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Corrupção e falta de identificação com políticos devem provocar maior volume de abstenções

Especialista afirma que tendência é de crescer número de descontentes


Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

08/07/2018 | 07:04


As eleições gerais deste ano no País correm risco de ficar marcadas como as que mais registraram abstenções em toda a democracia brasileira. Há histórico de aumento de eleitores que optam por fugir das urnas e, segundo especialista, corrupção, falta de identificação com os quadros políticos e até mesmo as redes sociais podem ser fator para que esse número cresça.

No Grande ABC, desde o pleito de 1998 o volume de eleitores que votaram em branco, nulo ou que nem chegaram a apertar o botão da urna eletrônica aumentou, mesmo levando em conta o acréscimo de pessoas aptas ao voto nas sete cidades.

Entre as eleições para presidente da República de 2010 e 2014 (ambas vencidas por Dilma Rousseff, PT), as sete cidades contabilizaram salto de 98% nas abstenções – 274.971, em 2010, e 544.427, em 2014.

Segundo o professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rodrigo Prando, hoje é latente a falta de paciência nas pessoas para tentar entender os políticos. “Há uma desconexão entre eleitor e parlamentar. Costumo dizer que, enquanto o político é analógico, o eleitor é digital. Cada um fala sua própria linguagem.”

Ainda conforme o especialista, no País as abstenções estão muito ligadas à corrupção e à ausência de vontade do eleitor em compreender o modelo político nacional. “A Lava Jato e a mídia têm revelado os meandros da corrupção em todas as esferas. Essa situação afugenta o eleitor da urna. Ele simplesmente não quer eleger algum parlamentar que possa fazer parte de algum esquema. Isso tem gerado um desânimo generalizado.”

Os números corroboram com o que diz o professor. Em 2016, quando a Lava Jato estava no auge, quatro em cada dez eleitores do Grande ABC rejeitaram os candidatos que disputavam eleições municipais – o patamar foi histórico de 37,4% do eleitorado, ou seja, das 2.068.802 pessoas, 773.791 decidiram votar em branco, nulo ou simplesmente não se apresentar em sua seção eleitoral.

Há outros fatores que ainda podem deixar a corrida eleitoral sem participantes, na visão de Prando: a pulverização das candidaturas, tanto à esquerda, quanto à direita, e a sombra das fake news (notícias falsas). “Não há dúvidas de que vivemos um dos ambientes mais confusos eleitoralmente falando. Há muitos candidatos participando do pleito, há o jogo sujo das notícias falsas e há também a influência da Copa do Mundo. Tenho certeza que esta eleição será uma das mais difíceis de se prever.”

INDIGNAÇÃO TOTAL - Com a certeza de que votará nulo mais uma vez, o advogado Henrique Nogueira, 26 anos, de São Caetano, afasta qualquer tipo de dúvida sobre os motivos que o levou a chegar a esta conclusão. “Nenhum partido ou político me representa. Vejo todo o sistema eleitoral como uma farsa”, argumentou. O jovem, que diz não se arrepender de se abster do processo eleitoral, afirma ainda que só se dirige à urna devido ao resquício de democracia que ainda guarda na consciência.

Já para a fisioterapeuta Emanoela De Bassi, 25, de São Bernardo, a questão dos caráteres duvidosos dos políticos é o que a afasta das urnas. “Ainda estou um pouco na dúvida, então pretendo pesquisar um pouco mais”, disse. “Eu votei nas eleições passadas, mas nas deste ano nenhum discurso político me convenceu.”

Quem também se apresenta com dúvida, mas está quase convicta de que anulará o voto, é a professora Camila Vabello, 35, também de São Bernardo. Com o viés de esquerda, a docente explica que a pulverização das candidaturas tira a chance real de uma vitória do pensamento que acredita. “A esquerda está diluída e sem grandes chances de união, então fico muito na dúvida”. Camila ainda acredita que a corrupção pode estar tão profunda nos sistemas políticos que o resultado do pleito pode ser manipulado. “Na última eleição fiz um voto estratégico e que não gostaria de repetir.”
 



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