hoje, no Dia dos Pais, o D+ conversou com jovens que, ainda na posição de filhos, precisam incorporar papel de patriarca.

Há dois meses, Lucas Dantas Cavalcante, de 15 anos, recebeu a notícia de que a namorada Vitória, 14 anos, está grávida. “Ficamos tensos. Era preciso contar para nossa família e não sabíamos como seria”, revela o garoto de Santo André. “Sabemos da importância em se prevenir contra doenças e gravidez. Mas, desta vez, aconteceu. Foi um susto.”

Ele está cursando o 6º ano do Ensino Fundamental e planeja terminar os estudos e arrumar emprego. “Não vou mais ficar saindo. Preciso cuidar da Vitória e do bebê. Quero ser um pai presente e acho que serei ‘babão’”, explica. As famílias dos adolescentes acolheram o casal e estão empenhados em ajudar com tudo o que for possível. “Minha mãe ficou uma semana de cama com pressão alta quando soube. Agora está do nosso lado”, conta. O parto está previsto para fevereiro.

Os cuidados com uma criança recém-nascida, as descobertas da paternidade e as madrugadas de choros já fazem parte da rotina de Gabriel Gomes Dias, 18 anos. A notícia de que seria pai veio em 2017 e, hoje, a pequena Giovanna tem 4 meses. “Foi um baque muito grande. Tinha acabado de voltar de intercâmbio, conheci minha esposa e começamos a namorar em março. Após três meses ela estava grávida”, narra o andreense.

O primeiro impacto não foi sobre a chegada da criança em sua vida e, sim, sobre como os familiares iriam reagir à notícia. “Primeiro falei com meu pai, a sós. Depois de dois dias reunimos nossos pais e falamos que, apesar de nossa idade, o certo para nós era casar. Já pensávamos nisso e só tivemos que antecipar o planejamento”, diz o estudante

O adolescente dá continuidade às aulas no curso superior de Engenharia Civil e trabalha na área junto ao pai. “Entendo que um filho não paralisa a vida de uma pessoa, apenas modifica. Há o desgaste físico, questão financeira e privação de várias coisas. Estou conciliando tudo. Tenho que fazer acontecer. Hoje entendo muito do que meu pai sempre me falou.”

Em média, a gravidez na adolescência acontece dos 16 aos 18 anos. Segundo Maria Madalena Mussulin Oliveira, agente de saúde da UBS Vila Euclídes, de São Bernardo, cerca de 40% das garotas levam a gravidez sozinhas sem a presença e ajuda dos parceiros. “(Na rede pública) Fazemos o teste de farmácia e depois o de sangue. Dando positivo, tanto a menina quanto o garoto devem fazer relação de exames para que nenhuma doença seja transmitida ao feto durante a gestação”, explica.

Tanto Lucas quanto Gabriel não pretendem aumentar a família em breve. Se pudessem, teriam esperado mais para formar família e encaram a surpresa que viveram como um plus em sua jornada. Neste ano, o Dia dos Pais será bem diferente para ambos.
 



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