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Milton Gonçalves: popular e polêmico

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Gabriela Germano
Da TV Press

03/08/2008 | 07:05


Nos últimos tempos, Milton Gonçalves já cumprimentou mais gente do que candidato a prefeito. "Não há um dia em que eu saia e as pessoas não venham me abordar", confirma o ator, feliz com o reconhecimento. Na pele do antiético deputado Romildo Rosa, de A Favorita, ele sempre ouve na rua, em tom de brincadeira "olha o corrupto!". Mas seu papel na novela das nove da Globo também gera polêmica. Políticos e até integrantes de movimentos negros chegaram a dizer que Romildo Rosa poderia prejudicar candidatos negros nas eleições e até o senador Barack Obama, que vai disputar a presidência dos Estados Unidos. "É uma sandice", rebate o ator. Confira trechos da entrevista:

O povo brasileiro é considerado apático em relação à corrupção política no País. Essa indolência se estende à postura de seu personagem em A Favorita? Como sente a resposta das pessoas nas ruas?
MILTON GONÇALVES - As pessoas não acham comum o que meu personagem Romildo Rosa faz e o condenam. Não sou o anjo que vem trazer a verdade. Mas acho que a presença dessa figura na novela serve de aviso para muita gente pensar duas vezes antes de votar.

Chegaram a insinuar que o seu personagem prejudicaria candidatos nas eleições. Como você avalia isso?
GONÇALVES - Dizer que a presença de meu personagem atrapalharia candidatos negros que concorrem aqui no Brasil é uma loucura inexplicável. Porque, se um personagem atrapalhar a candidatura de alguém, é sinal de que o candidato é ruim mesmo. Novela é novela. Recebi uma carta de um deputado de São Paulo dizendo que eu estava fazendo um desserviço. É o contrário. Faço um serviço e já respondi a ele.

Você também foi questionado por integrantes de movimentos negros pelo fato de ter aceitado viver esse papel...
GONÇALVES - O que eu quero é um bom personagem. Já interpretei vilões e figuras horrorosas. Um dos trabalhos que mais me deu prêmios foi o filme A Rainha Diaba, em 1974. Eu era homossexual e chefe de uma quadrilha de traficantes. Ninguém falou nada. Sabe por quê? Porque o negro está associado ao mal quando ele ocupa o lugar dele na sociedade. Mas se fotografarmos o Congresso, o Senado, os ministérios, não vemos negros. Não é um personagem esporádico na teledramaturgia que atrapalha. O que atrapalha é a falta de visão, a falta de estudar melhor a história do Brasil.

É verdade que teve de pedir para fazer o primeiro engravatado de sua carreira na TV?
GONÇALVES - Pedi ao Dias Gomes, mas ele revezava com a Janete Clair e passou para ela essa missão. Janete me deu o maravilhoso Dr. Percival, um médico, em Pecado Capital. Eu cuidava da personagem de Débora Duarte na história e até brincava que era o preto velho que baixava quando ela estava com problemas espirituais. Mas já enfrentei situações bem preconceituosas.

Quais, por exemplo?
GONÇALVES - Em Pecado Capital a personagem de Tereza Amayo era casada com o de Dary Reis. Mas pintou um romance com meu personagem e choveram cartas na Globo. As correspondências não criticavam só o fato dela ter uma relação extraconjugal. Mas o problema era ser com um negro. Depois fiz outra novela, Baila Comigo, do Manoel Carlos, em 1981. Era casado com a Beatriz Lira na história, mas havia cobranças de que não nos beijávamos. Tivemos uma conversa e começamos a beijar muito na boca. Minha mulher até ficou com um certo ciúmes (risos). Só quero que nós negros sejamos vistos como parte integrante e não como diferentes.



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