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Billings oferece risco à Saúde

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Estudo aponta presença de oito grupos de bactérias no fundo da represa, que podem causar doenças


Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

24/07/2018 | 07:00


 A degradação ambiental da Represa Billings, que concentra pelo menos 250 mil moradores às suas margens em cinco das sete cidades da região – Santo André, São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra –, já traz reflexos para a saúde da população do Grande ABC. Amostra preliminar de estudo elaborado pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano) indica que a água do fundo da represa está contaminada por pelo menos oito grupos de bactérias causadoras de doença.

Análise de amostras coletadas em 50 pontos da represa, em mais de 466 quilômetros percorridos do manancial, aponta que moradores do entorno podem estar expostos a doenças gastrointestinais e problemas de pele.

“Além das bactérias, encontramos altas taxas de concentração de metais, como ferro e chumbo, todos prejudiciais à saúde de quem vive às margens da Billings”, observa a bióloga, especialista em recursos hídricos, Marta Ângela Marcondes, uma das responsáveis pela Expedição Billings, iniciativa da USCS, por meio do projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos), em parceria com a empresa ProMinent, que analisou neste ano a qualidade da água da represa pela quarta vez consecutiva.

De acordo com a especialista, durante a expedição foi observado que pontos até então considerados com qualidade boa de água possuem no seu fundo índices preocupantes de contaminação. “Pela primeira vez realizamos a análise de material coletado no fundo da represa e, infelizmente, tivemos um diagnóstico preocupante, pois em pontos onde a superfície estava com qualidade regular, no fundo tinha grande concentração de metais pesados.”

Em determinados pontos da represa foram encontradas grandes quantidades de lodo depositado, em alguns casos, com profundidade de até quatro metros.

“Isso nos mostra que muitos dos materiais jogados ao longo dos últimos 50 anos acabaram indo para o fundo da represa, dando a impressão na sua superfície de que o manancial está sem problemas, o que é uma ilusão”, explica.

O problema, segundo a especialista, pode dificultar ainda mais a recuperação do manancial. “Na verdade estamos trabalhando na limpeza da superfície, quando, na verdade, a presença de poluentes na base da represa tem se arrastado há anos e agravado essa situação, ou seja, o fundo da represa traz riscos maiores ainda para a população a longo prazo”, relata.

Conforme o estudo, a presença dessas bactérias no fundo da represa é um impacto direto da falta de saneamento e das ocupações irregulares às margens da represa. “O que interfere diretamente no meio ambiente e na Saúde de quem vive no entorno”.

MEDO

O processo de ocupação das áreas de mananciais no Grande ABC, segundo a especialista, tem acelerado este processo de degradação ambiental e, por consequência, atingido ainda mais a população do entorno.

Margeado pelo manancial, o Núcleo Pintassilgo, em Santo André, é um exemplo dos impactos dessa contaminação. Ontem, em visita à comunidade, ao menos cinco famílias confirmaram já terem tido diagnóstico para doenças gastrointestinais e problemas de pele em pelo menos um integrante de sua residência.

“Meu filho mesmo, há dois anos, teve problema com manchas brancas no corpo. Naquela época ele nadava na Billings”, afirma o pescador Wigno Nadijares, 29 anos.

Há três anos no núcleo, a dona de casa Josefa Villalobos, 42, conta que seus quatro filhos – com idades entre 5 e 16 anos – já tiveram problemas gastrointestinais na nova casa. “Eu morro de medo desse esgoto que passa em frente da minha casa”, desabafa.

PIORA

Durante sete semanas, a Expedição Billings analisou outros 164 pontos da superfície. Nesses locais percorridos pelo ecoesportista Dan Robson foram encontradas 35 áreas com qualidade de água péssima, o maior índice desde o início da expedição, em 2015. Das demais áreas analisadas, 40 estavam ruins, outras 49, regulares, e, 40, boas. “Depois de uma evolução nos últimos dois anos, notamos que a Billings está em uma situação delicada”, lamenta a bióloga.

 



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