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Profissões de risco

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Medo não pode fazer parte do dia a dia de profissionais que vivem sob a adrenalina, como é o caso dos motoboys e dos cordeiros de prédios


Bia Moço
especial para o Diário

01/07/2018 | 07:21


 A palavra medo não pode fazer parte do dia a dia de profissionais que são obrigados a enfrentar situações de perigo para realizar trabalhos que são seu ganha pão. Várias são as profissões de risco, mas pelo menos duas dão frio na barriga quando se vê as pessoas em ação: os motoboys, que tentam driblar o trânsito caótico das grandes cidades com ‘manobras radicais’ no meio dos veículos, e os cordeiros, aqueles que ficam pendurados em prédios para efetuar serviço de limpeza, pintura ou reparos.

Risco e responsabilidade são as sensações que resumem as atividades dessas profissões. O cordeiro Isaias Luiz da Silva, 35 anos, trabalha nas alturas sob risco há nove anos. Quando questionado sobre medo, responde sem êxito que não sente nenhum. “Quando era adolescente praticava rapel com meus colegas, sempre adorei estar nas alturas e sob adrenalina. Não poderia ter profissão diferente se não fosse uma que me deixasse sob risco.”

O aventureiro é pai de três filhos e diz que, por pensar na possibilidade de acidente e, com isso, perder sua família, resolveu deixar a profissão e tentar outra coisa. “Fui padeiro, motorista e algumas outras coisas de bico, mas não tem jeito, gosto de trabalhar livre, no alto, no vento. Tenho paixão pelo que faço”, revela Silva.

Ele relata que, acima do risco, vem a responsabilidade. “Primeiro que quem quer trabalhar com isso (serviço predial) tem de gostar. Segundo que precisa de treinamento. Mas, a cima de tudo isso, é preciso ter responsabilidade, estar com os equipamentos necessários e saber se está pronto ou não para o serviço no alto”, explica.

Além disso, Silva diz que pessoas que escolhem ser cordeiro por necessidade e não por gosto têm duas opções: ou se apaixonam, ou desistem. “Costumo ajudar sempre um novato, ensinar e ficar junto para passar segurança. Claro, se o cara não pega gosto, desiste. Mas é raro. Costumo ver gente se apaixonar pelas alturas. Viver na adrenalina é muito bom.”

A empresa que Isaias trabalha, a Dinâmica Fachadas, fica na Capital, mas presta serviço para diversos empreendimento na região. O engenheiro civil responsável, Wellington Chiang, 42, diz que para se fazer o trabalho nas alturas é preciso coragem. “As empresas fornecem todo os equipamentos de segurança necessários, tanto coletivo quanto individual. Infelizmente, ainda acontecem acidentes, mas são raros. As empresas hoje em dia estão focadas na segurança do profissional.”

Não é diferente com os motoboys. Adison Liares, 42, trabalha fazendo entregas sob duas rodas há 17 anos. Orgulhoso, o pai de quatro filhos e avô de um neto se vangloria por nunca ter sofrido acidente, no entanto, reforça que o bem estar do profissional está na responsabilidade de quem trabalha. “Tem cara que quer correr para entregar mais e ganhar R$ 10 a mais. Tem gente nos esperando em casa. Temos de preservar nossas vidas e de outras pessoas também. Se vê muito motoqueiro caindo, mas os motoboys têm de terminar o trabalho e, portanto, têm de dirigir com cautela.”

Já Edson Abrão Monteiro, 40, não teve a mesma sorte que Liares. Motoboy com 20 anos de experiência, ele foi ‘atropelado’ no cruzamento da Avenida Carijós, em Santo André, quando motorista passou no farol vermelho e o atingiu. “Estava fazendo o meu trabalho. Tive de tomar 20 pontos na sola do pé e quebrei três dedos. Após nove meses afastado do trabalho, voltei para a mesma profissão. Embora tenha atenção redobrada, não depende só de mim, por isso que todas as pessoas no trânsito têm de pensar no próximo.”

Monteiro trabalha das 8h a 24h todos os dias. Quando questionado sobre trocar de profissão, diz que ama o que faz. “Não me imagino trabalhando com outra coisa. Embora seja uma profissão de risco, acredito que cada um tem de ter cuidado.” Sobre acidentes, a resposta tanto dos cordeiros como dos motoboys é a mesma: toda profissão é de risco se a pessoa não for cautelosa.

Região tem queda nos casos de acidente e alta de óbitos

Embora o tema segurança do trabalho venha ganhando mais destaque, o Brasil ainda é um dos países com maior índice de acidentes. Dados levantados pela Previdência Social e pelo Ministério do Trabalho revelam 700 mil acidentes de trabalho por ano em todo o País. Na região, foram 13.957 ocorrências em 2016, número 8,63% menor do que o registrado um ano antes. Em relação às mortes, entretanto, houve alta: passaram de 30 para 35 óbitos no período.

Os dados integram o Anuário Estatístico de Acidente do Trabalho de 2016, publicado pelo Ministério da Fazenda (veja tabela abaixo).

O maior número de registros está relacionado a acidentes típicos, ou seja, aqueles que acontecem no horário do expediente, como quedas, fraturas e ferimentos. Em 2016, por exemplo, a região teve 9.136 ocorrências do tipo. Na sequência, aparecem os problemas no trajeto. No total, foram 2.496 registros.

Para o engenheiro civil, Wellington Chiang, 42, como as empresas têm se dedicado mais aos cuidados com proteção, o número de acidentes caiu. “Há registros, mas não se compara com os números de antes. Hoje há mais zelo”, considera.



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