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Aluna da UFABC vai representar o Brasil em Assembleia da Juventude na ONU, entre os dias 9 e 13


Bianca Barbosa
Especial para o Diário

22/07/2018 | 07:27


Se existem limites para sonhar e realizar objetivos, a estudante de Relações Internacionais Paloma Flores, 21 anos, é especialista em quebrar todas as barreiras. De família humilde de São José dos Campos, no Interior, a jovem estudou em escolas públicas e cursinhos populares. Pelo esforço, passou em quatro universidades públicas, entre elas a UFABC (Universidade Federal do ABC), e veio morar em Santo André em 2015. 

Devido a projetos sociais da ONG Enactus, que atua em parceria com a universidade, Paloma já viajou para Canadá e Londres para representar o Brasil com projetos de empreendimento social em comunidades de Santo André. Hoje, ela se prepara para a viagem mais importante da sua jornada: a requisitada Assembleia de Jovens de 2018 da ONU (Organização das Nações Unidas), que será realizada entre os dias 9 e 13 em Nova York, nos Estados Unidos. 

No Ensino Fundamental, Paloma conheceu o cursinho preparatório Casdinho, feito por alunos do ITA (Instituto de Tecnologia da Aeronáutica), para ajudar estudantes do 8º e 9° anos. Paloma foi aprovada em uma Etec (Escola Técnica) e passou a estudar o Ensino Médio pela manhã, em escola pública, e à tarde, na técnica. 

Durante o último ano do Ensino Médio, ela também se preparou para o vestibular estudando à noite, no CasD, preparatório do mesmo projeto voltado para quem deseja ingressar em faculdades públicas. Ambos foram gratuitos. “Estudava das 7h da manhã até as 23h. Passei em quatro universidades: Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Facamp (Faculdades de Campinas), PUC (Pontifícia Universidade Católica) Minas e UFABC, a que escolhi. Resolvi fazer Relações Internacionais para entender quais são os maiores desafios que o mundo enfrenta, lidar com questões humanitárias, que é o meu foco, entender como se posicionam em questões políticas, tomadas de decisão.” Ela escolheu a UFABC por ser instituição interdisciplinar e estar mais próxima de casa. Arrumou as malas e veio para Santo André. 

A primogênita da autônoma Vanda Flores, 51, foi a primeira a sair de casa, e deixou apertado o coração da mãe. “A gente não imagina aonde os filhos vão chegar, mas sabe que eles vão longe. Não foi fácil vê-la indo para outra cidade, somos muito unidos, mas hoje, se o jovem não faz uma faculdade, fica difícil conseguir algo bom na vida. E a Paloma é uma pessoa que teve bons propósitos desde cedo.” 

A mãe, toda orgulhosa, disse que a jovem já tinha espírito de liderança, opinião própria e queria sempre fazer as coisas bem feitas, desde a época em que trabalhava com projetos sociais na igreja católica. O outro filho também está longe de casa, estudando na Unicamp. 

Na universidade, Paloma teve contato com a Enactus, ONG operada em 36 países, dedicada a promover o empreendedorismo social em comunidades vulneráveis, através de jovens universitários. “Toda faculdade pode ter um time Enactus, e os alunos que fazem parte dessa equipe diagnosticam problemas e desafios em comunidades, e junto com elas desenvolvem projetos de empreendedorismo que melhorem a vida deles”, disse a garota. Em 2015, ela entrou como integrante da ONG e, em seguida, se tornou líder de projetos nas comunidades. “Conduzi dois projetos em Santo André, o Mãos a Horta e o Craques do Futuro, ambos na comunidade Pintassilgo”, relatou. Depois de alguns meses, se tornou também líder do time da UFABC. “Em um ano de cargo, liderei 75 integrantes e 11 projetos sociais, que impactaram mais de 200 pessoas. Foi uma sensação muito boa.” 

Em 2016, o time ganhou o campeonato nacional da ONG, se destacando no desenvolvimento de projetos, e foi para o Canadá receber o prêmio. No ano seguinte, Paloma ganhou no mesmo evento como líder brasileira do ano, e foi até a Copa do Mundo da Enactus, em Londres, receber a premiação. 

Trabalho reconhecido pela comunidade

A amiga e assessora de empreendimentos Verônica da Silva Maia, 26 anos, que conheceu Paloma na ONG, disse que ela sempre foi “muito comprometida” com o trabalho social. Quando as duas estavam no projeto Craque do Futuro, na comunidade Pintassilgo, teve a troca de cargo. Paloma, que era líder de projeto, passou a comandar o time. “Apesar de ela mudar de cargo, a comunidade sempre reconheceu muito o trabalho da Paloma, mesmo que ela não estivesse mais presente no dia a dia. É bonito ir na unidade e ver o quanto ela impactou as pessoas. Um desses reconhecimentos deu um troféu da escolinha com o nome dela, foi uma atitude da comunidade, um símbolo muito bonito de reconhecimento”, disse a amiga, que acompanhou a jornada como vice-líder.

Sobre o evento da ONU, Paloma descobriu por meio de amigos, que diziam que o programa “era a cara dela”. É uma assembleia para debater sobre os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da organização. “Esses objetivos já são alinhados com a Enactus, e como já vivia isso e curso Relações Internacionais, amei. Alguns dias com pessoas do mundo inteiro para debater os objetivos, aprender e trazer novas ideias.” 

Ela se inscreveu, fez seleção e foi escolhida para a delegação do Brasil. Os custos ficaram muito altos, e ela resolveu fazer vaquinha, que já foi fechada, para angariar fundos. A jovem conseguiu R$ 13 mil, que fecham o pacote do evento, mas ainda falta o valor das passagens aéreas para conseguir ir à assembleia. 

Ela pensa bastante na questão de ser um exemplo para outros jovens, pois nos projetos de que participou, escutou relatos de adolescentes que ouviram pessoas falando que eles não são capazes de ter sucesso na vida. “Conquistar tudo isso é importante para mim, para mostrar que eles também podem, pois eles vêm do mesmo lugar que eu. Hoje, se eu pudesse realizar um desejo, pode parecer meio utópico, mas eu queria que qualquer pessoa no mundo tivesse acesso a Educação de qualidade. A Educação é a base fundamental para qualquer pessoa conseguir alcançar o que deseja na vida.” 



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