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Toque sutil de magia


Rodolfo de Souza

28/06/2018 | 07:00


Tenho pensado a respeito da magia que envolve a disputa de uma Copa do Mundo de futebol. Sim, eu sei! Cá estou eu novamente falando de Copa do Mundo! Não se irrite, amigo leitor, que, por acaso, não tenha lá muito apreço pelo esporte bretão e, sobretudo, pelo povo, que grita e esbanja fanatismo. Esclareço, pois, que meu olhar habituado a observar situações que, com alguma frequência, envolvem pessoas, encontrou ali farto material que pode perfeitamente acabar em minha mesa de trabalho para, quem sabe, se transformar em mais textos que levem essa pequena parcela que lê a refletir acerca de uma realidade que anda meio escondida debaixo de espessa maquiagem. 

Não pense você que desenho mais esse retrato a partir de constatação feita in loco. Nada disso. Uso, como a maioria, de recursos televisivos que servem muito bem para se ter uma ideia do que vem a ser o espetáculo, sobre o qual discorremos neste precioso momento.

Foi, pois, num dia destes que assisti à partida que me inspirou a deitar a pena nesta folha virtual e traçar algumas linhas, por meio das quais talvez consiga fazer chegar no distinto amigo a impressão que me ocorreu. A manhã estava ensolarada, bem ao contrário do que se imagina uma manhã na Rússia, o que conferia um toque todo especial ao evento que por si já é especial. Ainda que o selecionado tupinambá não viesse colaborando muito para que o dia claro fosse também realçado por uma sequência de gols que enchesse o time adversário de chateação, e o coração brasileiro, de alegria.

Bom, jogo difícil à parte, devo mesmo confessar que fiquei um tanto deslumbrado com a cena que se seguiu. A televisão, a quem cabe transmitir todo o show, de repente dirigiu sua poderosa câmera para a torcida, constituída também por brasileiros, gente que sempre dispõe de um dinheirinho extra para voar até a arena e ali desfrutar de todo o seu encanto. E a TV, muito competente no seu trabalho, não poupou esforços para exibir caras, expressões, roupas, adereços, e também exaltar o entusiasmo de pessoas que fazem o seu espetáculo.

Resultado: diante do belo perfil daquela assistência, acabei até por esquecer-me do jogo. Cheia de uma expectativa que contagia até quem está aqui por detrás das câmeras, ela mostra ao mundo, se não me falha a memória, 112 países, que a população brasileira é mesmo assim: linda, radiante, loira, com dentes perfeitos, e uma disposição, que só vendo, para curtir a vida moscovita ou de qualquer parte do globo onde tenha lugar torneio de tal monta. 

E o espetáculo, agora protagonizado pelo torcedor, jogou por terra a imagem de povo pobre que habita a parte interna de nossas fronteiras, que eu carreguei durante décadas. Tive, diante do quadro assistido, a prova cabal de que tudo é felicidade em cima deste solo idolatrado, e de que crise é nome feio e proscrito. Quem, afinal, tivera o mau gosto de inventá-lo?



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