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'Ainda não me sinto preparado para ser candidato', diz Bernardinho

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Fabio Martins

06/08/2018 | 07:00


Técnico multicampeão com a Seleção Brasileira de Vôlei Masculino, incluindo as medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas, na Grécia (2004), e do Rio de Janeiro (em 2016), Bernardo Rezende, o Bernardinho, está, aos poucos ingressando na política. Hoje é embaixador do Novo, partido que lançará o banqueiro João Amoêdo ao Palácio do Planalto, pregando a necessidade de renovação e novas ideias no poder público. Porém, admite que não está preparado para ele mesmo liderar uma campanha. “Pessoas fazem comparação por causa do trabalho que fiz pela Seleção. É risco enorme”, afirma ele, cogitado para concorrer ao governo do Rio de Janeiro.

Como foi o ingresso no PSDB?
Em 2013, um ano antes da eleição de 2014, o então candidato à Presidência Aécio Neves, junto com o ex-presidente Fernando Henrique, me fizeram convite para ingressar no PSDB. Mais do que isso: me candidatar ao governo do Rio de Janeiro pelo PSDB. Eu nunca tinha me filiado a nada, não tinha participação política. Eles viam em mim potencial candidato pela liderança, histórico. Isso mexeu comigo, mas tinha muitas dúvidas em relação aquilo. Eles pontuaram sobre a questão jurídica, legal, que para se candidatar, eventualmente, precisa ter um ano de filiado – agora são seis meses. Eu, pró-forma, assinei ficha, tendo como testemunhas o Fernando Henrique e o Aécio. A filiação se deu única e exclusivamente por questões burocráticas, de ter filiação no caso de eu aceitar entrar na disputa. Dois meses depois, ainda em 2013, decidi que não era intenção. Fui a Brasília, me encontrei com o senador Aécio Neves e disse que não iria me candidatar, portanto, aquela era uma ficha sem nenhuma participação maior. Essa foi minha passagem pelo PSDB.

Antes deste episódio, houve outras relações com o tucanato, em campanha, antes de se filiar ao Novo?
No passado votei no PSDB, muitas vezes, inclusive, no Fernando Henrique, mas não tive participação maior do que isso. Logo depois desse episódio conheci o Novo, seus princípios, valores, ideal, já constituído naquele momento. Após conhecer o partido me filiei, voluntariamente, como apoiador. Agenda mais liberal, pessoas com ficha limpa, sem envolvimento com a política tradicional e antiga, aquela velha política, não quero generalizar, porém é um pouco deste tema, de práticas antigas. Só que é algo realmente novo, de mudança. Passa o momento de indignação, lamentação, para participação no sentido de apoiar boas ideias, bons candidatos. Fiz a minha parte e ajudei a eleger vereador no Rio de Janeiro, um jovem chamado Leandro Lira, rapaz preparadíssimo, idealista, engenheiro de formação, pós-graduado, tem dom, capaz. Fiz movimento. Ele poderia ganhar milhões de reais (na iniciativa privada), pois é genial. É aquele craque que todos querem no seu time, mas ele, realmente, quer trabalhar para fazer do Brasil um País melhor.

E a partir da filiação partidária e engajamento na campanha de 2016, o que o sr. tem projetado para o pleito deste ano? O sr. foi inclusive cotado novamente a ser candidato ao governo do Rio. O que o fez desistir?
Chegou uma fase da minha vida que tive muitos convites, propostas de fora (do País). Meu norte se tornou: ‘Não quero viver em outro país, quero viver em outro Brasil’. Para isso, cada um de nós tem que participar. Eu mesmo cheguei a ventilar candidatura no Rio. Mas temos que ter humildade de entender qual o nosso papel nessa história. Não fui um grande jogador (de vôlei). Fui ok, cheguei à seleção, tudo bem, mas tinham outros craques, sendo um monte aqui do Grande ABC, como William, Amauri, Montanaro, Renan, Badá, Bernard, Fernandão. Eu era um team player, jogador do time, coadjuvante e orgulhoso de fazer parte daquela geração. Mas fui um treinador, talvez, um pouco melhor. Me fiz muito mais como treinador, tentando motivar, incentivar. A questão de alocar recursos, por exemplo. São tantos recursos no País. Estamos (Novo) concorrendo em vários Estados para o Executivo, Legislativo. Quero apoiar, emprestar um pouco do que tenho diferente de muitos outros candidatos. O cargo anterior, de treinador da Seleção, me deu popularidade, as pessoas me conhecem, me reconhecem. Quando declinei da possível candidatura, as pessoas no Rio me cobraram. Sabem quem eu sou. Tenho maior prazer de interagir e de ter servido à Seleção, que é de todo mundo. Minha participação agora é de apoiador, que acredita no projeto, que vai apoiar e irá cobrar.

Pessoas do meio político colocam o seu título de embaixador do Novo, uma vez que a legenda ainda é desconhecida do grande público. Esse é o papel que o sr. pretende de fato desempenhar?
A ideia é exatamente essa. Trazer o conhecimento das ideias do Novo, propostas ao grande público. Uma das coisas que me seduziu no Novo, por exemplo, a sigla não usa verba pública para se promover. E não há sentido que agremiação, que é privada, um partido político, seja financiado com recursos dos nossos impostos. Isso é muito importante. Os recursos de Fundo Partidário e Fundo Eleitoral são, na minha opinião, mecanismos de perpetuação. Independentemente de um partido estar representando ou não seu eleitorado, ele vai se perpetuar, porque vai receber verbas públicas, o que lhe dá condições de fazer uma campanha muito mais forte. O Novo, ao não usar, estabelece que a única forma de obter apoio é sendo um legítimo representante daqueles apoiadores. Isso porque, se amanhã, não me sinto representado não doou mais minha cota mensal de R$ 30, por exemplo. É como ser assinante de revista. Se amanhã ela não mais me agrada, eu cancelo a assinatura. E a revista pode falir no fim das contas, mas se produz coisas de qualidade eu quero renovar. O Novo só se perpetuará como instituição se realmente defender os interesses daquelas pessoas que o apoiam. Isso é muito significativo. Tem agora MP (Medida Provisória) de retirar dinheiro do Esporte. Nunca se fala em diminuir os privilégios, não se cogita usar parte dessa verba gigantesca que vai para fundos todos, que têm intuito de manter essa turma reeleita, baseada a distribuição em razão do seu tamanho, bancada. Se perpetuam aqueles mesmos, independentemente de fazer um bom trabalho, e parece que não estão (desempenhando) até pelo enorme nível de rejeição. Esse é nosso sentimento como população. Isso é ruim. Não depende da produção. Apoio tem que vir porque representa. Líder precisa ter empatia com as pessoas, saber ouvir. A impressão que nós temos é que a grande maioria não nos ouve. Não há empatia. Claro que existem exceções, tem ótimos prefeitos, bons deputados. De forma geral, quando se olha num todo, foram relações que se quebraram ao longo do tempo.

Mas o que é possível fazer para alterar essa rota?
Há necessidade de mudança. Vejo muitas pessoas corajosas para ingressar no meio, em que muitas vezes desconhecem de certa maneira, e corajosas em largar situações até conforto para ingressar numa batalha. Tem vários exemplos de pessoas que querem contribuir, isso é admirável. Como posso me furtar de colaborar quando vejo jovens de espírito dispostos a isso, abrir mão... o próprio candidato a presidente do partido, João Amoêdo, empresário, bem-sucedido, poderia viver sua vida. Não iria afetá-lo, mas ele tem se dedicado a implantar algo diferente, mudar. Se é o ideal eu não sei. Jamais peço votos para tal pessoa. Peço às pessoas que estudem, avaliem, que efetivamente se informem a respeito e tomem posição correta, responsável. Convocar as pessoas a assumirem responsabilidade. Se amanhã eu escolho errado, todos nós erramos, já errei muitas vezes, não repitam o erro na próxima eleição, de votar novamente na pessoa aquela pessoa que não defendeu aquilo que prometia. Tem um ditado nos aposentos papais que diz: ‘É proibido se lamentar’. É tentar fazer alguma coisa, essa é minha função, catapultando, dando injeção de ânimo a campanha de pessoas que acredito que possam realmente dar contribuição enorme para o País.

Seu nome foi colocado, primeiramente, ao governo do Estado, e depois também para concorrer como vice do Amoêdo. Quais motivos lhe levaram a rejeitar neste momento? E há expectativa para entrar no páreo em 2020?
Nunca digo: ‘Eu não farei’, mas não me vejo como candidato. Não me via anteriormente. Já fui processado, para se ter noção, porque antecipei minha candidatura. Foi movida a ação. Tive que constituir advogado. Nunca me declarei candidato a nada. (Institutos) Fazem pesquisas de intenções de voto, meu nome aparece (na lista), mas isso não quer dizer que serão aqueles os candidatos. Gerou algum tipo de incômodo a certo establishment. Mas quando surgiu essa ideia, eu andando no Rio, várias pessoas até hoje vêm se lamentar da desistência. Comecei a ouvir série de declarações de apoio. Só que não me via dessa forma, subindo em palanque, não é coisa que queria (ser candidato). Treinador não sobe nem no pódio, quem sobe são os jogadores. Queria poder alavancar e fazer coisas pelos outros. Gosto desta missão de desenvolver os outros. Vi que eu estava começando a assumir coisa que era projeção dos outros para o que eu deveria fazer. Senti certo incômodo, de algumas pessoas me virem um pouco como salvador da pátria. Fazer a comparação: ‘Ah, esse cara fez um time, reverteu sentimento na Seleção, pode transformar também nosso Estado’. É risco enorme, e não me sinto preparado para tal. Não que considero que haja muitas pessoas preparadas em algumas situação. Mas é preciso ter humildade. Hoje temos, por exemplo, pré-candidato a governador (pelo Novo) chamado Marcelo Trindade, advogado, ex-presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), cara excepcional. Não tenho dúvida que é o melhor candidato, a melhor opção.

Mas e em 2020? Há chance?
Não sei, é para se pensar. Sou treinador do Sesc-RJ, da equipe feminina, professor na PUC-RJ, aula de empreendedorismo, consiste no conceito de liderança para jovens empreendedores. Acredito muito no binômio Educação-Empreendedorismo para mudar o País. E no esporte como ferramenta importante da Educação. Tem exemplo claro do jogador Serginho Escadinha, nascido em Pirituba. Poderia ter escolhido caminhos errados. O esporte deu a ele condições de transformação, mudança. Dirigentes não vislumbrarem isso caminha na contramão do mundo. A Islândia é país de 300 mil habitantes. Um estudo detectou índice muito alto de alcoolismo e consumo de drogas entre jovens. O que fizeram? Começaram a investir forte em esporte, como ferramenta de transformação. Começou a ser processo de mudança. Esse investimento acabou suscitando o crescimento de alguns esportes, vide futebol. Eles diminuíram índice de degradação humana. Tem a questão da evasão escolar. Investir em esporte é grande alternativa. Isso não é valorizado. Segurança é importante, mas esporte transforma. Há falta de visão revoltante, falta olhar o que acontece no mundo. Muita gente olha só os interesses próprios. Precisa de projeto nacional.

RAIO X
Nome: Bernardo Rocha de Rezende
Estado civil: Casado (com Fernanda Venturini, ex-jogadora de vôlei)
Idade: 58 anos
Local de nascimento: Nasceu e mora no Rio de Janeiro (RJ)
Formação: Economia, na PUC-RJ
Hobby: Pedalar
Local predileto: Itaipava (Rio de Janeiro) ou Porto de Galinhas (Pernambuco)
Livro que recomenda: Legado, 15 Lições de Liderança que Podemos Aprender com o Time de Rúgbi All Blacks, de James Kerr
Profissão: Ex-treinador, empresário e professor universitário
Onde trabalha: Palestras e sala de aula



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