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Rota 2030 vai gerar empregos em P&D

Jose Cruz/Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Para presidente da Anfavea, Antonio Megale, região deve ter aumento de vagas na área


Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

06/07/2018 | 22:56


O Rota 2030, programa de incentivo à indústria automotiva anunciado na quinta-feira pelo governo federal, deve impactar diretamente na manutenção e geração de empregos no segmento de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) no Grande ABC. É o que avalia o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Antonio Megale.

“O Rota 2030 claramente vai ser fundamental para que possamos manter engenheiros, técnicos e pesquisadores. Em um primeiro momento, podemos dizer que deverá haver a manutenção destes empregos e, em um segundo, teremos a geração de emprego”, afirmou Megale, após coletiva realizada ontem para divulgar os números de produção do setor (leia mais ao lado).

Apesar de ter sido publicado em formato menor do que foi projetado inicialmente, com percentual de abatimento de 10,2% do total investido em P&D, em vez de 20%, e a limitação a dois impostos, a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) e o IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica), o presidente destacou a importância do lançamento do programa.

“Internamente, no governo, houve divergência de posições entre o MDIC (Ministério da Indústria e Comércio Exterior), que pensava o Rota como nós, e o Ministério da Fazenda, que o brecava, e infelizmente a política acabou vencendo. Tudo o que a gente fala de redução tributária é bem complexo. O que eu digo é que o lançamento do Rota não encerra o programa, começa. Nós estabelecemos visão de longo prazo para a indústria automobilística, uma nova política, mas não resolvemos todos os problemas, apenas tivemos um direcionamento. Agora vamos ter tempo de trabalhar a questão tributária e, num futuro, o aumento da desoneração de tributos é um desejo nosso e da população como um todo, isso está na agenda da maioria dos presidenciáveis”, afirmou.

Uma das críticas ao programa é que, apesar de focar na questão de P&D, deixa de lado a manutenção e qualificação dos empregados do ‘chão de fábrica’. De acordo com o diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Damasceno, o País corre o risco de deixar de ser atrativo para a linha de produção.

“Quando você não tem um estímulo à cadeia produtiva nem à produção local, talvez a opção por importados ganhe vantagem para atingir as metas de eficiência energética, uma vez que os carros podem ser importados das matrizes, de regiões mais baratas, e apenas montados aqui, e aí é gerada uma concorrência desleal. O único estímulo está em P&D, mas podemos acabar igual à Índia, por exemplo, deixando de ter todas as etapas e virar só um montador”, disse.

O apoio à P&D sempre foi a origem do Rota, assinalou Megale. “Com certeza, as pessoas envolvidas nesta questão estão aplaudindo, porque é uma forma de manter o emprego qualificado. Obviamente, para o trabalho em linha de produção precisamos do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), para voltar a produzir cada vez mais”, assinalou Megale. Para ele, o Rota sai mais completo que o antecessor Inovar-Auto, por não criar condições distintas aos veículos nacionais e ante os importados, que pagavam mais imposto.

“O programa irá contribuir para que haja mais previsibilidade à indústria automobilística, promovendo investimentos em P&D no Brasil. Dessa forma, conseguiremos com que a inteligência e o conhecimento continuem no País e possam, além de atender as demandas específicas dos consumidores locais, criar divisas para o Brasil por meio das exportações dessas inovações”, avaliou o presidente da Volkswagen no Brasil, Pablo Di Si.


Entidade reduz expectativa de alta da produção em 2018 para 11,8%

A Anfavea reduziu a expectativa de crescimento do setor automobilístico neste ano. A projeção de alta na produção passou de 13,2% para 11,9%, o que representa 3,02 milhões de unidades fabricadas. O principal motivo é o cenário da exportação.

Mola propulsora da produção da indústria automotiva no ano passado, no segundo semestre, a exportação para a Argentina, principal mercado brasileiro, e o México, hoje são alvo de preocupação devido ao dólar alto. Segundo o presidente da Anfavea, Antonio Megale, os pedidos diminuíram. “A Argentina vem sofrendo problema cambial com uma desvalorização mais forte do que a nossa. A gente vê que alguns pedidos começam a diminuir, não vem aquele volume que é esperado para o segundo semestre. Nas empresas, devemos trabalhar com outros mercados, como o Chile, que está crescendo muito. As máquinas agrícolas para os Estados Unidos e os caminhões para a Rússia são mercados crescentes. O que pesa mais é que a Argentina é o nosso maior mercado, mas como o governo já tomou medidas, ela deve voltar a crescer.”

Apesar do impacto da greve dos caminhoneiros, que abalou a confiança do consumidor, em junho a produção cresceu 21,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, com a fabricação de 256,3 mil unidades. No primeiro semestre, foram confeccionados 1,4 milhão de automóveis, 13,6% a mais que em 2017 (veja na arte ao lado).
 



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Rota 2030 vai gerar empregos em P&D

Para presidente da Anfavea, Antonio Megale, região deve ter aumento de vagas na área

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

06/07/2018 | 22:56


O Rota 2030, programa de incentivo à indústria automotiva anunciado na quinta-feira pelo governo federal, deve impactar diretamente na manutenção e geração de empregos no segmento de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) no Grande ABC. É o que avalia o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Antonio Megale.

“O Rota 2030 claramente vai ser fundamental para que possamos manter engenheiros, técnicos e pesquisadores. Em um primeiro momento, podemos dizer que deverá haver a manutenção destes empregos e, em um segundo, teremos a geração de emprego”, afirmou Megale, após coletiva realizada ontem para divulgar os números de produção do setor (leia mais ao lado).

Apesar de ter sido publicado em formato menor do que foi projetado inicialmente, com percentual de abatimento de 10,2% do total investido em P&D, em vez de 20%, e a limitação a dois impostos, a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) e o IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica), o presidente destacou a importância do lançamento do programa.

“Internamente, no governo, houve divergência de posições entre o MDIC (Ministério da Indústria e Comércio Exterior), que pensava o Rota como nós, e o Ministério da Fazenda, que o brecava, e infelizmente a política acabou vencendo. Tudo o que a gente fala de redução tributária é bem complexo. O que eu digo é que o lançamento do Rota não encerra o programa, começa. Nós estabelecemos visão de longo prazo para a indústria automobilística, uma nova política, mas não resolvemos todos os problemas, apenas tivemos um direcionamento. Agora vamos ter tempo de trabalhar a questão tributária e, num futuro, o aumento da desoneração de tributos é um desejo nosso e da população como um todo, isso está na agenda da maioria dos presidenciáveis”, afirmou.

Uma das críticas ao programa é que, apesar de focar na questão de P&D, deixa de lado a manutenção e qualificação dos empregados do ‘chão de fábrica’. De acordo com o diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Damasceno, o País corre o risco de deixar de ser atrativo para a linha de produção.

“Quando você não tem um estímulo à cadeia produtiva nem à produção local, talvez a opção por importados ganhe vantagem para atingir as metas de eficiência energética, uma vez que os carros podem ser importados das matrizes, de regiões mais baratas, e apenas montados aqui, e aí é gerada uma concorrência desleal. O único estímulo está em P&D, mas podemos acabar igual à Índia, por exemplo, deixando de ter todas as etapas e virar só um montador”, disse.

O apoio à P&D sempre foi a origem do Rota, assinalou Megale. “Com certeza, as pessoas envolvidas nesta questão estão aplaudindo, porque é uma forma de manter o emprego qualificado. Obviamente, para o trabalho em linha de produção precisamos do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), para voltar a produzir cada vez mais”, assinalou Megale. Para ele, o Rota sai mais completo que o antecessor Inovar-Auto, por não criar condições distintas aos veículos nacionais e ante os importados, que pagavam mais imposto.

“O programa irá contribuir para que haja mais previsibilidade à indústria automobilística, promovendo investimentos em P&D no Brasil. Dessa forma, conseguiremos com que a inteligência e o conhecimento continuem no País e possam, além de atender as demandas específicas dos consumidores locais, criar divisas para o Brasil por meio das exportações dessas inovações”, avaliou o presidente da Volkswagen no Brasil, Pablo Di Si.


Entidade reduz expectativa de alta da produção em 2018 para 11,8%

A Anfavea reduziu a expectativa de crescimento do setor automobilístico neste ano. A projeção de alta na produção passou de 13,2% para 11,9%, o que representa 3,02 milhões de unidades fabricadas. O principal motivo é o cenário da exportação.

Mola propulsora da produção da indústria automotiva no ano passado, no segundo semestre, a exportação para a Argentina, principal mercado brasileiro, e o México, hoje são alvo de preocupação devido ao dólar alto. Segundo o presidente da Anfavea, Antonio Megale, os pedidos diminuíram. “A Argentina vem sofrendo problema cambial com uma desvalorização mais forte do que a nossa. A gente vê que alguns pedidos começam a diminuir, não vem aquele volume que é esperado para o segundo semestre. Nas empresas, devemos trabalhar com outros mercados, como o Chile, que está crescendo muito. As máquinas agrícolas para os Estados Unidos e os caminhões para a Rússia são mercados crescentes. O que pesa mais é que a Argentina é o nosso maior mercado, mas como o governo já tomou medidas, ela deve voltar a crescer.”

Apesar do impacto da greve dos caminhoneiros, que abalou a confiança do consumidor, em junho a produção cresceu 21,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, com a fabricação de 256,3 mil unidades. No primeiro semestre, foram confeccionados 1,4 milhão de automóveis, 13,6% a mais que em 2017 (veja na arte ao lado).
 

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