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Notificações de DSTs crescem 53% na região

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Aumento de Aids/HIV, hepatites e sífilis desafia políticas públicas de prevenção


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

29/07/2018 | 07:00


O número de notificações de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) aumentou 53% no Grande ABC em cinco anos. Foram 2.501 casos registrados em 2013, contra 3.830 no ano passado. Os dados foram repassados pelas prefeituras (exceto Rio Grande da Serra, que não respondeu até o fechamento desta edição) e incluem casos de Aids/HIV, sífilis e hepatites virais.

O coordenador do programa IST (Infecções de Transmissão Sexual Aids e Hepatites Virais) de Diadema, Alexandre Yamaçake, explicou que o paciente é diagnosticado com HIV quando o exame aponta a presença do vírus em seu organismo. “Quando existe também alguma comorbidade, ou seja, outro quadro infeccioso, como pneumonia e tuberculose, o diagnóstico é de Aids.”

Entre as pessoas infectadas, a maioria é homem. “O número de casos de Aids vem aumentando sensivelmente entre os homens, especialmente os mais jovens”, detalhou o infectologista e responsável pelo Armi (Ambulatório de Referência para Moléstias Infecciosas) de Santo André, Humberto Onias. “Já os casos de hepatites têm sido mais comuns entre pacientes mais velhos”, apontou, destacando que o diagnóstico tardio ocorre com frequência devido à falta de sintomas por vários anos do portador de hepatite.

“Houve grandes avanços no tratamento, mas conviver com a Aids e o HIV continua sendo uma situação para a vida inteira. A queda na mortalidade, devido ao bom resultado dos medicamentos, tem feito com que muitas pessoas não se previnam e isso se reflete no aumento de todas as doenças sexualmente transmissíveis”, pontuou (veja na tabela abaixo os endereços dos equipamentos disponíveis no Grande ABC).

CONTÁGIO
O gerente A.M.O, 42 anos, recebeu o diagnóstico de HIV em 2017. Homossexual, conta que o contágio ocorreu em uma relação sexual, quando o preservativo rompeu. “Tinha informação de que havia um remédio que poderia tomar caso suspeitasse de ter tido contato com o vírus (profilaxia de emergência), mas conversei com meu parceiro, fazíamos exames periódicos e avaliamos que não valia a pena pelos efeitos colaterais”, relatou. Em poucas semanas, o gerente, que faz acompanhamento no Armi de Santo André, começou a sentir muitos sintomas.

“Tinha dores de cabeça, febres, manchas pelo corpo. A princípio achei que pudesse ser uma virose, ou talvez dengue, mas exames descartaram a doença. Com o passar dos dias e sem melhorar, me lembrei do episódio do rompimento do preservativo e procurei o Armi para um teste rápido, que também deu negativo”, afirmou. “O acolhimento foi muito melhor do que podia esperar e até pela experiência dos profissionais e pelos meus relatos, acharam adequado fazer um exame de sangue mais detalhado. Três dias depois me ligaram para que fosse até o local e informaram que o resultado era positivo para HIV”, lembrou.

O munícipe iniciou imediatamente o tratamento com a medicação e em apenas dois meses passou de um quadro de HIV aguda, por causa da baixa imunidade, para um quadro de HIV com a carga viral indetectável, quando nem é possível a transmissão. “Seguir o tratamento à risca é muito importante, porque além de me preocupar com o HIV em si, também tenho de me preocupar com outras doenças”, afirmou. “O atendimento nesse serviço de referência foi fundamental para que pudesse lidar melhor com a doença. O acompanhamento psicológico, as vacinas, os medicamentos, indicação para atividade física, tudo isso ajuda muito”, finalizou. Apenas alguns parentes e amigos muito próximos sabem da infecção por HIV.

Medicamentos pré e pós exposição atuam na prevenção

Além do preservativo, que é distribuído gratuitamente em todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da região, o SUS (Sistema Único de Saúde) disponibiliza medicamentos que podem ser utilizados antes e após a exposição ao vírus. Conhecidos como PEP (Profilaxia Pós-Exposição) e PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), os tratamentos são métodos que evitam que o vírus se fixe no organismo do paciente.

A PEP é recomendada para aquelas pessoas que tiveram alguma relação sexual desprotegida, sofreram violência sexual ou algum acidente ocupacional com objeto perfurocortante. A terapia está disponível em todos os serviços referenciados do Grande ABC, como ambulatórios de doenças infecciosas, CTAs (Centros de Testagem e Aconselhamentos) e CRTs (Centros de Referência e Treinamento) em DST/Aids.

A PrEP, no entanto, está disponível na região apenas na Policlínica Centro, localizada na Avenida Armando Ítalo Setti, 40, no bairro Baeta Neves, em São Bernardo. A unidade atende pacientes da cidade e de outros municípios. O atendimento é destinado a homens que fazem sexo com homens (HSH), transsexuais, profissionais do sexo e casais sorodiscordantes para o HIV, ou seja, quando apenas uma das pessoas tem o diagnóstico positivo para o vírus.

Especialistas alertam para risco de sexo sem proteção

O aumento no número de notificações de Aids/HIV e outras DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) é reflexo da falta de prevenção durante o sexo, avaliam especialistas. “Precisamos trabalhar com diferentes ações (preventivas) e muito diálogo, especialmente com as populações mais vulneráveis. Um diagnóstico rápido e o tratamento adequado reduzem as chances de transmissão, mas o preservativo ainda é o meio mais eficaz de proteção”, afirmou o infectologista e responsável pelo Armi (Ambulatório de Referência para Moléstias Infecciosas) de Santo André, Humberto Onias.

O especialista ressalta que a maior parte dos infectados pelo HIV é de homens jovens, “Não presenciaram a época em que a doença matava a maioria dos pacientes. A queda da mortalidade, devido ao sucesso dos tratamentos, faz com que algumas pessoas não se cuidem adequadamente.”

Coordenador do programa IST (Infecções de Transmissão Sexual Aids e Hepatites Virais) de Diadema, Alexandre Yamaçake reforça a percepção do infectologista. “Essa nova geração não conviveu com o início da epidemia”, ratificou. “Cabe a nós informá-los de forma objetiva. Mesmo sendo um tratamento – contínuo e com efeitos colaterais – não podemos banalizar e sim reforçar todos os métodos de prevenção para não contrair esses agravos, pois nem todos são curáveis”, concluiu.


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