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‘Motivação dos policiais dá resultados’

André Henriques/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Vanessa de Oliveira

09/07/2018 | 07:14


Com mais de 32 anos de atuação na Polícia Militar, o coronel Ronaldo Gonçalves Faro, 51 anos, deixou o 6º Batalhão, em São Bernardo (onde ficou por oito anos) e, desde 28 de abril, assumiu o CPAM-6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitano 6).

Sob sua responsabilidade, está efetivo de 3.500 policiais. O número previsto para o policiamento no Grande ABC, no entanto, tem 11,2% de postos vagos. Mas Faro afirma que a questão não impacta na produtividade policial. “O bom planejamento e a motivação dos policiais, buscando sempre fazer o melhor, são o que vão dar o resultado positivo.”

No dia da sua posse, o comandante geral da Polícia Militar do Estado, coronel Marcelo Vieira Salles, admitiu que o número previsto para o policiamento no Grande ABC tem 11,2% de postos vagos e, no Estado, a média é de 13% . Como esse deficit impacta na produtividade policial?

Temos que entender a polícia como um todo. Me preocuparia muito se o do Estado fosse 10% e eu tivesse um claro de 20%. A polícia tem uma gestão administrativa, que chama Gespol (Gestão de Policiamento pela Qualidade), onde a distribuição do efetivo é igualitária. Essa pequena diferença de 13% e 11% está dentro de um padrão. Se tem um claro de 10%, por exemplo, tem que faltar 10% em Ribeirão Preto, em São José dos Campos e 10% no Grande ABC. Os meios que eu tenho são os que posso ter e que vou ter que utilizar para fazer frente à criminalidade. Em relação ao efetivo, claro, o ideal é que fosse completo, mas isso não é possível por vários fatores. Um deles é a questão da aposentadoria, o policial se aposenta e tivemos um problema, dois anos atrás, que o Ministério Público proibiu o comandante geral, sob pena do crime de responsabilidade, de fazer concurso público, porque não havia a lei de ingresso. Essa lei não se faz em um estalar de dedos, precisa de um projeto de lei, que foi encaminhado para a Assembleia Legislativa, houve aprovação e, a partir daí, conseguimos fazer o concurso público, então, hoje temos em torno de 2.500 homens sendo formados. Inclusive aqui, no Grande ABC, temos 72 policiais que estão sendo formados na nossa escola. Nesse período, além da formação escolar, também começam a fazer os estágios, que são realizados na rua. Depois, juntam-se os 2.500 e eles serão distribuídos para a polícia como um todo.

Quais as principais dificuldades estruturais que a PM enfrenta hoje para seguir com o trabalho?

Eu não posso reclamar em relação à estrutura e aos equipamentos. Pode melhorar? Lógico que pode. Tenho quarteis que precisam ser melhorados, para dar uma condição melhor aos policiais militares que estão no dia a dia na rua e isso nós estamos fazendo. Outro ponto: equipamentos. Hoje não temos problemas, temos coletes, armamento para todos os policiais e a questão das viaturas. Mas aí, tenho que entender também a manutenção desses veículos. Não posso comparar um carro particular com uma viatura. Quando vou gastar o dinheiro público, preciso ter uma certa responsabilidade. Não consigo pegar o melhor mecânico, mandar a viatura arrumar e pagar. Tem que abrir licitação, além de analisar aquilo que está sendo devolvido para a PM, e isso leva um pouco de tempo. Talvez, mais à frente, acho que um ajuste ou aceleração em alguns processos seja interessante, mas, por enquanto, é isso que temos que fazer e isso tem impedido até o mau uso do dinheiro público. Não me falta verba para consertar viatura, isso é claro. A questão é que os processos licitatórios são um pouco demorados e as empresas também não têm fôlego para atender. A Polícia Militar tem uma frota muito grande. Em uma frota de mais de 540 viaturas, vou ter quebra, até porque elas são usadas 24 horas, então, a gente precisa acelerar esse processo.

Quais as metas do senhor frente ao comando e como alcançá-las?

Nosso objetivo é sempre diminuir os índices criminais, principalmente daqueles crimes que mais incomodam a sociedade. Todos incomodam, mas o que nós sempre damos a devida atenção é aos crimes contra a vida e contra o patrimônio, que podem envolver uma vida. Agora, isso não significa que deixamos os demais de lado. Então, a gente tem que fazer, através das nossas ações, sistemas inteligentes que temos de análise de planejamento. Precisamos fazer essa análise para que consigamos abaixar esses índices criminais. Cada batalhão tem o seu comandante, que faz o planejamento. Eu, como comandante do CPAM-6, fico monitorando o que eles estão fazendo e quais meios posso ajudar no sentido de diminuir (os índices). Todo dia, temos a web criminal, que vai dando indicadores de qual é a nossa projeção se continuar da forma que estamos. Aí, vejo se é uma projeção para o vermelho, que nos preocupa, e, aí, temos que fazer algumas ações: operações, como a Cavalo de Aço, Fecha Quartel, Força Metropolitana, todas as operações, deslocando também efetivo administrativo para ajudar no preventivo.

Com as leis brasileiras, onde parte da população privada de liberdade consegue se beneficiar com saídas temporárias, como fica o trabalho da polícia e as dificuldades diante disso?

É o que chamamos de retrabalho. Temos caso em que um indivíduo foi preso 27 vezes por furto de veículo. Isso é uma questão de alteração de legislação penal. Não vou questionar se a saída temporária é correta ou não, cabe ao Poder Legislativo avaliar e a sociedade cobrar isso. A polícia vai trabalhar com a norma que ela tem hoje. Se essa saída temporária está dentro da norma, cabe a nós fazer nosso serviço, o policiamento preventivo, para impedir que essas pessoas voltem a cometer crimes. Agora, sabemos que uma parcela desses indivíduos que acabam saindo comete crimes e, aí, cabe a nós prendermos de novo e conduzir ao cumprimento da pena novamente.

O que deveria ser feito para a ressocialização dessas pessoas?

Acho que estamos com problema de geração. Sou da geração que se eu fosse para a escola e fizesse bagunça, a professora me chamasse a atenção, ao chegar em casa minha mãe me daria uma coça. Hoje vemos situação em que os alunos batem nos professores. Então, a gente precisa mudar algumas coisas e, principalmente, começa na educação e também na célula mater da sociedade, que é a família, pois há muitas desestruturadas. A família não pode passar para a escola a responsabilidade de educar. E, por outro lado, a escola precisa ter aquele papel importante que ela tinha lá atrás: continuar a formação do ser humano. As pessoas precisam entender que investimento na Educação não vou colher frutos amanhã, mas daqui a 20 anos. Qual geração que vou ter daqui a 20 anos? É isso que precisamos pensar. Precisamos deixar de ter o pensamento egoísta e querer angariar os benefícios para daqui a quatro anos, mas para uma geração. Enquanto isso não for feito, acho não teremos mudança na nossa sociedade.

O que a polícia tem feito para reduzir a criminalidade, apesar de ter de bater de frente com todos esses problemas?

Independentemente daquilo que é feito nas outras áreas, a polícia tem feito o melhor possível, seja na formação do homem, seja na otimização de equipamentos, o treinamento do policial e investimento no setor de inteligência: a questão de programa de telecomunicações, de informática, para que a gente possa fazer frente à criminalidade hoje. A criminalidade vai continuar existindo, cabe a nós reduzir isso e acho que a Polícia Militar tem feito. Em que pesem as muitas críticas em relação ao nosso trabalho, acho que ela tem feito um trabalho.

O senhor comentou que a Polícia Militar recebe algumas críticas. Quais são elas e a que atribui isso?

Algumas são injustas, porque as pessoas desconhecem qual é o papel da polícia. Quando se trabalha com cerceamento de direitos, as pessoas precisam entender que, em que pese que vivemos em uma democracia, temos deveres também. Tenho dever de cumprir as normas, pagar os impostos, exercer meu direito, mas que vai até o limite onde começa o do outro. A polícia trabalha fiscalizando o comportamento social e isso não vai agradar mesmo. Há algumas falhas e nós somos os primeiros a procurar corrigir. O policial quando erra, vai ser avaliado e julgado até pela Justiça. Não posso julgar uma instituição que tem mais de 80 mil homens muitas vezes com a ação de um policial. O policial vem da sociedade, não vem de outro planeta, tem as mesmas situações que outro cidadão comum tem, as mesmas necessidades e isso gera problemas. Cabe a nós fazer a avaliação se ele tem condições ou não de permanecer na instituição e isso é feito. Basta ver no Diário Oficial quantos policiais são expulsos da instituição.

O que a população pode esperar do novo comandante?

Pode esperar o trabalho, buscando reduzir esses índices criminais. Por conhecer a região, acho que isso facilita um pouco, mas nada disso adianta se eu não tiver bons policiais, bem treinados e motivados para executar o serviço. Temos apresentado bons resultados aqui, tanto que no ano passado, não só por mim, mas também pelos antecessores, todas as regiões tiveram o controle dos índices criminais e até algumas unidades sendo bonificadas pelo programa do governo de São Paulo contra o crime. Há mais o que fazer, com certeza, mas estamos procurando cada vez mais fazer melhor e com menos. Eu gostaria de ter um policial em cada esquina ou uma viatura em cada rua, mas isso não é possível. Mas acho que através do bom planejamento e da motivação dos policiais, buscando sempre fazer o melhor, são o que vai dar o resultado positivo.
 



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