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Livro liga J.Hawilla à região

Jornalista que monopolizou direitos esportivos teve carreira salva por empresário de Santo André


Anderson Fattori

11/08/2018 | 07:00


J. Hawilla morreu em maio. Deixou herança estimada em R$ 1,6 bilhão e legado de negociações obscuras que monopolizaram os direitos das transmissões esportivas no Brasil desde a década de 1980. Advogado, jornalista e homem de negócios, teve carreira salva por empresário de Santo André antes de se envolver em gigantesco esquema de propinas que desviou fortuna para bolsos de cartolas de todo o mundo, entre eles Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF. É o que contam Allan de Abreu e Carlos Petrocilo no livro O Delator, lançado em junho pela editora Record.

Poucos sabem, mas a nebulosa carreira de J. Hawilla poderia ter naufragado já no primeiro grande negócio que realizou com sua empresa, a Traffic. Segundo os autores, o empresário comprou os direitos de transmissão da Olimpíada de 1984, em Los Angeles, e, com patrocínio de R$ 10,9 milhões (em valores atualizados) da Petrobras, adquiriu espaço na TV Record e no SBT para transmitir o evento. Ele só ignorou o fato de que, na época, a Record não possuia rede nacional, o que fez a Petrobras desistir do negócio, deixando J. Hawilla com cheque a vencer de US$ 1 milhão. Por intermédio do amigo Milton Homsi, influente no mercado, chegou a Jorge Gito Chammas, dono do Moinho São Jorge, de Santo André, que lhe salvou.

Após reunião na sede da empresa, Jorge Chammas – que foi procurado pelo Diário, mas não foi localizado –, comprou parte da cota de patrocínio (cerca de R$ 2,72 milhões) e J. Hawilla conseguiu vender o restante (R$ 8,18 milhões) para o Guaraná Antarctica, salvando o negócio. “O Hawilla poderia ter quebrado ali”, conta no livro Milton Homsi, que foi o principal articulador do negócio.

Essa não foi a única passagem importante da vida de J. Hawilla que teve ligação com o Grande ABC. Em 1992, já conhecido mundialmente pelas articulações no meio esportivo, o empresário teve sua relação com a Federação Paulista de Futebol colocada sob suspeita depois que o então deputado federal de Santo André, José Cicote (1937-2013), ao lado dos também parlamentares petistas José Dirceu e Lucas Buzzatto pediram ao Ministério Público Federal para abrir inquérito, que mais tarde seria arquivado.

Preso em 2013 pelo FBI, a Polícia Federal Americana, fez acordo de delação e, inclusive, aceitou gravar conversas com vários dirigentes. Suas colaborações desencadearam no chamado Caso Fifa, a maior investigação sobre corrupção no futebol mundial, que tem mais de 40 réus, entre eles os três últimos presidentes da CBF – Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero – e os três últimos presidentes da Conmebol, Nicolás Leoz, Eugenio Figueredo e Juan Angel Napout.

J. Hawilla ainda aceitou pagar multa de US$ 151 milhões, mas até sua morte havia quitado apenas US$ 25 milhões. Ele morreu aos 74 anos, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, com problemas respiratórios. 



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