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De volta ao Brasil de verdade


Rodolfo de Souza

12/07/2018 | 07:00


Acordamos! Finalmente, acordamos! Com as pestanas hasteadas a meio pau, gosto amargo na boca, aquela sensação de viver ainda em outro mundo, despertamos da letargia futebolística e nos colocamos de pé, bem diante do quadro desesperador que se nos apresenta lívido como fora e como tão cedo não deixará de ser. Angústia para os olhos que há pouco vislumbravam um futuro belíssimo para sua Nação, no ponto mais alto do pódio! Imagine! Singelo primeiro lugar no futebol, tão somente.

“De que fala, despeitado amigo?” – dirá o rancoroso leitor que ainda não apeou do sonho de glória de uma Seleção de milionários que disputava com outras seleções de ricaços a posse da bola, e perdeu. Penso até que jogou bem a equipe, embora não tenha se empenhado o suficiente para deter o adversário, investir contra sua meta e continuar na disputa para, quem sabe, trazer a taça oca que, a despeito de tanta felicidade, em nada serviria para tirar da lama tão espoliada Nação. A não ser que fosse confeccionada de ouro maciço e que pudesse ser vendida lá mesmo no local de origem, onde fora conquistada. O problema é que os recursos oriundos de negócio tão vantajoso, por certo que rapidamente cairiam nas graças das raposas de plantão e... 

Pensando bem, saímos no lucro não faturando o caneco, seja ele de que material for. Mesmo porque, uma vez campeão este País, seu povo se embriagaria de comemorar e traria consigo, bem apertado no peito, o sentimento equivocado de que tudo vai bem em sua Pátria mãe gentil.

“Papo de gente recalcada que, habituada a grandes vitórias no futebol, se despediu cedo do certame.” – certamente dirá quem por lá ainda permaneça, sobretudo se no seu pedaço de chão reine a fartura e o bem-estar.

Pense como quiser, ilustre europeu que desconhece a realidade a que estamos submetidos nós, gente morena, falante do idioma português mais falado do mundo, e que habita estas paragens dos trópicos.

Desembarcamos, pois, do sonho de vitória mais fácil que existe, para encarar sonhos que realmente nos desafiam ‘a matar um leão por dia’, como se diz no popular. 

E agora que a névoa se dissipou e nos esfregou na cara a realidade dos fatos, compete-nos partir para o batente, lembrando que não somos ricos como eles, e que dependemos de muita luta para ganhar a vida.

Mas não tem nada não. Os campeonatos estaduais, nacionais e tais logo farão esquecer as decepções da Copa e os dissabores domésticos, levando o fanático torcedor a vestir a camisa de seu clube do coração e partir para a gritaria, a discussão, e o foguetório, festança que, de novo, despertará no cidadão comum o ensejo de se iludir com a conversa fiada que busca incansavelmente convencê-lo de que tudo vai muito bem, graças a Deus.

E, por falar em campeonato e papo-furado, é bom lembrar que não demora o início das disputas eleitorais. Ferrenhas e acirradas contendas em que sobrarão baixarias bem ao nível do político local. Aliás, o circo televisivo muito promete para botar lenha na fogueira que, neste ano, até presidente a gente tupinambá deverá escolher. Alguns povos de países não tão democráticos quanto este solo sobre o qual pisamos talvez considerassem um luxo só eleger presidente. Apesar de que não se sabe ao certo para que perde-se tanto tempo e paciência com o pleito aqui nesta, digamos, pseudodemocracia. Acho que é por obrigação, ou somente para inglês ver, não sei.



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