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Pontos viciados de descarte de lixo têm leve queda na região

Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Quantidade de áreas com despejo irregular caiu 20% neste ano, mas ainda são 323 locais


Vanessa de Oliveira
do Diário do Grande ABC

01/07/2018 | 07:07


Calçadas, construídas para assegurar a passagem de pedestres, são ‘lixão a céu aberto’ em muitos locais do Grande ABC. Apesar de o número de pontos de descarte irregular apresentar queda de 20% em relação ao mesmo período do ano passado, o problema ainda é expressivo entre as sete cidades. Em 2017, três cidades da região (Santo André, São Bernardo e Mauá) contabilizavam 404 áreas onde os mais variados resíduos são despejados irregularmente, índice que baixou para os atuais 323.

Em Mauá, a Prefeitura informou que a cidade possui 23 pontos com este perfil – número menor do que no ano passado sem, no entanto, detalhar –, assim como Ribeirão Pires, que só passou a quantidade atualizada: 42 áreas. Os demais municípios não responderam.

A problemática é motivo de denúncias constantes dos munícipes e frequentemente mostrada nas páginas deste Diário. As prefeituras atribuem a diminuição dos pontos ao trabalho de educação ambiental feito com os moradores e nas escolas, à divulgação dos serviços de descarte adequada de resíduos e entulhos e à fiscalização. Especialistas avaliam que fazer “troca” com a população, com ações que a estimule, pode apresentar mais eficácia.

“Não tem fiscal para olhar em tempo integral, então, no caso de uma reforma, por exemplo, que vai gerar entulho, por que a prefeitura não dá um pequeno desconto no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para quem comprovar que colocou caçamba para jogar (os materiais) de forma correta?”, fala o especialista em gestão ambiental e Saúde pública da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rogério Aparecido Machado.

“Iniciativas de incentivo podem diminuir o problema, com resíduos que não configuram lixo tendo a possibilidade de retornarem à cadeia produtiva, por meio da reciclagem”, diz o professor do departamento de ciências ambientais do campus Diadema da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) José Guilherme Franchi. Na região, Santo André executa ação de incentivo ao descarte correto de resíduos secos com o programa Moeda Verde (leia mais ao lado).

A cidade andreense, que tinha 68 pontos cadastrados de descarte irregular de lixo em 2017, deu solução a apenas cinco, passando para 63 atualmente. Aproximadamente R$ 550 mil por mês são gastos com a manutenção e limpeza dos locais.

São Bernardo reduziu de 224 para 197 os pontos; e, São Caetano, de 112 para 63 locais. Valores gastos com o problema não foram informados nas duas cidades.

RISCOS
O descarte irregular de lixo não é apenas situação desagradável à visão e ao olfato, mas implica em série de riscos, como à saúde, pela atração de vetores transmissores de doenças, e até de segurança. “Com materiais na calçada, as pessoas têm de caminhar pela rua e, o que era apenas sujeira, passa a ser atentado à vida”, salienta Machado.

Em Mauá, nem o ponto de ônibus foi poupado, na Rua General Castilho de Lima, no Parque São Vicente. Em outro bairro, no Jardim Haydee, o pedreiro Ivanildo Ferreira, 49 anos, lamenta o cenário da Rua Iperó. “Sempre tem entulho. O povo faz obra e já sabe onde despejar os restos. Acho um desrespeito.”

Os prejuízos vão além, lembra o professor de Engenharia Ambiental e Sanitária da Metodista Carlos Henrique Andrade de Oliveira. “Há a perda de investimentos públicos em áreas prioritárias, como Educação, Cultura e Lazer e sério comprometimento das atividades humanas.”

Em Santo André, Moeda Verde atende áreas mais problemáticas

Na tentativa de reduzir o descarte irregular em áreas que concentravam os piores índices da cidade, Santo André instituiu, em novembro de 2017, o programa Moeda Verde. Na ação, implantada em três núcleos – Ciganos (que tinha o pior ponto de descarte ilegal de lixo do município) Capuava e Ciprestes –, a cada cinco quilos de material seco entregue, o morador recebe um quilo de alimento hortifrúti.

As trocas acontecem a cada 15 dias. Todo material recebido é encaminhado para as cooperativas de reciclagem, que fazem a separação e a venda dos materiais. Do início da ação até este mês, já foram arrecadados dez toneladas de materiais.

Segundo o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), depois da iniciativa, o ponto de descarte que existia na Rua Júlio Pignatari, no núcleo Ciganos foi extinto. No Capuava. em área da Avenida dos Estados houve redução de volume de resíduos descartados e outros dois pontos monitorados também registram diminuição do problema. Já no Ciprestes, a questão foi extinta em uma área e um segundo ponto, na Rua Caminho dos Vianas, já apresenta queda de resíduos.

A Prefeitura prevê a expansão do Moeda Verde para mais dois núcleos no próximo trimestre, mas ainda não há definição dos locais. A ação serviu de modelo para Amparo, no Interior do Estado, que na última semana implantou programa inspirado na experiência andreense. 



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Pontos viciados de descarte de lixo têm leve queda na região

Quantidade de áreas com despejo irregular caiu 20% neste ano, mas ainda são 323 locais

Vanessa de Oliveira
do Diário do Grande ABC

01/07/2018 | 07:07


Calçadas, construídas para assegurar a passagem de pedestres, são ‘lixão a céu aberto’ em muitos locais do Grande ABC. Apesar de o número de pontos de descarte irregular apresentar queda de 20% em relação ao mesmo período do ano passado, o problema ainda é expressivo entre as sete cidades. Em 2017, três cidades da região (Santo André, São Bernardo e Mauá) contabilizavam 404 áreas onde os mais variados resíduos são despejados irregularmente, índice que baixou para os atuais 323.

Em Mauá, a Prefeitura informou que a cidade possui 23 pontos com este perfil – número menor do que no ano passado sem, no entanto, detalhar –, assim como Ribeirão Pires, que só passou a quantidade atualizada: 42 áreas. Os demais municípios não responderam.

A problemática é motivo de denúncias constantes dos munícipes e frequentemente mostrada nas páginas deste Diário. As prefeituras atribuem a diminuição dos pontos ao trabalho de educação ambiental feito com os moradores e nas escolas, à divulgação dos serviços de descarte adequada de resíduos e entulhos e à fiscalização. Especialistas avaliam que fazer “troca” com a população, com ações que a estimule, pode apresentar mais eficácia.

“Não tem fiscal para olhar em tempo integral, então, no caso de uma reforma, por exemplo, que vai gerar entulho, por que a prefeitura não dá um pequeno desconto no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para quem comprovar que colocou caçamba para jogar (os materiais) de forma correta?”, fala o especialista em gestão ambiental e Saúde pública da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rogério Aparecido Machado.

“Iniciativas de incentivo podem diminuir o problema, com resíduos que não configuram lixo tendo a possibilidade de retornarem à cadeia produtiva, por meio da reciclagem”, diz o professor do departamento de ciências ambientais do campus Diadema da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) José Guilherme Franchi. Na região, Santo André executa ação de incentivo ao descarte correto de resíduos secos com o programa Moeda Verde (leia mais ao lado).

A cidade andreense, que tinha 68 pontos cadastrados de descarte irregular de lixo em 2017, deu solução a apenas cinco, passando para 63 atualmente. Aproximadamente R$ 550 mil por mês são gastos com a manutenção e limpeza dos locais.

São Bernardo reduziu de 224 para 197 os pontos; e, São Caetano, de 112 para 63 locais. Valores gastos com o problema não foram informados nas duas cidades.

RISCOS
O descarte irregular de lixo não é apenas situação desagradável à visão e ao olfato, mas implica em série de riscos, como à saúde, pela atração de vetores transmissores de doenças, e até de segurança. “Com materiais na calçada, as pessoas têm de caminhar pela rua e, o que era apenas sujeira, passa a ser atentado à vida”, salienta Machado.

Em Mauá, nem o ponto de ônibus foi poupado, na Rua General Castilho de Lima, no Parque São Vicente. Em outro bairro, no Jardim Haydee, o pedreiro Ivanildo Ferreira, 49 anos, lamenta o cenário da Rua Iperó. “Sempre tem entulho. O povo faz obra e já sabe onde despejar os restos. Acho um desrespeito.”

Os prejuízos vão além, lembra o professor de Engenharia Ambiental e Sanitária da Metodista Carlos Henrique Andrade de Oliveira. “Há a perda de investimentos públicos em áreas prioritárias, como Educação, Cultura e Lazer e sério comprometimento das atividades humanas.”

Em Santo André, Moeda Verde atende áreas mais problemáticas

Na tentativa de reduzir o descarte irregular em áreas que concentravam os piores índices da cidade, Santo André instituiu, em novembro de 2017, o programa Moeda Verde. Na ação, implantada em três núcleos – Ciganos (que tinha o pior ponto de descarte ilegal de lixo do município) Capuava e Ciprestes –, a cada cinco quilos de material seco entregue, o morador recebe um quilo de alimento hortifrúti.

As trocas acontecem a cada 15 dias. Todo material recebido é encaminhado para as cooperativas de reciclagem, que fazem a separação e a venda dos materiais. Do início da ação até este mês, já foram arrecadados dez toneladas de materiais.

Segundo o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), depois da iniciativa, o ponto de descarte que existia na Rua Júlio Pignatari, no núcleo Ciganos foi extinto. No Capuava. em área da Avenida dos Estados houve redução de volume de resíduos descartados e outros dois pontos monitorados também registram diminuição do problema. Já no Ciprestes, a questão foi extinta em uma área e um segundo ponto, na Rua Caminho dos Vianas, já apresenta queda de resíduos.

A Prefeitura prevê a expansão do Moeda Verde para mais dois núcleos no próximo trimestre, mas ainda não há definição dos locais. A ação serviu de modelo para Amparo, no Interior do Estado, que na última semana implantou programa inspirado na experiência andreense. 

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