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Grande ABC tem 9,4% da população com mais de 65 anos

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Envelhecimento dos habitantes vai exigir das administrações políticas públicas estruturadas


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

02/08/2018 | 07:00


 O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou na semana passada que em 2060 um quarto da população brasileira será formado por pessoas com 65 anos ou mais. No Grande ABC, essa realidade deve chegar antes. Segundo a Fundação Seade, em 2050 a região já terá quase 30% de idosos. Atualmente, de cada dez moradores um já tem mais de 65 anos (9,4% de 2,7 milhões). O diretor do Instituto de Pesquisa da USCS (Universidade de São Caetano), Leandro Prearo, destacou que o grande desafio das administrações será adotar políticas públicas permanentes para essa parcela da população.

“A região já tem uma massa populacional mais idosa na comparação com o resto do País, muito puxada por São Caetano, que já apresenta uma pirâmide etária invertida. Em termos de gestão pública, o que a gente avalia é que hoje o peso que existe dos investimentos na Educação será gradualmente transferido para atendimentos específicos aos idosos, que incluem assistência em Saúde, atividades laborais ou não e serviço de institucionalização”, explicou Prearo.

O diretor destacou os desafios para os cuidados específicos para a saúde dessa população, com grupos que vão demandar cuidados contínuos, como pacientes diabéticos e hipertensos, e os aqueles que demandarão cuidados mais intensos, como internação domiciliar. As prefeituras, ressaltou o especialista, também terão que oferecer vagas de longa permanência para idosos sem vínculos familiares, além de fiscalizar os serviços privados desta natureza.


NA ATIVA

“Existem também os idosos que continuam ativos, e para essa população é preciso a oferta de serviços públicos onde seja promovida a socialização e as atividades adequadas para a faixa etária, além do acompanhamento médico”, pontuou. 

Nesse quesito, o pesquisador lembra que a cidade de São Caetano sai na frente, pois já conta com infraestrutura para atendimento da população idosa. “As políticas públicas do município podem servir de exemplo para os demais da região”, afirmou. “Ainda assim, apesar de ter grande número de idosos e ampla rede de serviços, a administração não conta com uma Secretaria do Idoso, que a meu ver vai ser uma necessidade em algum tempo. A grande quebra de paradigma vai ocorrer quando as gestões encararem a questão do idoso dessa forma permanente, com área dedicada, como as secretarias de Cultura e de Juventude, por exemplo”, concluiu. 


S.Caetano conta com quatro centros de Educação e Saúde

São Caetano reúne a maior população idosa da região, com a proporção de uma pessoa e meia com mais de 60 anos para cada criança. Considerando a população total do município, 15,8% dos moradores têm 65 anos ou mais. Em 2050, a projeção feita pela Fundação Seade é que 30% dos habitantes sejam idosos. 

A cidade conta com quatro Cises (Centros Integrados de Saúde e Educação), complexos que oferecem atividades diversas para a população idosa, entre esportivas, aulas de idioma, de instrumentos musicais, ginástica e atendimentos médicos, entre outras. Uma das unidades conta com uma UBS (Unidade Básica de Saúde) no mesmo prédio.

No Cise Moacyr Rodrigues, no bairro Santa Paula, Jotheo Mota Cavalcante, 81 anos, disputava partida de sinuca. De sapatos lustrados e um elegante chapéu, o aposentado relatou a importância daquele espaço na sua vida. “Frequento há cerca de cinco anos e estou sempre nos bailes. Venho de duas a três vezes por semana. Depois que a gente se aposenta, entra em um ostracismo pessoal e afetivo. É importante esta socialização”, afirmou.

Do outro lado da rua, na outra parte do equipamento, Maria de Lourdes Ribeiro, 83, é a única mulher em meio a mais de 20 homens. Marina, como gosta de ser chamada, aguarda pela sua vez de jogar bocha. “Jogo há 30 anos e já disputei até campeonato sul-americano”, afirmou. “Éramos em grupo de dez mulheres, hoje somos apenas três. Venho todos os dias. Aqui exercito o físico e a mente”, comentou. 

A expectativa da administração é que até o fim da atual gestão sejam inauguradas mais duas unidades. A cidade conta ainda com o programa Agente Cidadão Sênior, que emprega pessoas com mais de 65 anos , e UniMais (Universidade Aberta para Terceira Idade). Endereços e horários dos Cises podem ser achados no www.saocaetanodosul.sp.gov.br


Redes municipais de Saúde carecem de geriatras

O Grande ABC carece de médicos geriatras para atender população idosa que hoje representa quase 10% do total da população (2,7 milhões) e que deve chegar a 23,2% dos habitantes até 2050. O problema não é recente. Em 2012, o Diário mostrou que Santo André, São Bernardo e São Caetano contavam com 12 especialistas. Em 2016, Santo André tinha um e São Caetano, seis. As outras cidades não informaram. 

Atualmente, São Bernardo conta com um profissional, Ribeirão Pires com um e São Caetano, com quatro. Mauá não tem essa especialidade na rede municipal e os demais municípios não informaram. A recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) é que haja um médico geriatra para cada grupo de mil idosos. 

O diretor do Instituto de Pesquisa da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Leandro Prearo, destacou que os idosos, em sua grande maioria, são afetados pela perda de renda com a aposentadoria e muito frequentemente deixam de contar com planos privados de saúde, migrando para o SUS (Sistema Único de Saúde). “Essa população já é separada em grupos de terceira e quarta idade. Na terceira, são indivíduos que contam com doenças crônicas, que demandam acompanhamento contínuo, como diabete e hipertensão. Na quarta já estão aquelas pessoas que precisam de um serviço de atendimento médico domiciliar, que não podem ficar sem acompanhamento”, exemplificou.

Nas redes municipais, serviços e programas buscam atender essa população. Em Santo André funciona o Crisa (Centro de Referência do Idoso) e serviços de convivência e fortalecimento de vínculos, com atividades socioeducativas que “favorecem as trocas de experiências, valorizam as potencialidades dos idosos, promovem o bem estar e melhoram a qualidade de vida e autoestima”, informou a administração, por meio de nota. 

São Bernardo inaugurou em junho, na UBSs (Unidade Básica de Saúde) do Rudge Ramos, o Cuidadoso, serviço voltado para promoção da saúde da população com mais de 60 anos. Pacientes de todas as UBS são encaminhados para o serviço, que conta com um médico geriatra, residentes de geriatria da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e outros especialistas. O Nasf (Núcleo Ampliado de Saúde da Família) oferece serviços de fisioterapia e fonoaudiologia, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e atividades físicas. As 34 UBSs contam com o programa De Bem com a Vida, para práticas corporais, visando melhorar a qualidade de vida. 

Em Mauá, o atendimento na atenção básica é feito por médicos generalistas. A rede municipal de Ribeirão Pires conta com um médico geriatra e nas dez UBSs oferece o programa Hiperdia, com atendimentos específicos para esse público. As outras cidades não responderam.



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