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Aluna é morta a caminho da escola

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

A estudante Paula Silva, 18 anos, seguia com amigas quando foi abordada por dois rapazes em moto no Jardim Aclimação, em Sto.André


Bia Moço
Marília Montich
Do Diário do Grande ABC

11/08/2018 | 07:00


 A Polícia Civil está à procura dos responsáveis pela morte da estudante Paula Freitas Silva, 18 anos, baleada após entregar celular e bolsa a dupla de assaltantes, anteontem à noite, no Jardim Aclimação, em Santo André. A menina morava no bairro Clube de Campo e estava a caminho da escola.

O crime aconteceu na Rua Paulo Emílio Sales Gomes, altura do número 100. Por volta das 19h10, a jovem estava a caminho da escola, na companhia de uma amiga. Enquanto parou para usar o banheiro de bar que fica na rua ao lado, dupla que ocupava moto modelo XRE com dois rapazes armados abordou a colega, que esperava no muro da escola na companhia de duas meninas.

Segundo S.G.C., 17, uma das garotas que estava com Paula, os dois homens anunciaram o assalto às três amigas com gritos de “perdeu”. Quando S. viu que Paula saía do bar, tentou avisar sobre o assalto, para que continuasse no estabelecimento. No entanto, os homens foram até ela e pediram bolsa e celular. S. relatou que Paula entregou o aparelho para um dos rapazes e disse ‘tá bom, toma o celular’. O garupa ficou irritado e, por achar que a vítima ‘debochou’ dele, perguntou à menina se ela estava “tirando com a cara” dele e atirou contra seu peito. Em seguida, os assaltantes jogaram os pertences de Paula ao lado do seu corpo e fugiram.

Outra amiga da vítima, não identificada, também teve o celular roubado. De S., os criminosos levaram a mochila onde carregava o material escolar. Muito abalada, ela não quis conversar com a equipe de reportagem.

As amigas chamaram a polícia e o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). A jovem chegou a ser encaminhada para o Hospital Estadual Mário Covas, também em Santo André, onde foram feitas tentativas de ressuscitação, porém ela não resistiu.

O caso foi registrado no 4º DP (Jardim), mas as investigações estão sob responsabilidade do 6º DP (Vila Mazzei). A equipe do Diário conversou com investigador que acompanhou a perícia e, de acordo com ele, a equipe recolheu imagens de câmeras de segurança de casas e estabelecimentos locais e realiza diligências para encontrar os responsáveis.

Amiga de Paula, Tamires Moura da Silva, 21, lamenta: “Era a pessoa errada, na hora errada. A Paula era tranquila, calma, respeitosa e querida por todos que a conheciam. Foi uma fatalidade do destino. Uma vida, a troco de um celular”.

A equipe de reportagem ouviu a vizinhança, que relatou que o crime aumentou a preocupação com a violência no bairro, que sofre com reincidência de assaltos. No entanto, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que desde o início do ano, 54 criminosos foram presos em flagrante na região e cinco armas de fogo foram apreendidas.

O Diário tentou contato com a família, que não quis falar. Em entrevista à Record, a mãe da vítima, Lucineide de Freitas, disse que como o celular da filha era velho e estava com a tela rachada o ladrão não gostou. E afirma que espera por justiça.

 

Há um ano, aluno morreu em assalto

 

Há exatamente um ano, e no Dia do Estudante – celebrado hoje –, o adolescente Vinícius de Lima Vilela, 15 anos, perdeu a vida em caso semelhante ao de Paula. Ele também foi morto a caminho da escola, após reagir a um assalto.

O crime aconteceu na Rua Caminho da Educação, na Vila Ferreira. em São Bernardo. O pai da vítima, o pedreiro José Pereira Vilela, 53, morreu 16 dias depois, após cair do quarto andar do prédio em que morava. No dia 11 ele presenciou o assassinato do filho – às vésperas do Dia dos Pais.

Vinícius de Lima Vilela era aluno do 1º ano do Ensino Médio da EE (Escola Estadual) Professor Mario Osório e levou tiro nas costas a poucos metros da instituição de ensino. O crime ocorreu por volta das 6h45. No local, a vítima foi abordada por um motoqueiro, que anunciou o assalto. Nas imagens das câmeras de segurança da Prefeitura foi possível ver que Vinícius foi atingido por um disparo após sair correndo, na tentativa de fugir do assaltante. A investigação do caso ficou a cargo do 8ºDP (Alvarenga).

Assim como a menina Paula, Vinícius foi descrito como um garoto tranquilo, tímido e bastante educado.

Frequentador da Igreja Evangélica Deus é Amor, ele foi batizado pouco tempo antes do crime por escolha própria. Também tinha boa relação com a mãe, de quem cuidava devido à mobilidade reduzida.

 

Após intimidação, protesto pacífico promovido por amigos perde força

 

Cerca de 30 alunos e colegas de Paula se reuniram, na noite de ontem, em frente à Escola Estadual Paulo Emílio Sales Gomes, onde a jovem estudava – curso EJA (Escola para Jovens e Adultos), no período noturno –, para manifestação contra a morte da amiga. Com velas e oração em pedido de paz, o protesto pacífico foi tomado por apreensão, por causa de movimento intensa de motociclistas que tentavam intimidar o ato, o que fez com que mais participantes fossem embora por motivo unânime: medo.

Durante a ação, pessoas não identificadas tentaram amedrontar os jovens, já pelo lado de dentro do portão da unidade. O clima tenso e sensação de perigo tomou conta não só dos jovens, mas também de moradores de ruas próximas – e sem iluminação – da escola.

Viaturas das polícias Militar e Civil, além de equipe do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos), realizaram ronda após a informação de dois assaltos iguais ao que causou a morte da garota. A denúncia era a de que dois homens em moto preta roubaram meninas às 19h10.

 



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